Malato não-binário

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José Carlos Malato é um tipo curioso. Podemos usar o termo “interessante”, mesmo correndo o risco de sermos mal interpretados. Ele é interessante, não por ser bonito ou ter um corpo CR7, mas por ser pessoa de convicções. Quem tem ideias e as defende com coragem, é uma pessoa interessante.

No caso de Malato, quando podia ficar calado e todos julgávamos que era só mais um gay a fazer pela vida com sucesso, eis que ele vem esclarecer urbi et orbi como vive essa condição, ao assumir-se como pessoa não-binária. Ou seja, sem género definido. Um não-binário é tudo e nada. E reclama para esta causa a própria Igreja Católica, ao atribuir ao papa João Paulo I a frase “Deus é pai e mãe”.

Ser não-binário é uma questão de princípio ativista, pelo menos para mim. Acredito que a dualidade masculino/feminino ou outro está presente nos seres humanos apesar da cultura fascista e da sociedade patriarcal a tentarem esmagar”.

Controverso? Sim. E por isso, o nosso aplauso.

Na íntegra, a mensagem de Malato publicada no Instagram:

“Ser não-binário é uma questão de príncipio activista, pelo menos para mim. Acredito que a dualidade masculino/feminino ou outro está presente nos seres humanos apesar da cultura fascista e da sociedade patriarcal a tentarem esmagar. Isso significa que a minha identidade de género e expressão de género não são limitadas ao masculino e feminino. Estão para além desse espartilho maniqueísta. Por exemplo, ao nível da linguagem, dizer que se está ‘cansada’ é mais forte, semanticamente, do que ‘cansado’. ‘Sou portuguesa! Portuguesa concerteza’ – verso de Rosa Lobato de Faria – expressa melhor o que eu sou do que “sou português” ou “Sou um homem. Assim o provam as calças!”, como tão bem disse Ary dos Santos. Esse não-binarismo está até presente nas insondáveis palavras do Papa João Paulo I quando afirma que “Deus é pai e mãe”. O meu ‘não-binarismo-pessoal’ é uma forma de dar representação e visibilidade a todos/todas/todes que sentem/ são assim! É o meu dever enquanto megafone que detém algum poder de fala na sociedade portuguesa.
É também uma demonstração de empatia com todes os que sentem como eu e um manifesto contra todas as formas de discriminação e violência que muit@s sofrem/sofremos todos os dias! Numa era marcada pelo terrorismo das redes sociais! Ninguém pode ser quem não é. E ser quem se é não prejudica ninguém. E a mais ninguém diz respeito! Disse!” #josecarlosmalato

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