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Extrema-direita ameaça diretamente três deputadas nacionais

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A extrema-direita racista está a esticar a corda, como quem tem pressa em ir parar à cadeia. É inevitável que isso venha a acontecer, pelo caminho que está a ser tomado. Mas, supõe-se, que seja uma opção do grupo e de cada um dos seus membros individualmente.  Sim, porque não devem ser tão ingénuos que acreditem que se pode continuar a ameaçar cidadãos e a espalhar o terror impunemente.

Não sei se foi a gota de água, mas há de estar lá perto, o email enviado por um grupo autodenominado “Nova Resistência Nacional” onde se dá 48 horas para que saiam do país a três deputadas nacionais e ativistas da organização SOS Racismo.

“Nova Resistência Nacional” é um movimento anónimo, mas é o mesmo que no passado sábado se manifestou em frente à sede da SOS Racismo de caras tapadas por máscaras brancas e tochas na mão semeando o terror. Estes atos públicos são aquilo a que se chama prova de vida, estão a dar-se a conhecer, a mostrar aos outros fascistas que são mais valentões que eles, essa é a principal intenção. Mas é evidente que a partir destes atos, se quiserem ser consequentes e coerentes com o que dizem, os próximos serão de violência e é isso que o Estado não pode tolerar.

Com três deputadas diretamente visadas pelas ameaças deste grupo, o Presidente da Assembleia da República não poderia deixar de tomar uma posição. Ferro Rodrigues garantiu que o Estado já está a agir: “conforme é público, já está a ser investigada por parte das autoridades judiciárias”.

Na ameaça assinada pela “Nova Resistência Nacional” refere-se que se o prazo for ultrapassado “medidas serão tomadas contra estes dirigentes e os seus familiares, de forma a garantir a segurança do povo português”, e que “o mês de agosto será o mês do reerguer nacionalista”.

Esperemos que neste reerguer comecem a mostrar a cara, para os conhecermos melhor.

Artistas de circo em protesto

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As empresas e os artistas de circo sentem-se ostracizados e decidiram protestar pela falta de apoios do Ministério da Cultura, nesta fase em que por causa da pandemia deixaram de trabalhar já lá vão seis meses.

Sem autorizações para deambular pelo país e montar tenda nas imediações das feiras, festas e romarias, o Mundo circense está em colapso e pode morrer se não lhe deitarem a mão.

A vida deles nunca foi fácil e era comum os artistas de circo serem obrigados a emigrar para não morrerem de fome. E lá fora distinguem-se entre todos os outros e são premiados com frequência.

Hoje, muito por causa do programa da RTP “Got Talent Portugal”, sabemos da qualidade dos artistas de circo portugueses.

O circo tradicional engloba cerca de 30 companhias, na sua maioria de estrutura familiar, e mais de 200 artistas. Vivem todos em grande dificuldade e, segundo declarações de Carlos Carvalho, da direção da APEAC (associação do setor) à agência Lusa, apenas cerca de seis companhias circenses terão retomado a atividade, de forma condicionada, devido às regras da Direção-Geral da Saúde para combate à covid-19.

Além da falta de apoios, o circo queixa-se de muitas outras injustiças. Alguns municípios não querem ver circos dentro dos seus territórios e, por norma, não concedem licença para atuação, a taxa municipal não tem valor fixo e depende do livre arbitrio da autarquia, os artistas de circo tradicional são desvalorizados em relação ao artistas do chamado circo contemporâneo.

Cansados de passar mal e de serem tratados com menosprezo por muitos, os artistas de circo não se importariam de viver com a dignidade a que têm direito.

Covid-19: três mortes e uma festa

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Portugal regista hoje mais três mortes por covid-19 e 278 novos casos de infeção em relação a terça-feira, segundo o boletim diário da Direção-Geral da Saúde.

Sobre as três mortes registadas nas últimas 24 horas, eram pessoas com mais de 80 anos,  duas das mortes ocorreram na região de Saúde do Norte e uma na região de Lisboa e Vale do Tejo.

De acordo com a última informação transmitida pelo Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge o índice de transmissibilidade efetivo para os dias entre 3 e 7 de agosto está nos 0,99. Ou seja, cada pessoa infetada contamina uma outra, em média.

Portugal tem 161 surtos, 42 na região Norte, 8 na região do Centro, 82 em Lisboa e Vale do Tejo, 13 na região do Alentejo e 16 na região do Algarve.

A Festa do Avante

Na conferência de imprensa de hoje, a ministra da Saúde disse que a lotação da Festa do Avante, organizada pelo PCP, terá este ano que ser inferior à capacidade máxima de 100 mil pessoas do recinto no Seixal, por causa da covid-19.

A ministra assegurou que à organização da Festa do Avante “não será permitido o que está proibido nem proibido o que está permitido” e que “não haverá exceções” às regras adotadas pelas autoridades de saúde para conter o contágio pelo novo coronavírus.

Mas, se os 100 mil bilhetes já estão vendidos, como irá a ministra controlar as entradas ou o número de pessoas que vão estar no recinto? E em caso de incumprimento, como será que Marta Temido pretende fazer para evacuar a Quinta da Atalaia?

Cascais, não há medusas nas praias

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O alarme relativo à presença de medusas urticantes em praias da região da Área Metropolitana de Lisboa levou, ontem, à interdição das praias de Carcavelos e São joão do Estoril mas, hoje, nas praias de Cascais não há nem uma medusa para amostra.

Numa volta pelas praias da Ribeira, Raínha e Conceição, não havia muita gente porque está um dia chuvoso e os turistas do norte da Europa são escassos.

Antes da pandemia, a meio de agosto, Cascais e as suas praias estariam a abarrotar de turistas e, mesmo nas atuais condições atmosféricas, não faltaria gente a nadar nas praias e a encher as esplanadas da vila.

Assim, enquanto a capitania de Cascais averigua se as medusas já se foram embora, as circunstâncias ajudam a manter as praias quase vazias.

Um dos nadadores salvadores da praia da Conceição disse ao Duas Linhas que ali não tinha sido detetada nenhuma medusa mais exótica, para além de uma ou outra banal alforreca.

Na verdade, nas praias da vila de Cascais, não foi hasteada qualquer sinalética a avisar da proibição de ir a banhos. A única bandeira que vimos foi uma verde com uma figurinha desenhada que significa “praia com pouca gente”. E assim ficou.

Medusa veleiro não é perigosa, apenas incomodativa

Nos últimos dias, a presença de medusas ‘Velella velella’ foi registada na Praia da Vieira, na Marinha Grande, distrito de Leiria, o que levou também ao hastear da bandeira vermelha e ao desaconselhamento de ida a banhos, medidas que foram levantadas na segunda-feira, depois de dois dias sem deteção de presença das medusas no mar, informou o comandante da Capitania do Porto da Nazaré.

Sobre a presença de medusas ‘Velella velella’ naquelas praias, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera disse que “a espécie Velella velella (Veleiro) está de momento a ocorrer em pequenas quantidades por toda a costa oeste portuguesa, incluindo em algumas ilhas dos Açores”, revelando que se trata de uma espécie de ocorrência comum e os seus tentáculos são pequenos e ligeiramente urticantes, pelo que é “aconselhável evitar o contacto direto com os mesmos de forma a evitar potenciais reações alérgicas, em caso de maior sensibilidade”.

“Não havendo evidências de queimaduras ou problemas de saúde associados, é considerada inofensiva”, assegura o instituto.

No entanto, caso os banhistas tenham estado em contacto com as mesmas e tenham sido picados, devem aplicar bandas de gelo e, se possível, bicarbonato de sódio, recomenda o IPMA.

Fundação D. Pedro IV faz chantagem com o Estado

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A Fundação D.Pedro IV volta a estar envolvida em polémica. Desta vez a referida fundação ameaça despedir 79 funcionários se o Instituto de Segurança Social não saldar uma alegada dívida de 2 milhões de euros.

Ou seja, os 79 trabalhadores estão a ser utilizados como arma de arremesso numa disputa que deveria ser resolvida pela via negocial ou nos tribunais.

Em causa está um protocolo de gestão assinado em 2004 entre a fundação proprietária do lar Mansão de Santa Maria de Marvila e o Instituto de Segurança Social.  O referido protocolo identificava um conjunto de obras necessárias à conservação do edifício e previa o seu financiamento com verbas do Estado. Segundo diz a fundação, as obras terão sido feitas e o Estado nunca pagou aquilo a que se tinha comprometido.

Os responsáveis da fundação dizem que o investimento de mais de dois milhões de euros feito em obras nunca foi ressarcido pelo Estado, pelo que a instituição considera não ter condições financeiras para se manter em funcionamento, tendo comunicado a intenção de avançar para o despedimento coletivo dos 79 trabalhadores no passado dia 3 de agosto. O lar tem cerca de 140 utentes.

No site da Fundação D. Pedro IV, há fotografias que apresentam o Lar de Idosos Mansão Santa Maria Marvila como sendo um local de excelência. As fotografias mostram os quartos duplos e individuais, a sala de refeições, o exterior do edifício, as informações referem serviços de roupa e alimentação, manicure, cabeleireiro, ginásio e capela, mas não diz qual a mensalidade.

Adivinha-se que seja caro ao lermos que “o Lar de Idosos Mansão Santa Maria Marvila é uma excelente escolha para idosos de Lisboa ou áreas circundantes que estejam interessados num ambiente de hotel, com cuidados de saúde.” De quantas estrelas será este hotel?

As polémicas rodeiam a Fundação D. Pedro IV

Fundação D. Pedro V tem obra de monta: habitação social em Mira Sintra, seis creches e pré-escolar em diferentes bairros de Lisboa e o lar Mansão de Sta. Maria de Marvila. Mas trata-se de obra envolta em problemas.  Por exemplo, em Mira Sintra, os moradores dizem que os prédios têm manutenção deficiente. Há uns anos, um residente ficou gravemente ferido quando o elevador caiu do quarto andar até ao rés-do-chão.

O presidente da Fundação D. Pedro IV, Vasco Manuel Abranches do Canto Moniz, já esteve envolvido em suspeitas de uso indevido dos bens da Fundação, de promover relações promíscuas entre entidades privadas, singulares ou colectivas e a Fundação, e de usar o dinheiro da fundação em negócios de onde retirou proveito próprio. Mas ainda hoje lá está.

Em 2007, o PCP pediu, sem sucesso, na Assembleia da República a extinção dessa fundação, depois de no ano 2000 a Inspeção Geral de Segurança Social ter elaborado um relatório onde apresentou diversas irregularidades detectadas. O relatório foi arquivado, sem qualquer despacho do governante tutelar.

Há quem pense que “mão invisível” protege os dirigentes da Fundação D. Pedro IV. Não sabemos esclarecer essa dúvida, mas olhando para a composição do Conselho de Curadores da fundação, lemos os nomes de Leonor Beleza, Ricardo Sá Fernandes, José Ribeiro e Castro ou Alexandre Castro Caldas, entre outros.

Poderá ser uma resposta.

Qual será o meu problema?

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O que se passará comigo?

O que me leva a ficar espantado, boquiaberto, incrédulo, deprimido, com notícias que passam despercebidas à generalidade dos meus conterrâneos?

Porque é que eu considero inexplicáveis, graves, criminosas até, situações que os outros reputam normais?

Serei eu demasiado crítico? Picuinhas? Masoquista? Ou serão os outros excessivamente despreocupados e desatentos?

A verdade é que não vejo, no rosto da maioria daqueles com quem tento abordar alguns assuntos que considero alarmantes, a mais pequena sombra de aflição ou, sequer, de inquietação.

Vou tentar explicar.

Eu assusto-me com a notícia:

“A “Seguradora GNB Vida” foi vendida por 123 milhões a fundos geridos pela Apax. A operação gerou perda de 268,2 milhões, que foi compensada com nova chamada de capital do Fundo de Resolução. O negócio foi fechado com um magnata condenado por corrupção nos EUA.”

Qual foi a posição do Presidente da República? Voltou a pedir celeridade na conclusão da auditoria, mas já DEPOIS da venda concretizada.

Eu fico consternado com a quantidade de incêndios que têm assolado o nosso país e com o número de bombeiros que têm morrido.

O Presidente da República, que garantiu, há dois anos, que não demitiria o Governo se houvesse nova tragédia idêntica à de Pedrogão Grande, mas tiraria uma consequência (“Voltasse a correr mal o que correu mal no ano passado, nos anos que vão até ao fim do meu mandato e isso seria, só por si, impeditivo de uma recandidatura”), afirmou-se agora “preocupado com a vaga de incêndios” e admitiu interromper as férias em Porto Santo.

Não é bem o mesmo que anunciar que não se recandidatará e, assim sendo, não percebo a sua preocupação.

Eu admiro-me quando leio que Manuel Linda, bispo do Porto, questionado sobre um artigo publicado na revista do L’Osservatore Romano sobre a exploração de freiras por parte de membros do clero, disse: “às vezes algum bispo diz assim: “Ó minha irmã, você não tem aí duas ou três irmãs que queiram, por exemplo, na minha casa, fazer o almoço?”. E depois aquelas pessoas acabam por receber, de facto, uma quantia muito pequenina. Em termos do que nós chamamos o mercado de trabalho, seria uma verdadeira exploração. Verdadeira exploração. Entretanto, não nos podemos esquecer que são pessoas que, por opção, querem viver na pobreza. Estou convencido de que nessas circunstâncias, quando as pessoas trabalham para alguma estrutura da Igreja, devem ganhar o justo. Depois, farão com aquele dinheiro o que muito bem entenderem. O grande entendimento será o de dá-lo aos pobres. Se as pessoas querem viver na pobreza, óptimo. Mas então, aquilo que ganham, fruto legítimo do seu trabalho, que seja reencaminhado para um fim bom.”

Dias depois acusava o Governo de estar a “tentar cercear a presença da Igreja Católica na sociedade, por via do desinvestimento nos serviços sociais detidos pela Igreja” e exclamava bem alto: “O Estado não é pessoa fiável!”

O amigo cristão, a quem eu dei como hipótese ter o Primeiro-Ministro, seguindo o conselho dos bispos, chamado o Cardeal Patriarca e perguntado: “Ó meu irmão, você não tem aí dois ou três irmãos que queiram, por exemplo, nos serviços sociais da Igreja, fazer o almoço? Se as pessoas querem viver na pobreza, óptimo!” respondeu-me com um insulto pouco católico o que, reconheço, não é invulgar.

Eu vomito quando tomo conhecimento de que o Novo Banco (também conhecido como Banco Bom) vendeu 13 mil imóveis a um fundo anónimo naquele que foi considerado o maior negócio imobiliário em Portugal nos últimos anos. Foi uma “pechincha” que obrigou o Fundo de Resolução a cobrir as perdas de centenas de milhões. E o Novo Banco, para vender, ainda emprestou o dinheiro a quem comprou. Pouco se conhece dos felizardos compradores. Ninguém os escrutinou. Sabe-se, por exemplo, que um deles, de nome Barão, engenheiro de formação e pintor, e a sua companheira, registaram cinco sociedades imobiliárias de uma só vez. Todas com a mesma morada onde já tinham muitas outras, na loja de um Shopping. Por aí se pode ver o perfil dos restantes…

O que disseram os Partidos?

O Bloco de Esquerda garantiu que se tratava de uma fraude. Rui Rio disse que os negócios do chamado “Banco Bom” podem ser ainda piores do que agora se imagina. O PCP afirmou que, a ser verdade este negócio, estaríamos na presença de um crime económico contra o Estado Português. O Partido Socialista propôs que o presidente do Novo Banco seja ouvido logo na reabertura dos trabalhos parlamentares, em setembro.

De qualquer modo a venda já está feita para quê estragar as férias aos incansáveis políticos?

Talvez a minha mulher tenha (outra vez) razão quando desabafa: “Se fizesses como eles e fosses apanhar sol em vez de estares aí à pancada com o computador e a rogar pragas, com certeza que estarias com um ar mais saudável e tranquilo! Qual é o teu problema?”

Duas horas para escrever uma crónica e ela acaba a frase com a mesma pergunta do título que lhe dei…

Cascais, gaivotas assaltam turistas

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Praia da Raínha, em Cascais, primeira semana do mês de agosto. Uma praia pequena, pouca gente, muitas gaivotas. Uma delas vai cometer um pequeno delito…

As gaivotas são, regra geral, aves de tamanho médio, penas de cor cinzenta ou branca. Têm bicos fortes e compridos e patas com membranas. Todos as conhecemos, são aves marinhas muito comuns na costa portuguesa e presença assídua nas praias, principalmente quando há pouca gente no areal.

A gaivota vai buscar comida seja onde for. E percebeu que onde há gente há comida, por norma. Na verdade é um animal omnnívoro, o que significa que come quase tudo o que mexe e não mexe, assim como as pessoas. As gaivotas comem carne, peixe, vegetais, fruta… e como o mais difícil é mesmo apanhar peixe, elas atacam os alvos mais fáceis, no caso as lancheiras de quem está na praia.

O ovo cozido roubado com sucesso incentivou o espírito de predador de outras gaivotas e este fim de tarde na praia, em Cascais, foi passado no cerco ao reduto onde elas sabiam que havia comida… até porque estava na hora das pessoas comerem alguma coisa e a gaivota não gosta de ficar só a ver…

Esta proximidade com a vida selvagem tem graça… mas os tempos que vivemos ensinou-nos que tanta proximidade pode não ser muito saudável. A questão não é só a possibilidade das pessoas levarem umas bicadas de alguma gaivota mais agressiva… e elas têm bicos fortes e compridos como se vê bem… é pouco provável que uma gaivota se atreva a tanto… e o problema não reside apenas no assalto ao lanche das pessoas… o problema está nas bactérias ou nos vírus que as gaivotaqs podem, eventualmente, transmitir e, assim, é giro vê-las na praia – até porque é onde elas pertencem – mas um bocadinho mais longe das pessoas…

O atrevimento das gaivotas foi ao ponto de uma delas ter ido bicar a câmara de vídeo… não sabemos se para experimentar se era comestível, se para desligar a câmara a fim de evitar testemunhos do que se iria passar…

O segundo ataque ao saco do pão foi a prova irrefutável de que a gaivota é corajosa e muito atrevida. O saco foi resgatado e guardado em local mais seguro, mas o cerco das gaivotas não foi levantado… quem se levantou mesmo foram as pessoas.

Manifestação da extrema-direita racista em Lisboa

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Um grupo de gente de cara tapada manifestou-se frente à sede da ONG SOS Racismo, em Lisboa. A encenação da manifestação foi muito semelhante ao que costuma fazer o Ku Klux Klan, grupo racista norte-americano, com archotes e desfile militarizado.

Tudo aconteceu no sábado de madrugada, e os membros da SOS Racismo entendem que a manifestação é um ato de agressão, tentativa de intimidação e uma ameaça declarada à integridade física dos ativistas contra o racismo.

Numa página da extrema-direita racista no Facebook foi assumida a autoria do desfile com a frase: “: “A sede do SOS Racismo recebeu hoje uma visita nossa”.

A organização SOS Racismo vai apresentar queixa ao Ministério Público por “ameaças à integridade física, ofensas morais e danos patrimoniais e incitamento ao ódio e violência”.

Presidente Marcelo sofre acidente

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O presidente Marcelo Rebelo de Sousa caiu na consideração de muita gente, ao aprovar a Festa do Avante, fazendo um rasgo do tamanho de 93 mil cirurgias adiadas e de 3 milhões de consultas anuladas por causa do Covid-19.

Mais, ficou-se a saber que os comunistas de Jerónimo de Sousa têm um tratamento diferenciado em relação aos restantes portugueses.

Esta decisão é um grande acidente na imagem do homem impoluto que desceu a pé a Rua de São Bento a caminho da sua investidura como Presidente da República Portuguesa. A Festa do Avante é o mais monumental erro de Marcelo, sobretudo se atingir de forma grave a saúde pública. E revela dois pesos e duas medidas.

Há festa para 100 mil, mas os artistas, actores, cantores, bailarinas vão continuar à rasca para fazer um concertozinho com 50 pessoas.

O homem destemido projectado por Marcelo, afinal tem medo do Partido Comunista, como o seu padrinho Marcelo Caetano teve medo do Movimento dos Capitães. Marcelo Rebelo de Sousa foi tão mal aconselhado na festança do PCP, como o seu padrinho Marcelo Caetano ao aceitar enfiar-se num quartel no coração de Lisboa, em 25 de Abril de 1974.

Do actual presidente já se conheciam as viagens com Ricardo Salgado, os enredos à mesa com Paulo Portas ou o chocalhar entre a TVI e RTP. Na altura, Miguel Pais do Amaral cedeu às críticas do governo de Santana Lopes. Marcelo Rebelo de Sousa saiu da TVI para a RTP e, anos depois, voltou para a TVI, como se nada tivesse acontecido.

Durante esse tempo, Marcelo falou de tudo, de futebol a Fátima, como se fosse um especialista e conseguiu assim chegar a presidente. Ao contrário, Cavaco Silva colou-se ao passado. Jorge Sampaio foi obrigado a ser presidente. Mário Soares mereceu e bateu-se contra Freitas do Amaral. E Eanes já tinha subido para a capota de um automóvel ao primeiro tiro, em plena campanha eleitoral no Alentejo. Mas Marcelo Rebelo de Sousa chegou a presidente porque falava muito, todos os domingos.

Até agora as coisas não iam mal para Marcelo, não fosse o tombo do Avante.  Preparava-se para deixar uma memória de Sidónio sem cavalo, amante da democracia e fotógrafo ao lado do povo.  Era um estilo longe daquele de quem não aperta a mão ao outro afilhado de Marcelo Caetano, Jorge Correia de Campos, em Cascais, junto à antiga Praça de Touros. O sim à Festa do Avante rasgou esse cenário idílico.

Estamos cada vez mais confusos com o Covid-19. Ainda não está explicada a real natureza do vírus. Mas Marcelo faz um jeitinho ao PC.  Afinal, muito ao estilo do padrinho Marcelo Caetano, o homem do nim que, na altura, apenas queria fazer tudo para ser primeiro ministro.

Politicamente credível…

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No início de março, e perante uma peste que “desta vez é mesmo a sério”, já denunciava “graves falhas, erros e omissões” na condução de medidas que, se atempada e corretamente aplicadas no combate ao covid-19, teriam evitado imensos prejuízos.

Também a “impreparação da classe dirigente à escala global”, e a sua “total submissão a interesses político-económicos dominantes”, me mereceram duros comentários. Em dezenas de textos, incluí no lote várias universidades e revistas científicas, a OMS e até a nossa DGS, que antes cria insuspeitas.  

Logo em abril, e sem ainda ter falhado uma só sugestão ou previsão, já agradecia o contributo de eméritos colegas com quem trocava ideias e resumia a “dez pecados capitais” os inúmeros problemas que ainda procurava mitigar:

1 – O crescente poderio da indústria farmacêutica, centrada na investigação de fármacos dispendiosos e sem eficácia clínica comprovada.

2 – O eclipse da comunidade científica e médica que, na dependência deste poderoso lóbi, tardou em trocar ciência e conjugar esforços.

3 – A falta de “munições”, tais como as máscaras e o gel, esgotados no nosso país ainda antes do primeiro “tiro”.

4 – A tónica na ventilação assistida, de inglório alcance clínico, e não em limitar complicações talvez evitáveis com cloroquina (tese que se diluiu em política), cortisona e outros antivirais já existentes.

5 – A obsessão da imprensa pelas vacinas, uma longínqua miragem ainda que “aldrabando” regras.

6 – O desfasamento de uma comunicação social focada na intriga política e que, para “evitar o alarme social”, adiou por meses a sua formação e conhecimento.

7 – A dependência de técnicos responsáveis que, submetidos à “voz do dono”, não garantiram uma eficaz coordenação no combate à pandemia.

8 – A insistência na ideia de que o SNS era a primeira linha de defesa, em desprimor da formação sanitária das populações, incluindo transportadores, proteção civil e forças de segurança.

9 – As assimetrias regionais, as práticas clínicas diferentes e até o caos instalado nas estatísticas oficiais.

10 – E, finalmente, o atraso na declaração do estado de emergência e, sobretudo, na aplicação de planos de contingência: desde os lares às prisões, desde as escolas aos infantários e ao Palácio de Belém.

Sem qualquer êxito promovi a minha “campanha” porque, tal como eu banidos por uma comunicação social comprada a peso de ouro, e que meses depois investia em “vedetas” milionárias, cedo assistimos ao “saneamento” de quantos ousaram pôr dedos em feridas. E nem o mergulho numa noite tenebrosa, nem o desempenho das redes sociais e de alguma pequena imprensa, conseguiram evitar que a atual “sociedade do conhecimento” continue a escrever uma das maiores tragédias da História da Humanidade.

Há meses a pregar no deserto, dias há em que até perco a vontade de escrever, tais os horrores a que assisto: um número assustador de desempregados enquanto figurões acumulam subsídios, os terramotos que abalam o SNS e a Educação e os novos “romances” da EDP e do Novo Banco, a que podemos juntar vários “filmes” que passam numa Administração Pública tão incompetente, como insustentável.

Um “amigo dos jornais” explicou-me há dias que, embora técnica e pessoalmente inatacável, eu só sou silenciado por falta de “credibilidade política”.

Posto assim a matutar, lembrei-me do Presidente da República.

Será credível que, tira ou põe máscara para animar “selfies”, tenha andado ontem pelas praias a repartir bolos à mão, pela criançada?

Ou, notícia de hoje, tenha ido almoçar, secretamente, a Castela com o rei de todas as Espanhas que, “naturalmente”, incluem Portugal?

E terá pedido autorização para sair do país à Assembleia da Republica?

Será politicamente correto, sensato e inteligente, o Supremo Magistrado da Nação “desenfiar-se” de Portugal, “sem passar cavaco às tropas”?