Antes de haver jornais, as notícias eram exibidas em locais públicos. Os editais dos reis, as ordens destinadas ao povo, escritas em papiro, eram lidas em voz alta pelos arautos, pregadas nas árvores ou pintadas nos muros nas ruas das cidades.
Hoje, as redes sociais cumprem esse papel. Mas há quem continue a pintar notícias nas paredes, como é o caso dos artistas de rua, os grafiteiros.
Harry Greb é um desses pintores de murais, vive em Roma. Assim que soube que José Mourinho tinha sido contratado pelo Roma, tratou de dar a boa nova ao povo. O local já se tornou atração na cidade e a imagem de Mourinho a chegar de “Vespa” já correu mundo.
José Mourinho vai assim treinar o 9.º clube da carreira depois de passagens por Benfica, União de Leiria, FC Porto, Chelsea, Real Madrid, Inter de Milão, Manchester United e Tottenham. O clube romano era treinado por outro português, Paulo Fonseca, despedido à mingua de vitórias.
Harry Greg é um dos mais famosos grafiteiros do Mundo. Os seus murais estão reproduzidas milhões de vezes, um pouco por todo o lado, levados pelos frequentadores das redes sociais. O artista tem uma mensagem bastante politizada, não se coíbe na crítica social.
É um verdadeiro perigo, mas as penas são leves: dois anos de prisão e 240 dias de multa. Os detidos são na maioria homens e 40 por cento têm idade entre os 31 e os 50 anos.
É caso para dizer que a idade não traz juízo, infelizmente. E existem, segundo divulga o ACP, recordistas na matéria. Um homem de 46 anos apanhado a conduzir 60 vezes sem carta. E uma mulher de 58 anos detida 39 vezes sem habilitação legal para conduzir.
O número de portugueses sem carta é mais assustador, se tivermos em conta que o trânsito automóvel foi cortado para menos de metade por causa da pandemia.
Isso resultou num decréscimo de mortes na estrada. Em 2020 foi de 131. Muito menos que os 626 registados em 2019 ou 673 em 2018.
Mas será então uma catástrofe quando o país voltar à normalidade, com tanta gente a habituar-se a conduzir sem carta.
A Ermida de Nossa Senhora da Conceição foi construída pelo povo, por vontade do povo, com o dinheiro do povo.
Quando a igreja não quis reconstruir o edifício, o povo deu-lhe um sentido prático. Foi fábrica de cortiça, foi fábrica de redes de pesca, foi olaria… e quando a dona maria Luísa para aqui veio morar era vacaria, um negócio do senhor Joaquim de Buxos, onde a população se abastecia de leite fresco…
A porta da ermida está pregada e não quisemos arrombá-la. Não valia o esforço. Do outro lado da porta não há nada. Encontrámos na internet uma única fotografia do interior da ermida de Nossa Senhora da Conceição, uma fotografia de 2009 e pouca coisa deve ter mudado desde então no interior da ermida.
foto publicada em 2009 no blog Ruin’Arte
Há notícias da Trafaria desde o reinado de D. Sebastião, mas é até possível que este núcleo urbano seja mais antigo… todo este território é habitado desde tempos pré-históricos. Mas seria bom que se preservasse o que sobreviveu ao tempo… o que, definitivamente, não é o caso da Ermida de Nossa senhora da Conceição.
Afinal somos um país racista e praticante, embora os diáconos de serviço, e que fazem dessa militância uma forma de ganhar a vida e notoriedade, nada terem feito para denunciar a barbárie instalada no litoral alentejano, onde patrões sem escrúpulos exploram trabalhadores imigrantes, muitos ilegais, alguns chegados ali por participação direta de máfias estrangeiras.
Ninguém levantou a voz, ou exerceu o Poder político, para em tempo útil pôr fim a este escândalo social e agora sanitário. A GNR de Odemira nunca viu nada de aparentemente ilegal em tal comunidade, o presidente da Câmara de Odemira está a leste, os sindicatos têm estado a preparar manifestações em Lisboa, o ministro da Administração Interna tem mais que fazer, embora saiba mandar a tropa de choque quando é preciso show-off e fazer propaganda para a esquerda.
Há anos que aquelas estufas destroem o ambiente, as terras, o cultivo biológico da zona, mas os ministros da agricultura ignoraram o perigo para o ambiente e a economia daquelas estufas, como continuam a marimbar-se nos olivais intensivos plantados no Alentejo, para os espanhóis secarem as terras e levarem os recursos de Portugal. Os “Mamadous” desta vida preferem a vida confortável, paga com os dinheiros públicos, e fazerem foguetório com manifestações coloridas e de que as televisões gostam.
Uma vez que a tragédia sanitária foi impossível de esconder, desmascarado que foi o governo ao ter descuidado o controle dos trabalhadores, das condições sociais, salariais, ao ter permitido que várias ilegalidades graves não tivessem sido detectadas a tempo, não esteve com meias medidas. Usando da violência revolucionária à PREC, agora com mandado assinado pelo governo, requisitou propriedade privada, também elas de discutível existência, invadiu aquilo de quem era particular, fez tábua rasa dos direitos e liberdades constitucionais, usando uma requisição burocrática.
O povo de esquerda fica satisfeito. Afinal o governo socialista actuou e pôs em marcha uma medida coletivista que agrada e faz calar a esquerda festiva. Já um recente decreto que permite expropriar imóveis em Lisboa foi aprovado sem ai nem ui de ninguém. Chegados aqui, só nos resta voltarmos ao espírito da Alameda de 75 e dizer como Mário Soares o fez, que a cegueira revolucionária não passará. Só é preciso que os portugueses saiam de vez do confinamento político, há anos encafuados no sofá do esquecimento.
O 25º quesito do inquérito distribuído a todos os párocos após o terramoto de 1755 rezava assim: «Se a terra for murada, diga-se a qualidade de seus muros; se for praça d’armas, descreva-se a fortificação; se há nela ou no seu distrito algum castelo ou torre antiga e em que estado se acha ao presente». E o Padre Manuel Marçal da Silveira foi perentório: «… se responde que não tem muros». Não teria?
Os muros de Cascais
Sim que há muros em Cascais, como os há em todas as terras, que peritos em os erguer são sempre os seres humanos. Deitou-se um abaixo em Novembro de 1989; mas, recentemente, um presidente clamava que, desse por onde desse, ele mandaria erguer um para que ninguém o saltasse. Não teve, porém, oportunidade de cumprir o desiderato.
Direi que dos «muros» concretos de Cascais, há dois tipos que particularmente me agradam: os valados de pedra solta, bem protegidos pelas silvas e abrunheiros silvestres, que ainda se vêem pela Cascais rural, de Birre até à Areia, por exemplo, e nos terrenos que restam sem construções nesse interior; e, em ambiente urbano, as paredes altas sem janelas e mesmo muros de vedação de quintais antigos, painéis benquistos pelos artistas urbanos – e passearmos pelo Bairro da Torre é ocasião de maravilha.
Duns e doutros não teria que falar o prior e o que ele quis dizer foi que não se comparava Cascais com uma Óbidos ou Évora ou Elvas ou Almeida, povoação todas elas protegidas por muralhas. Em Cascais, bem depressa a população saíra do recinto amuralhado e se espalhara quer para norte, quer para um lado e outro da Ribeira das Vinhas. De facto, dois templos – a Igreja de Nossa Senhora da Assunção (a igreja matriz) e a Igreja dos Navegantes – marcariam como que os pólos de atracção de tão remotos tempos. E, ainda hoje, nos sentimos ‘medievais’ ao percorrer essa teia de ruelas entre as duas…
Sim, muralhas propriamente ditas não as haveria; subsistiam, contudo, no seu tempo, os restos do antigo castelo, de que é bem conhecida a gravura de Jorge Brau Agrippinensis, de 1572; por isso, mais adiante, ao responder ao quesito 27º, «e tudo o mais que houver digno de memória», não se esquece de o referir:
«Nesta freguesia há um castelo, cujo hoje está cheio de moradores e para nada serve mais; porém, ainda se lhe conservam algumas ameias, cujo fica para a banda da Ribeira, pegado com os palácios dos Marqueses de Cascais».
Poderia, naturalmente, não se ter apercebido das paredes subsistentes ao cimo da actual Rua Marques Leal Pancada, já então integradas nas construções; e refere-se, portanto, às que hoje vemos até metade dessa rua, com a respectiva porta.
A Cidadela na descrição do senhor prior
Aproveita, pois, o Padre Marçal da Silveira essa resposta para fazer miúda descrição da Cidadela, referindo, antes, a existência de uma «praça de armas com um regimento de infantaria e seus cabos majores», assim como da Fortaleza de Nossa Senhora da Luz, erguida no tempo do Senhor Rei D. Manuel e que, com o terramoto, muitas ruínas sofreu «em todas as obras interiores e quartéis, não sentindo nas suas muralhas e batarias ruína alguma».
A sua atenção vai, de facto, para a Cidadela, mandada fazer por el-rei D. João IV. Trata-se, como se sabe, de uma das fortificações que este rei deliberou erguer por toda a costa desde as faldas da Serra de Sintra, no intuito de defender Lisboa de mais uma arremetida espanhola, uma vez que fora precisamente por aí, perto da Guia, que as tropas de Filipe II haviam penetrado em território nacional.
O que não deixa de ser curioso é verificar que o prior assinala ter sido essa Cidadela «mística com a dita fortaleza» de Nª Srª da Luz, explicando que tem uma bataria sobre a ribeira, sendo, pois, de servidão para a fortaleza; que pega com suas muralhas outra bataria para a parte do mar e se estende, pela parte de terra, até perto da ermida de S. Sebastião, vindo a fechar «com a porta para defronte da igreja matriz desta freguesia de que sou reitor». «Mística» – a leitura do manuscrito parece, de facto, estar correcta – terá, por conseguinte, o significado de «unida», «bem arrumada», «bom complemento». Uma completava bem a outra.
Tem a Cidadela mais de 30 peças cavalgadas de bronze e de ferro e muitas mais que não estão cavalgadas por falta de reparos. ‘Cavalgadas’ quer dizer montadas no seu suporte. Refere depois que tinha um hospital e uma cisterna própria, assim como a cisterna grande, no meio da praça, «fundada em nove colunas».
Esta cisterna foi completamente limpa e restaurada ao tempo do Coronel Loureiro dos Santos, comandante do aquartelamento de 1978 a 1980, transformando-a em mui bonita e acolhedora Sala de Armas, em jeito de pequeno museu de artilharia, porque tinha, por exemplo, os galhardetes dos destacamentos de artilharia portugueses, a imagem de Santa Bárbara e, ao descer a escada de acesso, tínhamos pela frente a imagem de Santo António, réplica da que acompanhara o cascalense Regimento 19 de Infantaria que bravamente combateu, sob sua protecção, na batalha do Buçaco. Aí se chegaram, pois, a realizar iniciativas de índole cultural, na medida em que o ambiente para tal era deveras propício. Na actualidade, a cisterna está afecta à pousada e deixou, por isso, de poder estar habitualmente ao serviço da comunidade.
Não se esqueceu o prior de um pormenor que sempre suscita curiosidade aos visitantes: os nomes dos quartos dos soldados – S. António, S. Catarina, S. Luís, S. Pedro. As placas identificativas mantêm-se e, no aproveitamento hoteleiro que a Cidadela teve, continuam a ser quartos. Ao todo, seriam 88 ‘quartéis’, que o terramoto destruiu – conta o reverendo. Com ele caíram também quase todas as guaritas.
Dois outros pormenores, com que termina a descrição, merecem destaque:
«Tem seus fossos, ainda que não podem receber água do mar. A referida Cidadela, do cordão para cima, está ainda imperfeita, pois lhe faltam os parapeitos em a altura necessária e as canhoeiras segundo a arte da Arquitectura Militar».
Dá, pois, impressão de que a ideia original seria que a água do mar pudesse entrar pelos fossos que rodeiam as muralhas, criando assim mais um elemento de defesa. Quanto à ‘imperfeição’ do amuralhado, louve-se a perspicácia do prior.
Da inexistência de ‘muros’ passámos, por conseguinte, para a apreciação de um dos monumentos mais emblemáticos de Cascais, a sua Cidadela. Plena de história ela está, mormente por os seus militares terem desempenhado importante papel ao longo dos séculos, não tendo sido de menor monta o contributo dado para a Revolução de Abril.
A sua história está feita. «A Cidadela de Cascais (Pedras, Homens e Armas», do Coronel António José Pereira da Costa, livro publicado pela Direcção de Documentação e História Militar (Estado-Maior do Exército) constitui, sem dúvida, a mais completa síntese acerca dos mais de 360 anos de vida da fortaleza.
Morreu? Não! Entregue, de certo modo, à população, ainda que concessionada na sua exploração económica, recebe amistosamente quantos nela desejem passar uns bons momentos, passear-se pelas muralhas, dali admirar o oceano, saborear um acepipe ou ler um livro. O que foi a parada continua a ser mui agradável sala de estar e há espaço bastante para se manter o distanciamento social. A capela de Nossa Senhora da Vitória abre de vez em quando; o Museu da Presidência merece uma visita.
E se, assim que se entra, vemos as antigas bombas de gasolina que abasteciam as viaturas militares, essas mesmas bombas, assim solitárias de um passado glorioso, clamam a necessidade de, num recanto qualquer, por ali, alguém se lembre de preparar uma exposição, por pequena que seja, evocativa desse passado. Quisemos, em devido tempo, que isso fosse condição sine qua non para quem pegasse no empreendimento. A nossa voz não foi suficientemente forte para se ouvir. Pode ser que, um dia destes, quando a História vier a ser mais prezada, esse recanto de história venha a ser realidade. Se na cisterna sob a parada era, não tenho dúvidas, oiro sobre azul!
Foi um restaurante, uma construção de raiz com uma arquitetura bastante interessante. A frente arredondada acompanha a curva da estrada e possibilita uma ampla entrada de luz, a possibilidade de se ver tanto o nascer do dia como o pôr do sol…
Construído em 1948, o restaurante adquiriu o nome da propriedade (Quinta da Boa Viagem), a quinta parece estar igualmente abandonada, mas se assim for é um abandono mais recente porque há notícia de ter sido explorada até à década de 1980.
O restaurante Boa Viagem encerrou muito antes, em finais da década de 60 ou início dos anos 70, terá sido um negócio mal gerido, não se vislumbra outra razão para ter encerrado.
Estranho é não ter sido vendido, porque estamos a falar de um edifício que era uma joia arquitetónica, num local privilegiado, encostado à floresta de Monsanto, paredes meias com o Estádio Nacional, ampla vista de mar…
O tempo ajudou a tecer histórias fantasiosas de fantasmas e maldições, mas é evidente que nada disso tem base real… embora digam que existem cavernas no subsolo do edifício, por debaixo das caves onde se armazenava a garrafeira do restaurante…
Há quem firme, de resto, que toda a propriedade foi vendida em meados da década de 90, mas se foi assim, quem a comprou nada fez por ela. Talvez estejam à espera que valorize ainda mais, e se na verdade se concretizar o projeto que está previsto para a foz do Jamor, estes terrenos passarão a ser mais apetecíveis para o negócio da construção de apartamentos e centros comerciais… embora, olhando bem, a quinta encontra-se num vale, dito de outra maneira, um leito de cheias.
comentários de leitores do blog Ruin’Arte que publicou uma foto reportagem sobre este local há cerca de 10 anos
O programa “Cristina ComVida” é apresentado como uma “ideia original” de duas pessoas, uma das quais a própria Cristina Ferreira, embora não se perceba bem onde está a “ideia” digna de destaque, uma vez que se trata de um programa vulgaríssimo, sem qualquer aspecto digno de nota, susceptível de o classificar como “original”.
Aquilo vive do improviso, de conversa da treta entre a apresentadora e uns cozinheiros que por lá vão passando (com a particularidade de quase nunca ficarmos a conhecer as receitas), assim como dos diálogos com o humorista Eduardo Madeira e com uns ilustres desconhecidos destituídos de qualquer característica de relevo, seja o catraio que gosta de dançar, a mulher das flores ou os gémeos com quem a apresentadora travou conhecimento no “Apanha se Puderes”.
Mais interessantes, as conversas com a fadista Mariza, a propósito do filho que sofre de défice de atenção, com a “Pipoca Mais Doce”, com o dançarino deficiente ou com a actriz Maria do Céu Guerra. E aqui, há que reconhecê-lo, Cristina Ferreira revela alguma preparação para as conversas, além de deixar cair o tom histriónico que é a sua imagem de (má) marca. De notar, porém, que as conversas com a actriz Maria do Céu Guerra ou com a “Pipoca Mais Doce” decorrem da presença de ambas na antena da TVI. A mulher não dá ponto sem nó, como se vê, aliás, pelos rodapés, permanentes, onde se lê “Festa é Festa tem o melhor resultado desde a estreia!”
O que falta ao programa, assim como aos outros programas das manhãs e das tardes, são convidados que surpreendam. Sim, o País é pequeno, todos o sabemos. Mas há-de haver por aí muita gente interessante. Ponham a produção a trabalhar como deve ser. E o que se aplica ao “Cristina ComVida” também se aplica aos programas de informação do chamado “prime time”, com convidados que vão circulando regularmente de dois em dois anos. São sempre os mesmos, mete dó. Miguel Sousa Tavares tem arriscado e tem conseguido entrevistados fora da caixa interessantes, como aconteceu, há dias, com o produtor de vinho Pedro Garcias.Ora, sendo mais do mesmo, o “Cristina ComVida” não consegue impôr-se e suplantar o programa de Fernando Mendes, recordista de audiências na faixa horária 19h/20h há muitos e muitos anos.
Por falar em audiências, o “Jornal das 8” (TVI) deixou de constar do top dos programas mais vistos. Costumava andar entre os 5 mais vistos, mas, de repente, deu-lhe um treco e desapareceu. Resultado, eventualmente, da informação “popular” a que a TVI se tem dedicado ultimamente. Anda, agora, a fazer concorrência à CMTV. É outro campeonato. Menor, resultado da despromoção que a TVI infligiu a si própria.
Nuno Santos (director-geral da estação), continua calado como um rato. No que respeita à programação, ter-lhe-ão sido retirados, temporariamente, todos os poderes. Não lhe podem, nesta matéria, imputar responsabilidades, pelo que continuará com a fezada de que Cristina Ferreira se vai espetar. O mesmo não se poderá dizer da Informação. Toda a estrutura hierárquica é dele. Tal como a política editorial. Tal como está, a TVI não vai lá.
(O autor também publica esta crónica no Jornal de Barcelos)
Há 30 anos, uma família com uma criança de tenra idade viveu nas traseiras da RTP, dentro de duas caixas de cartão. Mas ainda havia quem fizesse contas às moedas que o homem, arrumador de carros, pedia para sustentar a família. Não tinham nada, nem casa de banho, nem água ou comida para o bebé. E os jornalistas o que disseram? Nem uma palavra.
Também por lá esteve, durante dois anos, um homem bem posto que montou uma casa. Tinha sala sem tecto, cozinha sem fogão ou máquinas. O quarto era um saco cama. Tudo a fingir. As flores da jarra eram verdadeiras. Daninhas! A polícia espezinhou-lhe a casa várias vezes. E os jornalistas o que fizeram? Nem uma imagem.
Outro homem também ali viveu uma dezena de anos. Deambulava pela Avenida 5 de Outubro. Era gordo de tantos bolos que lhe davam.
Confesso ter hoje um terrível sentimento de culpa. O indomável Batista Bastos disse-me: “os jornalistas são uns merdas, às vezes”, porque fazem “jornalismo de precaução”. Deixamo-nos enredar pela multidão do Fado, Fátima e Futebol.
Há três anos eu ía fazer imagens dos frigoríficos do Oeste, cheios de vietnamitas. Propriedade de um empresário que deveria honrar o pai. E não fiz. “Queres mais um processo?”. “Os jornalistas são uns merdas” quando recuam.
Notícias de 2016 dão conta de que Bernardo Moniz da Maia perdeu um avião e um yacht no valor de 37 milhões de euros, arrestados nos Estados Unidos a pedido do Novo Banco por este não pagar o crédito obtido para os comprar. Deve-se ter esquecido…
Esquecimentos todos temos, como é evidente, mas Moniz da Maia abusa, como ficou patente na sessão da Comissão de Inquérito Parlamentar aos créditos malparados do BES/Novo Banco, onde não se lembrou de quase nada…
Bernardo Moniz da Maia tem uma dívida superior a 550 milhões de €, dinheiro que pediu em nome de empresas suas ao Banco Espírito Santo. Dívida que nunca pagou e que ajudou a alargar o buraco financeiro que o Novo Banco herdou. Dívida impagável, a não ser que sejamos nós, o povo, a pagá-la. É o que está a acontecer.