Fazemos os possíveis para não enganar nenhum leitor. Hoje não poderia ser de outra forma. Estamos cansados de tentar distinguir entre o que é notícia e o que é engano, diariamente. Por isso, hoje não tem sido um dia diferente. Nem para os que fazem de todos os dias “1 de abril” nem para os que não comemoram fantochadas.
A PRINCIPAL CAUSA DE MORTE É…
Mais do que o sobe e desce diário dos índices da pandemia, importa olhar para a soma dos números. Por exemplo, ontem registaram-se 29 óbitos atribuídos ao covid-19. Hoje, foram 20. Ou seja, em dois dias morreram 49 pessoas com esta doença pandémica, segundo a DGS.

O número é pesado, sem dúvida. Mas, neste momento, a covid-19 não é a principal causa de morte em Portugal. No site do Instituto Nacional de Estatística (INE) encontrámos dados relativos a 2019 que nos dizem serem os acidentes vasculares cerebrais quem mais mata em Portugal. Mais do que cancros ou doenças como a diabetes.
O INE diz que em 2019 morreram 10.975 pessoas com acidentes vasculares cerebrais (uma média a rondar as 30 mortes diárias), pelo que a covid-19 não anda longe de voltar a subir ao 1º lugar deste ranking macabro.
Dizem que temos de aprender a viver com esta nova doença. Mas isso não significa abandalhar as medidas preventivas. Viver não é morrer.
O PADRE VENCEU O ALMIRANTE
O almirante Gouveia e Melo cedeu em toda a linha às pressões para não expulsar o capelão Licínio Luís da Marinha. Não foram apenas os movimentos subterrâneos no meio castrense, as redes sociais, o Naval Zero. Foi também, por certo, a Igreja Católica e, segundo se afirma abertamente nas redes sociais, um telefonema do Presidente da República.
Assim, a Marinha já anunciou o regresso do capelão, colocado agora na Base Naval de Lisboa. O anúncio foi feito durante uma visita do Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA), almirante Gouveia e Melo, ao campo de Pinheiro da Cruz, Grândola, onde a força de fuzileiros realiza um exercício militar.
Na ocasião, foi celebrada uma missa campal de sétimo dia “de homenagem ao agente da PSP Fábio Guerra, pelo Bispo das Forças Armadas, D. Rui Valério, e do Capelão Chefe da Marinha, capitão-de-mar-e-guerra Ilídio Costa”. Uma demonstração de força da Igreja Católica.
O CASO EM RETROSPETIVA
O agente Fábio Guerra morreu no passado dia 21 de março devido às “graves lesões cerebrais” sofridas na sequência das agressões de que foi alvo no exterior de uma discoteca, sendo que dois dos alegados agressores são fuzileiros da Marinha, que estão em prisão preventiva.
O capelão Licínio Luís tinha sido exonerado na sequência de críticas públicas dirigidas a Gouveia e Melo, depois de o CEMA ter proferido uma intervenção dura para com o corpo de fuzileiros, ao declarar que não quer “arruaceiros” na Marinha, nem militares “sem valores”.
Com o recuo do CEMA, nada garante que os “arruaceiros” e militares “sem valores” não se sintam encorajados a permanecer tal e qual.

CAPELÃO DA MARINHA “PROFUNDAMENTE ARREPENDIDO” PEDE DESCULPAS
A exoneração do capelão da Marinha está a ser bastante criticada no bas-fond castrense. Nas redes sociais (onde mais poderia ser?) grupos anónimos de militares criticam o Chefe do Estado Maior da Armada.

“Ditador” é o mimo que lhe prestam em afirmações como, por exemplo esta da qual fazemos copy-past, “A Marinha de Guerra Portuguesa está perante a ascensão de um ditador que não olha a meios para atingir os seus objetivos! Desta vez a vítima de abuso de poder foi o Padre Licínio Luís, Capelão na marinha a vários anos foi exonerado por enfrentar e ir contra as afirmações públicas do Almirante Gouveia e Melo no caso que vitimou o agente da PSP” (sic).
A guerra entre defensores e atacantes do almirante Gouveia e Melo desenrola-se nas caixas de comentários. Uma guerra onde não se fazem prisioneiros.


Estes grupos anónimos são, de um modo geral, os mesmos que se opuseram aos programas de vacinação anticovid e são os mesmos que se opõem às políticas do Governo de António Costa. São grupos de propaganda política da direita e extrema-direita e que, assim, cumprem o seu programa de doutrinação.
No Facebook há “grupos de apoio” ao capelão Licínio Luís que, além de alinharem na desculpabilização dos fuzileiros que participaram na rixa que levou à morte de um agente da PSP, preocupam-se mais em achincalhar o CEMA, onde se podem ler coisas do género (copy-past) “O Sr. Comandante Gouveia e Melo como representante que é, da instituição grandiosa que é a Marinha, deveria singir-se humildemente a apoiar os seus militares. Com honra! Coisa que até agora, pouco demonstra… O seu desempenho, populista mostra fracas competências como representante da marinha” (sic).

A pressão é enorme, são muitas as mensagens de apoio e solidariedade com o padre Licínio Luís, de tal modo que já foi notícia o almirante estar a ponderar a readmissão do capelão.
Houve já um encontro entre Gouveia e Melo e Licínio Luís, o capelão terá demonstrado arrependimento profundo e pedido desculpas pelo que escreveu no Facebook. Para já continua exonerado. Mas o CEMA é bem capaz de se deixar convencer a voltar atrás na decisão de o expulsar da Marinha.
O INIMIGO CONTRA-ATACA
E quando todos pensavam que os mísseis russos tinham dado cabo do coronavírus e respetivas variantes, eis que a Direção Geral de Saúde volta a publicar dados diários sobre a pandemia. Ontem, a DGS registou 29 óbitos atribuídos ao covid-19.
A pandemia continua bastante ativa. Em 24 horas registaram-se mais 12.020 casos.
O último relatório epidemiológico semanal foi divulgado na passada sexta-feira e dava conta de 137 óbitos e 75.275 novos casos, registados na passada semana, em todo o país. Este tipo de relatório era demasiado vago e não dava a evolução diária da pandemia e os especialistas criticaram a DGS dizendo que os relatórios semanais eram inúteis em termos de definição de estratégias de combate.
Agora, passa a estar disponível uma folha excell no site da DGS com a informação diária. Sabemos assim que dia 30 se registaram 29 mortes e, se somarmos os dados dos últimos 7 dias (156 mortes) ficamos com a média da semana que é de 22 mortes diárias. Ou seja, continua a morrer muita gente.
O BALDE NA CADEIA
Até ao final do Século passado, nas nossas cadeias, algumas celas não dispunham de casa de banho, nem instalações sanitárias, pelo que, aos reclusos, eram dados baldes para eles usarem como sanita e com a obrigação de os despejarem, e lavarem, na manhã seguinte. O referido apetrecho tinha o extraordinário nome de “balde higiénico”!
A pouco e pouco as celas foram sendo munidas de sanitas acabando com aquela vergonha. Para nosso espanto, todavia, o balde “higiénico” regressou.
Um recluso do Estabelecimento Prisional de Chaves necessitou de ser transferido, por razões de saúde, para o Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo. Onde chegou a 10 de Março.
Foi colocado numa cela sem cama (dorme no chão), sem lavatório nem sanita. Foi-lhe dado um exemplar do balde “higiénico” (talvez trazido do Museu da Direcção-Geral dos Serviços Prisionais).
Até hoje, e apesar das diligências do recluso e da APAR, a situação mantem-se. Ou seja, há um português (pelo menos) que, estando preso à guarda do Estado, tem que habitar numa cela com as condições acima descritas. Dormindo toda a noite numa cela ao lado de um balde com os seus próprios dejetos.
É sabido que a maioria das nossas cadeias são espaços de terceiro mundo, que deveriam envergonhar os cidadãos que sonham por um país moderno e democrático, onde os Direitos Humanos sejam respeitados, mas, ainda assim, há situações que ultrapassam todos os limites.
MORTE DE FÁBIO GUERRA, as investigações
As investigações policiais para a identificação e detenção de todos os envolvidos na morte do agente da PSP Fábio Guerra prosseguem. Hoje julgamos saber que a Polícia judiciária já interrogou várias testemunhas oculares das agressões que ocorreram na via pública. Este processo está agora sob rigoroso sigilo e todas as pessoas que estão a testemunhar estão a ser protegidas no âmbito da lei de proteção de testemunhas.
Portanto, os indícios apontam inequivocamente para uma culpa coletiva. Ou seja, não importa muito saber com exatidão quem desferiu o golpe fatal. Primeiro, porque pode até ter havido mais do que um golpe fatal. Depois, porque a culpa pela morte de Fábio Guerra pode e deverá ser partilhada por todos os elementos do grupo que o agrediu.
Assim, o que a PJ está a tentar definir é a identificação dos membros do grupo agressor. De todos eles. Para já, como sabemos, há dois detidos preventivamente (os dois fuzileiros da Marinha) e um terceiro que anda a monte e que não é militar. Mas pode haver outros. Esperamos por mais notícias nos próximos dias.

GOUVEIA E MELO DEMITIU CAPELÃO DA MARINHA
A tropa não é uma democracia e o Almirante Gouveia e Melo nem hesitou em demitir o capelão que se atreveu a criticá-lo pelo discurso que fez no rescaldo do assassinato do agente da PSP Fábio Guerra.
Dois dos suspeitos são do corpo de Fuzileiros e o Almirante disse, nesse discurso, que não quer arruaceiros na Marinha.
O padre Licínio Luís esqueceu-se que, sendo capelão da Marinha, depende hierarquicamente do Chefe do Estado Maior da Armada, o Almirante Gouveia e Melo.
Talvez o principal problema tenha sido a crítica pública. Na tropa as quezílias costumam resolver-se nas casernas. Quando a coisa transpõe a porta de armas, está o caldo entornado.
Além disso, o capelão considerou natural o sucedido, a rixa de rua em que os fuzileiros participaram, nada que surpreenda quem saiba o que é ir para os copos à noite até às seis da manhã. Talvez o capelão devesse acompanhar a rapaziada quando vão para o Cais do Sodré à noite.
Capelão da Marinha Portuguesa há mais de 25 anos, o padre usou o Facebook para censurar a intervenção de Gouveia e Melo. “Os jovens estavam a divertir-se e foram provocados. Um deles é campeão nacional de boxe, no seu escalão, foi atingido à falsa fé e reagiu. Quem não o fazia. É selvagem por isso? O senhor Almirante nunca foi para a noite? Nunca bebeu uns copos? Juízo com os nossos julgamentos”, escreveu o padre, numa espécie de absolvição dos suspeitos.
O padre parece conhecer bem o rebanho, mas esqueceu-se do lobo.
NEGOCIAÇÕES DE PAZ ENTRE A RÚSSIA E A UCRÂNIA
A Ucrânia e a Rússia voltaram a enviar delegações para negociar o cessar-fogo. Na delegação russa está Roman Abramovitch, o milionário que também tem a nacionalidade portuguesa.
Para já, surgiu alguma esperança de se chegar a um acordo, uma vez que, segundo a agência de notícias Reuters, a Rússia terá aceite parar o avanço das tropas, tanto em Kiev como no norte, enquanto a delegação ucraniana aceitou a imposição de um estatuto de neutralidade que, evidentemente, ainda não foi estruturado.
O papel que Abramovitch desempenha nestas negociações não está claro. Ele não se senta na mesa dos negociadores, mas está na sala. Não discute, mas toma notas. A Reuters cita fontes diplomáticas que admitem que Abramovitch consegue estabelecer várias pontes entre a Rússia e países como, por exemplo, Israel, o Reino Unido, a própria Ucrânia e a Turquia, país que anunciou não alinhar na perseguição aos chamados oligarcas russos. Dois dos super yatchs de Abramovitch estão em portos turcos.



Quanto ao alegado envenenamento que foi profusamente propagado pelos media, parece que não se confirma…
Acordeões do Mundo
O acordeão é um instrumento musical extremamente popular. Não pelo número de praticantes, mas pelo gosto em ouvir o som que dele se extrai. É um instrumento para dar música ao povo em bailes e festas populares. Mas, também, em festivais internacionais de música, como acontece em Torres Vedras.








