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Morreu um cantor

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Morreu esta madrugada Carlos do Carmo. Talvez tenha sido o primeiro falecimento do ano de 2021. O Panteão nacional espera-o, assim queiram os políticos. Foi um dos mais reconhecidos, premiados e aclamados fadistas de sempre. É uma figura nacional, no sentido em que todos o conhecem e lhe reconhecem valor. Não cantou apenas Fado. Como cantor, participou no Festival da Canção e representou Portugal no 21ºFestival da Eurovisão, realizado na Holanda, com “Uma Flor de Verde Pinho”.

Supermercados com práticas ilegais em prejuízo do consumidor

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Terá sido certamente por denúncia que a Autoridade da Concorrência deu inicío em 2017 a uma investigação sobre concertação de preços que terminou com a aplicação de uma multa de 304 milhões de euros repartidos por várias cadeias de supermercados.

O complot foi levado á prática pelo Continente, Pingo Doce, Sociedade Central de Cervejas, Auchan, Intermarché, Lidl, Primedrinks e E.Leclerc e destinou-se a aumentar artificialmente e concertadamente os preços de diferentes bebidas.

A Autoridade da Concorrência chegou à conclusão que estas empresas concertavam “de forma indireta, os preços de venda, uma prática prejudicial aos consumidores”. As empresas concertavam os preços através dos contactos com o fornecedor comum, subindo assim os preços de venda ao público, e não havendo “contactos diretos entre si, como acontece habitualmente num cartel”.

Em causa estão os preços de venda ao público de bebidas como, por exemplo, cerveja Sagres, Heineken, Água do Luso, gin Hendrick’s, vinho do Esporão, aguardante Aveleda, vodka Stolichnaya ou whiskies como The Famous Grouse e Grant’s.

Esta investigação começou e 2017 e teve acesso a emails que demonstram a prática. Por exemplo, segundo a Autoridade da Concorrência, um deles, proveniente da Central de Cervejas dizia: “É exatamente esse o objetivo. Aumentar preços!! Keep going!!”. Para além destas comunicações tornarem evidente o objetivo, também revelam que “os visados demonstravam igualmente ter consciência da prática ilícita”. Noutra mensagem é pedido que “destruam” o conteúdo das mensagens e “que passem (reforcem) a mensagem verbalmente”. Para além disso, “devem tb [também] ter cuidado com toda a documentação escrita, seja ‘prints’ de mails sejam notas de reuniões”.

Segundo a Autoridade da Concorrência, as cadeias e os fornecedores “monitorizavam as lojas que se afastavam da prática, pressionando para que todos praticassem o mesmo preço”. Num email relativo a estas pressões, pode ler-se que duas lojas específicas “não estão a seguir” as linhas orientadoras dos fornecedores. Moral da história: ficar rico mais depressa dá imenso trabalho.

Covid-19: “Natal aliviado, Ano Novo carregado” (de covid)

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“Natal aliviado, Ano Novo carregado” (de covid) pode ser um novo ditado popular, se o povo o quiser adotar. A verdade é que uma semana depois dos convívios familiares autorizados e encorajados, hoje os números divulgados no boletim epidemiológico da Direção Geral de Saúde mostram um record absoluto em novas infeções com 7.627 casos. Aumentando o número de doentes, dentro de alguns dias vamos ter nova subida no número de mortes. Hoje, há o registo de 76 óbitos nas últimas 24 horas.

Desde o início da pandemia da COVID-19, a doença matou 6.906 pessoas em Portugal. Amanhã ou depois, ultrapassaremos o os 7 mil mortos. Em menos de um ano. E há quem diga que isto é tudo “inventado”.

Em todo o território nacional, há 2.840 doentes internados, menos 56 que ontem, e 482 em unidades de cuidados intensivos (UCI), menos cinco do que na quarta-feira. Mas também estes números irão ser influenciados, certamente, pelo aumento de novos casos de infetados. Daqui a uns dias poderemos constatar se assim é.

PSP e GNR, duelo em Évora

Quando Manuel Bancaleiro escreveu no Duas Linhas sobre o sistema dual de segurança que vigora em Portugal, “ situação aberrante, que teima em persistir quase meio século depois de instaurada a Democracia em Portugal”, estávamos em 26 de novembro e longe de imaginar que o absurdo estava prestes a acontecer.

Forças da PSP e da GNR defrontaram-se (sem chegar a vias de facto, felizmente) por uma questão de jurisdição territorial, certamente, quando uma viatura que transportava vacinas contra o covid-19 se preparava para sair do Hospital de Évora.

O comissário que chefiava a força policial em Évora deu ordem para que a GNR abandonasse a viatura e a fosse receber apenas no limite da área de jurisdição da PSP. E esta confusão aconteceu apesar de haver orientações claras sobre o papel de cada uma das forças de segurança em causa, no que respeita à segurança ao transporte das vacinas.

Este é o facto da semana merecedor do cartoon de Hélder Dias.

E Bairro do Rosário, porquê?

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Perguntava eu, outro dia, aos leitores de Cascais se saberiam donde vinha a palavra Crismina. A questão fora-me posta por uma colega e eu não soube responder. Sempre ouvi falar de -Crimina. Sei de cor, desde puto, o que está na tabuleta: «CRISMINA / EM REGIME FLORESTAL / DECRETO DE 20-6-1906 / É PROIBIDO CAÇAR». Nunca me perguntei, porém, o que é que o nome queria dizer; ou melhor, por que razão haveriam dado esse nome àquela extensão de terra, fundamentalmente dunar, que separava a Marinha da orla do Guincho. Marinha compreende-se: é o que está perto do mar. Agora, Crismina!…

Encontrei – e houve quem também tivesse encontrado e mo comunicou – um suposto masculino, «crismino», indicado como termo tipicamente algarvio (eu nunca o ouvi, confesso!), para qualificar uma «espécie de pêssego suculento e grande». E há igualmente quem se chame Crismino.

Portanto, por agora, de Crismina nada se sabe. A curiosidade radica no facto de termos clara a ideia de que a atribuição de um topónimo – topónimo é o nome de um lugar, palavra composta de dois vocábulos gregos: τόπος («tópos»), que significa ‘lugar’, e όνομα («ónoma»), que significa ‘nome’ – está intimamente ligada a uma história. Nisso, os Árabes foram mestres: sítio era arenoso? Chame-se-lhe Areia ou Areal; avia por ali muitas videiras? Então, é Alvide!…

Vêm estas considerações gerais porque pode perguntar-se a razão por que se deu a um bairro a noroeste da vila de Cascais o nome de Rosário. ¿E terá rosário a conotação religiosa, aquela oração de três terços, sendo cada terço uma série de dez ave-marias com um padre-nosso e um glória de permeio, mais três ave-marias e a salve-rainha no fim? ¿Ou será, antes, simbolicamente, uma sequência, por exemplo, de colinas ou de serros, de que pudéssemos dizer assim «é como um rosário, uns atrás dos outros»?

Não parece lógica esta última hipótese, por se tratar de zona relativamente plana, onde o pinheiro era a árvore dominante. O certo é que foi esse o nome que a Câmara lhe deu, quando, em meados do século XX, a pacata vila cascalense deu em se expandir. Sabemos que todas as suas ruas têm nomes de navegadores, o que parece uma contradição, pois o Bairro Navegador fica para as bandas das Fontainhas e a Igreja dos Navegantes em pleno centro histórico da vila. Assim se pensou, assim se fez, mais para dar uniformidade às designações, numa altura em que havia Comissão Municipal de Toponímia, que decidiu dar nomes de flores aos arruamentos de Birre, de escritores aos do Bairro da Pampilheira, de santos aos da Areia… Hoje, nesse aspecto, a desordem é total e chega a haver duas ruas Eça de Queiroz na freguesia de Cascais, paredes-meias, até, em Murches, com uma terceira, já na freguesia de Alcabideche…

Vamos, então, à história que subjaz à atribuição do nome de Rosário a esse bairro a noroeste da vila. É que houve por ali uma igrejinha em honra de Nossa Senhora do Rosário. De acordo com o que se conhece dos limites da cerca do Convento de Nossa Senhora da Piedade (actual Centro Cultural de Cascais), teria sido edificada mais ou menos onde hoje existe a Rotunda Comendador Joaquim Baraona, ou seja, à saída das ‘terras’ da vila para a estrada que leva ao Guincho.

Não se sabe quando foi demolida. Pedro Borges Barruncho, que escreveu em 1873, dela diz apenas: «Existem as ruínas. Foi cemitério dos coléricos em 1833 e era nesta ermida que antigamente os escravos existentes em Cascais tinham licença de seus senhores para fazerem uma festa anual» (História da Villa e Concelho de Cascais, 1873, p. 48). Por essa altura, ainda o topónimo se mantinha, como pode ver-se na figura que se apresenta, retirada do livro de Ferreira de Andrade, Cascais Vila da Corte, desenhada nos anos 40 do século XIX.

Começámos pelo fim. Importa ir ao princípio, porque temos história para contar. E, claro, recorremos ao relato do Prior de Cascais, de 1758, que, nisto de histórias prodigiosas jamais deixou os seus créditos por mãos alheias!… Uma história muito parecida com a lenda que está na origem da ereção, em Roma, da igreja de Nossa Senhora das Neves (hoje, Basílica de S. Maria Maior), ao tempo do Papa Libério (352–366). Reza assim a de Cascais.

Andava Luís de Barros à pesca com seu barquito nesses cascalenses mares quando a ele se chegaram os piratas mouros. Ficaram-lhe com o barco e a ele levaram-no cativo. Comprou-o um homem, que deu em o espancar todos os dias à paulada, como se de um animal se tratasse.

Não sabendo que fazer à vida nem como sair desta aflição, recorreu Luís de Barros a Nossa Senhora: se o livrasse de tais tormentos e «o trouxesse livre à sua terra», ali Lhe ergueria capela da invocação de Nossa Senhora do Rosário.

Por feliz coincidência, sua mulher, Margarida Lopes, fizera em Cascais promessa igual, pois de todo desconhecia sequer o que acontecera ao marido e por ele muito ansiava.

E o certo é que, tendo-se deitado, numa noite, «cativo carregado de cadeias e pancada», Luís de Barros acordou de manhã «em terra de Cristãos, em Castela, sem saber o como nem quem ali o trouxera». De pronto, assim «tão milagrosamente livre», tratou de empreender viagem para Cascais e, ao encontrar a mulher, dela soube que, «no mesmo dia e na mesma hora», sem saberem nada um do outro, também ela fizera o mesmo voto.

Encetaram, pois, as diligências para dar cumprimento ao prometido, diligências que incluíam necessariamente a autorização papal, que lhes viria a ser concedida pelo Papa Pio IV, que exerceu o seu pontificado de 1559 a 1565. A questão estava agora em saber onde se deveria erguer o templo. Daí que a intervenção de Nossa Senhora não se tivesse feito esperar: em sonhos, disse a Margarida Lopes «que era vontade Sua que a capela se fizesse no caminho que vai para a Guia, onde, no dia seguinte, achasse neve em uma cova». Fenómeno extraordinário, sem dúvida, porque não só não era tempo de nevões como, até pela proximidade do mar, nevar já nesses tempos era mui raro em Cascais.

Encontrado facilmente o sítio com a neve, depressa meteram mãos à obra.

O prior Marçal da Silveira ainda viu o templo. «Não tinha mais âmbito que o que tem hoje», escreveu: a capela-mor junto a uma casinha a servir de sacristia, «tudo em telha vã e muito pobre». Tal não impedia, porém, que tudo fosse tratado «mui asseadamente» e tivesse ermitães, apresentados pelos priores da freguesia da Nossa Senhora da Assunção.

Tendo falecido sem descendência, Luís de Barros e Margarida Lopes legaram os seus bens aos responsáveis pelo templo. É que, entretanto, aí pelo ano de 1645, por iniciativa das Beatas da Ordem Terceira de S. Francisco – ligadas à congregação dos Franciscanos Recoletos do Convento de S. António de Xabregas –foi erigido junto à igreja um recolhimento e as ditas Beatas acabaram por transformar a ermida em igreja, edificando mesmo um coro. Chegou a ter irmandade própria, que, «com magnificência e gasto», anualmente festejava Nossa Senhora, havendo procissão e outras cerimónias religiosas no primeiro domingo de cada mês.

No templo foram sepultados os seus fundadores. O Padre Marçal da Silveira, servindo-se do «Livro 4º dos óbitos da freguesia que começa em 1650, folhas 143, 173 e 174», identifica outras pessoas que ali mereceram repousar. E acrescenta que o terramoto tudo arruinou; contudo, procedeu-se depois dele à reedificação, «mas mais pequena e sem coro».

Falou-se do cemitério dos coléricos. Portugal e a Europa sofreram, no século XIX, três vagas de uma grande epidemia conhecida pelo nome de ‘cólera morbus’ (morbus é palavra latina que significa ‘doença’). A mortandade foi tão grande que se tornou necessário improvisar cemitérios, normalmente em locais afastados do centro das localidades. Assim aconteceu em Cascais, por ocasião da 1ª vaga, em 1833, e também, por exemplo, no ano de 1855, em S. Brás de Alportel, onde se encontraram, além das ossadas, lápides com números esculpidos a identificar as sepulturas.

Não terminamos muito bem, a falar em cemitérios e epidemias (perdoe-se-nos a coincidência com a actualidade); mas, então, como hoje, a esperança mantém-se e acredita-se que haverá sempre Alguém capaz de nos dar as mãos e de nos libertar dos mais atrozes cativeiros, como aconteceu ao pescador cascalense Luís de Barros.

Ricos fazem fortunas com casas do Zé Povinho

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Está à venda por 2 milhões e 900 mil euros um prédio degradado de 4 pisos na Rua das Janelas Verdes. É um mau agouro para a “bazucada” de 15 mil milhões de euros que o BCE nos vai dar de borla. Do prédio, só se salva a fachada. Ou seja, os 200 metros de chão custam aquele valor obsceno. Dividindo por quatro pisos, dá 750 mil euros e ainda não se assentou um único tijolo.  

Este preço em plena crise, sem fim à vista, suscita a pergunta: aquela “massa” é para dar a duas dúzias de grandes proprietários de Lisboa, que depois irão comprar prédios à “fartazana” aos pequenos proprietários ainda sobreviventes? Pois, ficarão mais ricos e, ao mesmo tempo, irão manter os preços obscenos das habitações, que os portugueses são forçados a comprar.

Nunca mais se ouviu falar em aluguer, desde que as casas são vendidas a preços ainda mais obscenos aos brasileiros, russos e chineses por 6 ou 12 vezes acima do seu custo de construção. Depende da zona.

Metade da avalanche de tiras de papel do BCE será para comprar os produtos  do eixo central da Europa (BMW’s, Mercedes e Bimbys). Assim, esses países continuarão a dar trabalho aos seus. E o BCE gosta. A outra metade será para as “famílias” portuguesas de sempre e para os seus políticos amigalhaços. Quem dirige o BCE, não se importa. E nós? Nós andamos com a cabeça no futebol. Vai ser bonito.

Derrocada na estrada N116

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Ao longo de 4 anos a Infraestruturas de Portugal não mexeu um dedo para consolidar a encosta que ameaçava fazer desaparecer a estrada. Na altura, quando surgiram os primeiros sinais de que a encosta estava a deslizar, era uma obra fácil e de rápida execução. Hoje, como se vê no vídeo, a coisa complicou-se e encareceu bastante e é possível que a estrada tenha de ficar cortada durante muito tempo, com os prejuízos inerentes para quem vive e trabalha na zona ou tem de circular por ali.

Entrevistas frente-a-frente

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A RTP decidiu criar um novo estilo de entrevistas, conduzidas por Adelino Faria. Foram anunciadas como entrevistas, neste caso aos candidatos presidenciais, mas acabaram por ser mais um confronto entre entrevistador e entrevistados, com contornos inquisitoriais.

Analisado o “frente-a-frente” Adelino Faria-André Ventura, detectámos 164 intervenções do entrevistador, sem contar com a abertura e fecho da entrevista, bem como com algumas interjeições que nem dá para contabilizar. Sem pretensões de rigor absoluto, Adelino Faria ocupou 12′ 28″ da dita “entrevista”. Ou seja, quase metade do tempo destinado ao programa (30′). 

Com Ana Gomes o entrevistador teve um pouco mais de cuidado.  Fez perguntas e interrompeu a candidata por 104 vezes, ocupando “apenas” 7′ 37″ dos 30 ‘ disponíveis.

Adelino Faria é a “estrela” das entrevistas. Pergunta, não dá tempo para os entrevistados responderem, comenta, sorri, por vezes em tom jocoso.  Adopta posturas corporais e faciais, principalmente estas, absolutamente inimagináveis. E lança olhares para a câmara, estilo “vejam como estive tão bem com esta pergunta”. 

Trinta minutos não é muito tempo para ficarmos a conhecer as ideias dos candidatos presidenciais. Há que conferir ritmo às entrevistas, mas, caramba, há que dar tempo aos candidatos para respirarem. O que os telespectadores esperam é conhecer, com algum detalhe, as ideias dos candidatos em matérias cruciais para o futuro do País. Do que se falou, com ambos os entrevistados, ficou tudo pela rama. No caso de Ana Gomes, o caso Rui Pinto ocupou praticamente 8′ dos 30′ disponíveis e não ficámos a saber nada de novo.

Ventura, já sabemos, é uma enguia, mas é um convidado e deve ser tratado com respeito. Ana Gomes, mais rodada e com pavio curto, teve de se conter, principalmente quando se viu obrigada, por mais de uma vez, a corrigir Adelino Faria.

Vamos ter pela frente muitos meses de espetadelas de seringas em todo o tipo de braços. Vai ser um fartote para as tv’s. Preparemo-nos para o pior.

Saúde. Tchim, tchim!

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(som – Jorge Palma, a gente vai continuar – gravação pirata)

O Bruno, a Sara e a filhota Ana publicaram uma foto a fazer um brinde, às seis e meia. Estávamos no início do confinamento e rapidamente muita gente aderiu à ideia: brindarmos juntos, todos os dias, à mesma hora.

Depois de falar com várias pessoas que acusavam já o desgaste e a saturação de estar em casa, resolvi escrever um brinde sobre a morte. Podíamos morrer por causa do maldito vírus, mas também podemos morrer por cair de uma cadeira, escorregar na esfregona do chão, engasgarmo-nos com comida… A morte é única certeza da vida mas apanhana-nos através de múltiplas formas. Pode-se literalmente morrer por nos cair um piano em cima. “Alegria, que todos morremos um dia”, foi o brinde que fiz na altura.

A partir daí, todos os dias escrevi um brinde, tirei uma foto com a originalidade possível e, acima de tudo, escrevi para os outros, para dar alento, fazer brotar um sorriso ou uma gargalhada, para me juntar a tanta gente, bem viva, resguardada em casa. Todos unidos pelo maldito vírus. Escrevi sem medo de dar erros, ser mal entendida, escrevi para os outros e não no registo de autocomiseração que caracteriza os blogues que fui escrevendo e abandonando ao longo dos anos. As seis e meia eram o momento mais importante e feliz de cada dia.

Acabou-se o confinamento, acabou-se o brinde, apareceu o convite do Carlos Narciso para escrever aqui. Um privilégio, uma forma de continuar essa escrita, pela positiva, para os outros e não para os meus botões.

E chegámos ao fim de ano, a festa ex-líbris do brinde mais importante que existe: saúde. Chegámos aqui e, como diz a canção do Jorge Palma, “Enquanto houver estrada para andar a gente vai continuar”, enquanto houver saúde, vamos conseguir vencer o maldito vírus. “Chega onde quiseres mas goza bem a tua rota”, continua a canção. Há esperança para o ano que vem, não vai ser maravilhoso e perfeito, há ainda muita estrada para andar, mas há esperança. Essa é a última a morrer.

E depois há aquela coisa da economia que se desfez em apenas dois meses e parece que vai continuar recheada de desigualdades, de desemprego, de desespero para muitos. Continua a ter muita estrada para andar com o aval da maioria das pessoas.

Já acreditei que o democrático maldito vírus fizesse as pessoas perceberem que são todas iguais, que unidas valem muito, são uma força. A força. Mas, como canta o Jorge Palma, “todos nós pagamos por tudo o que usamos, o sistema é antigo e não poupa ninguém. Somos todos escravos do que precisamos. Reduz as necessidades se queres passar bem”.

E é isso que quero, passar bem. Claro que é triste que todas as regras do fim de ano impeçam a tradicional passagem eufórica, o fogo de artifício, o ajuntamento com quem gostamos, os exageros que vêm por acréscimo, a alegria.

No meu caso, os meus amigos nucleares, com quem costumo fazer um belo jantar e uma noite de copofonia, vão estar distantes, separados por concelhos. Outros estão mais perto, mas as regras ditam que fiquemos separados. À hora a que escrevo, o mais provável é passar em casa com o gato. E não, não fico triste nem me sinto sozinha. Nem eu, nem a minha família, nem os meus amigos e conhecidos foram apanhados pelo maldito vírus. Estamos unidos e, mesmo separados, estamos à distância de um clique ou de uma videochamada.

Quero manter a tradição que cumpro todos os anos. Doze passas para 12 desejos, subir para cima de uma cadeira, sinal que vou subir na vida, deitar dinheiro à rua, sinal que não me vai faltar, bater em tachos e panelas, fazer barulho, pois estou viva. Mas, vistas bem as coisas, o único ritual que interessa é fazer barulho, muito, porque estou viva, tenho casa, comida e bebida e por isso tenho de estar grata, muito grata. Não vou pensar no que me foi retirado neste fim de ano, paciência, há-de haver mais.

Estou grata por não fazer parte das estatísticas horrorosas que todos os dias lemos nos jornais ou vemos na televisão. Nem eu, nem quem amo, “e a liberdade é uma maluca que sabe quanto vale um beijo”.

Há-de chegar o dia em que vou beijar toda a gente, dançar no meio de uma multidão até o sol nascer e queimar as, por agora, necessárias mas tenebrosas máscaras. Até lá, “enquanto houver estrada para andar a gente não vai parar”. Façam barulho, pá!

Feliz Ano Novo! Haja saúde! Tchim, tchim!

Covid-19: mortes e contágios voltaram a subir, Costa desconfinado

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Hoje há mais 79 mortes e 6.049 novos casos de infeção covid-19 registados no boletim epidemiológico da Direção Geral de Saúde. É o mais alto número de novos casos em 24 horas desde 05 de dezembro, dia em que foram reportados 6.087.

O boletim epidemiológico da DGS indica ainda que estão internadas 2.896 pessoas, menos 34 do que na terça-feira, das quais 487 em cuidados intensivos, ou seja, menos uma.

Desde o início da pandemia, Portugal já registou 6.830 mortes. Relativamente às 79 mortes registadas nas últimas 24 horas, 31 ocorreram na região Norte, 25 em Lisboa e Vale do Tejo, 12 na região Centro, nove no Alentejo e duas na região do Algarve.

O estado de emergência, decretado em 9 de novembro, está em vigor até 7 de janeiro, com recolher obrigatório nos concelhos de risco de contágio mais elevado.

Costa desconfinado

Ontem, o primeiro-ministro testou novamente negativo ao covid-19 e, assim, termina hoje o período de isolamento profilático de 14 dias que havia sido determinado pela autoridade de saúde, informou o gabinete de António Costa.

“O primeiro-ministro, que manteve toda a atividade executiva e a agenda de trabalho não presencial, sairá hoje do confinamento que cumpriu na Residência Oficial, em São Bento, retomando a atividade pública regular”, diz uma nota desse gabinete.

António Costa estava em isolamento profilático após ter estado em contacto em 16 de dezembro com o Presidente francês, Emmanuel Macron, infetado com o novo coronavírus.

Neste período, o chefe de Governo foi mantendo várias reuniões não presenciais por videoconferência, quer com membros do executivo, quer a nível europeu. António Costa já tinha testado negativo em 17 de dezembro, num teste efetuado no âmbito da preparação da visita, entretanto cancelada, a São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau e às tropas portuguesas no Mali e República Centro Africana.