Entrevistas frente-a-frente

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1990

A RTP decidiu criar um novo estilo de entrevistas, conduzidas por Adelino Faria. Foram anunciadas como entrevistas, neste caso aos candidatos presidenciais, mas acabaram por ser mais um confronto entre entrevistador e entrevistados, com contornos inquisitoriais.

Analisado o “frente-a-frente” Adelino Faria-André Ventura, detectámos 164 intervenções do entrevistador, sem contar com a abertura e fecho da entrevista, bem como com algumas interjeições que nem dá para contabilizar. Sem pretensões de rigor absoluto, Adelino Faria ocupou 12′ 28″ da dita “entrevista”. Ou seja, quase metade do tempo destinado ao programa (30′). 

Com Ana Gomes o entrevistador teve um pouco mais de cuidado.  Fez perguntas e interrompeu a candidata por 104 vezes, ocupando “apenas” 7′ 37″ dos 30 ‘ disponíveis.

Adelino Faria é a “estrela” das entrevistas. Pergunta, não dá tempo para os entrevistados responderem, comenta, sorri, por vezes em tom jocoso.  Adopta posturas corporais e faciais, principalmente estas, absolutamente inimagináveis. E lança olhares para a câmara, estilo “vejam como estive tão bem com esta pergunta”. 

Trinta minutos não é muito tempo para ficarmos a conhecer as ideias dos candidatos presidenciais. Há que conferir ritmo às entrevistas, mas, caramba, há que dar tempo aos candidatos para respirarem. O que os telespectadores esperam é conhecer, com algum detalhe, as ideias dos candidatos em matérias cruciais para o futuro do País. Do que se falou, com ambos os entrevistados, ficou tudo pela rama. No caso de Ana Gomes, o caso Rui Pinto ocupou praticamente 8′ dos 30′ disponíveis e não ficámos a saber nada de novo.

Ventura, já sabemos, é uma enguia, mas é um convidado e deve ser tratado com respeito. Ana Gomes, mais rodada e com pavio curto, teve de se conter, principalmente quando se viu obrigada, por mais de uma vez, a corrigir Adelino Faria.

Vamos ter pela frente muitos meses de espetadelas de seringas em todo o tipo de braços. Vai ser um fartote para as tv’s. Preparemo-nos para o pior.

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