O QUE ISRAEL PERDE

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Saif Abukeshek e Tiago Ávila detidos em Israel

Israel mantém detido o brasileiro Tiago Ávila, ativista pró-Palestina, depois de este ter sido capturado por militares israelitas em águas internacionais, ao largo da Grécia. Inicialmente, foram detidos 180 ativistas que seguiam a bordo de vários barcos da Flotilha Global Sumud. Todos acabaram libertados, excepto Tiago e Saif Abukeshek, um palestiniano com nacionalidade espanhola.

O assalto aos barcos da flotilha configura, inequivocamente, um acto de pirataria. A detenção destes activistas é manifestamente ilegal e, segundo relatam várias crónicas jornalísticas, ambos apresentam sinais de agressões sofridas na prisão. Há, aliás, testemunhos de outros activistas entretanto libertados que denunciam espancamentos e tortura durante o período de detenção.

Não se percebe qual é o objectivo de Israel ao manter presos Tiago e Saif. Está apenas a transformá-los em rostos da causa palestiniana, em símbolos vivos da luta pela existência de um Estado da Palestina.

A imagem de Israel já não beneficia de qualquer margem de disfarce. A destruição da Faixa de Gaza, as centenas de milhares de mortos e feridos palestinianos, a ocupação continuada de territórios, os ataques ao Líbano e a percepção internacional de que a guerra com o Irão aconteceu porque Israel quis empurrar os Estados Unidos para esse confronto, nada disso desaparece quando Tiago e Saif forem libertados.

Mas há uma diferença importante: onde antes existia apenas a massa anónima de cadáveres produzida pela máquina de guerra israelita, existem agora dois nomes, duas faces, duas histórias concretas. E os símbolos, quando ganham rosto humano, tornam-se sempre mais difíceis de apagar.

Tiago Àvila e Saif Abukeshek, homens de coragem

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