Israel tem vindo a aumentar a violência das suas ações militares enquanto o mundo se limita a reagir com palavras ocas, condenações palavrosas sem consequência. A repetição dessas declarações, destituídas de eficácia, já soa a patético face à arrogância e à impunidade com que Telavive atua.
Enquanto intensifica os bombardeamentos contra a população de Gaza, o mais recente ciclo de ataques confirmou a vertigem de violência em que Israel mergulhou: o assassinato do primeiro-ministro iemenita e de vários membros do governo; a tentativa falhada de eliminar o Presidente do Irão; operações que violam todas as regras da diplomacia, mesmo em tempos de guerra. E, no entanto, ninguém reagiu publicamente. Nenhum governo parece ter estremecido perante esta violência aberta de Israel.
Depois de bombardear Estados vizinhos – Síria, Líbano, Iraque, Irão e Iémen – Israel ataca agora em duas frentes particularmente graves: uma bomba incendiária contra uma embarcação da Flotilha Sumud em águas tunisinas e um bombardeamento na capital do Qatar, Doha, onde tentou aniquilar a equipa de negociadores palestinianos.
Tudo isto acontece sob o beneplácito dos EUA, mas também com a certeza de que nenhum Estado árabe ousará retaliar. Nem mesmo o Qatar, atacado no seu próprio território. Há até a perceção de que o governo qatariano terá sido avisado do ataque, embora o ministro dos Negócios Estrangeiros tenha afirmado que recebeu um telefonema do Governo dos EUA quando já caiam bombas na cidade.

É esta a estratégia: uma política do canhão, disfarçada por vezes em falsas tentativas de negociação, sempre com um único objetivo: varrer da face da Terra o povo palestiniano.
(outros artigos sobre o genocídio do povo da Palestina em Arquivo de genocídio do povo palestiniano – Duas Linhas)



