DE COSTAS VOLTADAS

Desde as mulheres e a perda de Direitos até aos fogos que lavram pelo país, passando pela Lei dos Estrangeiros (chumbada no Tribunal Constitucional), podia aqui falar de tudo o que se resume em falta de vergonha. Não sendo eu do PS, às vezes dá-me vontade de dizer: ‘volta Costa, estás perdoado!’

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Reportei-me a António Costa propositadamente, porque me lembrei da contestação do então líder da oposição, Luís Montenegro, e das palavras acintosas contra o então primeiro-ministro exactamente num Verão de fogos intensos. Mas, pelo menos, Costa esteve lá. Não esteve numa festa partidária, nem foi a banhos porque estava de férias. Montenegro, o tal que canta ‘deixai o Luís trabalhar’, foi enxovalhado no funeral de um bombeiro. Se tivesse vergonha, não teria ido…

O inenarrável presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, (o tal que gastou milhões no parque de Sete Rios e não pode mandar regar a Praça de Espanha ou construir casas para quem delas necessita) também esteve na festa do Pontal, evidentemente solidário com os Bombeiros e com as vítimas dos incêndios.

No Pontal, fizeram mais promessas, desde o concurso para o novo Hospital do Algarve, claro que numa parceria público-privada, ao financiamento para a construção das barragens de Alportel e da Foupana e de mil habitações, até daqui a um ano. E tudo isto enquanto o País ardia e o primeiro-ministro ia a banhos. Aliás, deixem-me acrescentar outras palavras, desta feita do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, em defesa do seu primeiro-ministro e das críticas devidas à Festa do Pontal. Palavras sábias que merecem ser transcritas: ‘Os Portugueses têm todos direito a um mês de férias. O primeiro-ministro interrompeu as suas férias no quarto dia’. Quando ouvi isto, apeteceu-me dizer: ‘coitadinho’, a pensar nos tantos Portugueses que não podem ter férias. E ainda teve o despudor de acrescentar: ‘O primeiro-ministro, ao quarto dia, renunciou às suas férias. Falou à comunicação social. Alguém acha que um primeiro-ministro ou ministro em férias está verdadeiramente em férias? As pessoas estão constantemente a trabalhar. Havia expectativa de, eventualmente, outro desenlace nos fogos. Não foi possível e imediatamente o primeiro-ministro cessou a suas férias. Estava ao comando a partir de férias’. A verdade é que a nadar na praia, Luís Montenegro não tinha nem um computador à mão, enquanto os bombeiros andavam de agulheta em punho a apagar fogos. E esteve ao comando de quê, se nem a ministra da Administração Interna sabia o que estava a fazer? É que nem para pedir auxílio à União Europeia o trabalho do Luís serviu…

Também muitas zonas a arder onde era visível que os terrenos não tinham sido limpos. Quem fiscalizou? Quantas multas foram passadas? Quem fez cumprir a Lei?

E, por lei, vamos à dos Estrangeiros que, felizmente, foi chumbada no Constitucional, o que não significa que, mudando palavras e vírgulas aqui e ali, não venha, um dia, a passar, em desprezo absoluto pela Constituição da República. Há quem responsabilize a pressão do Chega. Isto seria o mesmo que dizer ‘não fui eu, foi o meu irmão’. Porque de irmãos já se trata, irmãos que nem se dignaram ouvir os pais (entidades adequadas) para a elaboração da Lei, na expectativa de, no fim do Verão, aquele grupo poder vir a nomear novos juízes para o TC, obviamente pela mão do mano Luís.

Ana Gomes, num comentário televisivo e reportando-se ao desembarque, no Algarve, de migrantes vindos de Marrocos, disse tudo: ‘As pessoas já se esqueceram dos tios e pais que foram ‘a salto’ para França e para a Alemanha’. Quase todas as famílias portuguesas têm familiares fora do País, por não terem tido condições para viver em Portugal. Aliás, o mesmo sucede hoje quando os nossos filhos partem em busca de uma vida melhor, porque o Governo prometeu e prometeu e já lhes virou as costas desde a legislatura passada.

Agora, vamos falar da família, que este Governo diz defender: desde o direito à amamentação, até não ser obrigado a fazer horários nocturnos, da desestruturação da licença do pai até ao direito ao luto gestacional.

Não sei se as ministras algumas vez sofreram um luto gestacional, porque os ministros nem devem saber o que isso é, mais parecendo que vivem no século XIX, quando as mulheres sofriam em segredo. Não saberão o que isso é, mas também não se preocuparam em saber. Preocuparam-se em mexer em leis que estavam bem como estavam, não sei se para servir às entidades patronais ou para nos distraírem da catástrofe que estão a fazer com o Serviço Nacional de Saúde, o INEM e todas as entidades envolvidas na área da saúde pública. Recorde-se a grávida que precisou ser levada para o hospital. Foi atendida na Linha Saúde 24 em inglês. A mãe da grávida não conseguiu responder ao atendimento naquela língua e a IA (para mim BN – Burrice Natural) insistiu na língua de Sua Majestade, talvez para se saber que temos turistas a mais. Resultado: a grávida deu à luz no meio da rua.

O bastonário da Ordem dos Médicos considerou já insustentável a situação dos serviços de urgência no País e acusou a Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde de estar ausente num momento crítico. Carlos Cortes falava à agência Lusa a propósito do processo de candidatura à nova especialidade de Medicina de Urgência e Emergência, para salientar que há problemas na pediatria e na ortopedia infantil, que também está a demonstrar ‘enormes dificuldades’. É que não há especialidade que escape…

Cortes frisou que, do seu ponto de vista, ‘há um grande ausente no meio disto tudo, a Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde’, que tem como missão e competências a articulação do SNS e a coordenação da rede de urgências, assegurando que, havendo falhas numa unidade, uma próxima possa rapidamente assegurar a resposta necessária. ‘Infelizmente, esse trabalho não está a ser feito’, vincou.

Portanto, é assim, nada funciona.

Quanto à amamentação, que, propositadamente, deixei para o fim, estou em crer que esta gente que nos (des)governa não teve mães que lhe dessem de mamar. Ou talvez a palavra MAMA os incomode. Devem usar peito…

É que, para amamentar, são precisas mamas, braços, olhos, boca para sorrir e capacidade de amar, amar até ao infinito. E tempo, muito tempo: mudar a fralda antes, dar de mamar, pôr a arrotar, mudar a fralda depois. Tudo com a maior calma e serenidade e sem o stress de quem tem de ir trabalhar a correr. E claro que os pais são precisos para o apoio, para o abraço solidário, para tudo, de facto, excepto para darem de mamar.

Por isso, cortem o tempo aos pais para as mães poderem sofrer mais e serem mais sacrificadas… Incompreensível tudo isto. Pergunto onde estão as vozes indignadas do tempo de António Costa. Congelaram as greves por tempo indeterminado, as queixas e reclamações? É que, curiosamente, não ouvi ainda falar de nenhuma grande manifestação contra este estado de coisas. Só me lembro de uma coisa que já escrevi diversas vezes nestas crónicas: aprendam História, para perceberem o que se passou antes das duas grandes guerras. APRENDAM HISTÓRIA!

1 COMENTÁRIO

  1. Parabéns Margarida Maria pelo assertivo resumo q fez de todas estas malfeitorias perpetradas
    por este discípulo de Maquiavel !
    Cumprimentos e bom fds

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