O que mudou? Assim de repente, o que mudou foi a política americana. E o jornalismo lusitano parece ter um cordão umbilical com a política americana. Assim se percebem as omissões escabrosas sobre o que se passava na Palestina e, agora, também a Ucrânia parece estar a ser cada vez mais esquecida.
Os EUA estão focados noutras prioridades: Israel e China. Trump procura chegar a um acordo com Putin, quer congelar o conflito em troca de um status quo favorável à Rússia no leste da Ucrânia.
Durante o consulado de Biden, a guerra na Ucrânia foi uma tentativa dos EUA para enfraquecerem a Rússia, os soldados ucranianos combatiam e morriam e a Rússia era suposto sentir o desgaste económico e social de uma guerra prolongada contra um “sindicato” de países ocidentais que alimentam o esforço de guerra dos ucranianos. Mas a Rússia aguentou-se bem. O Ocidente menosprezou a aproximação da China à Rússia. Foi um erro.
Para os EUA, a guerra foi um bom negócio. Serviu para vender armamento que os europeus entregaram à Ucrânia. Sempre foi assim, por alguma razão os EUA são um Estado sempre em guerra. Depois da Ucrânia outra guerra virá. Trump continua tentado a guerrear contra o Irão, a pretexto do programa nuclear desse país. E a questão da ocupação da Gronelândia não está esquecida e pode vir a agudizar-se lá mais para a frente.
Trump e Putin, um novo equilíbrio
É muito plausível que nos bastidores da política internacional já se esteja a desenhar um novo mapa de influência global. A Rússia fica com parte da Ucrânia, as regiões onde a maioria da população é falante de russo e onde estão as terras agrícolas mais ricas e as reservas de minério mais interessantes.
Os EUA asseguram a supremacia de Israel no Médio Oriente.
Sobra a questão de Taiwan, que a China quer reabsorver e os EUA querem manter como território amigo. Será a guerra a fazer, depois de resolvido o problema nuclear iraniano.
Estamos a assistir a um reajuste brutal da ordem mundial, com custos humanos imensos, sobretudo na Palestina e na Ucrânia, cujos povos foram sacrificados no tabuleiro geopolítico.



