MILITAR ISRAELITA CONFESSA CRIMES DE GUERRA

É O FIM DO MONOPÓLIO NARRATIVO ISRAELITA. A VITÓRIA MILITAR EM GAZA NÃO SERÁ CONSEGUIDA PELO "MAIS ÉTICO EXÉRCITO DO MUNDO", NEM PELA "ÚNICA DEMOCRACIA NO MÉDIO ORIENTE".

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Um reservista israelita admitiu perante as câmaras da Skynews que as tropas israelitas receberam ordens para matar civis palestinianos aleatoriamente, com execuções muitas vezes deixadas ao capricho dos comandantes. Destas declarações, podemos tirar ilações sobre as táticas do exército israelita, quando decidem arrasar com hospitais, matar médicos e enfermeiros, destruir ambulâncias, demolir escolas, rebentar com quarteiros inteiros. Depois disto, não há como duvidar dos testemunhos sobre snipers que matam crianças propositadamente ou da intencionalidade com que se eliminam jornalistas a eito

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As declarações do reservista israelita à Sky News, ao admitir ordens para matar civis e executar alvos ao capricho de comandantes, rompem com o esforço concertado de Israel em manter uma imagem de precisão e moralidade nas suas ações militares. Quando a denúncia vem de dentro — de um soldado israelita — e é amplificada por meios de comunicação ocidentais mainstream, o escudo da propaganda começa a apresentar fissuras sérias. Já não se trata de acusações externas ou de relatórios de ONGs, facilmente descredibilizados como “parciais” ou “anti-Israel”. Trata-se de testemunhos diretos, com rosto e voz.

Depois disto, não se percebe como pode e comunidade internacional continuar a ignorar os indícios de crimes de guerra. A doutrina do “tapar o sol com a peneira” não é sustentável, sobretudo quando se somam, no mesmo sentido, relatórios das Nações Unidas, da Human Rights Watch e da Amnistia Internacional.

Este tipo de revelações tem de ter consequências, sob pena de irmos todos parar ao inferno onde já ardem os palestinianos. Já poucos conhecem este poema do alemão Martin Niemölle…

Quando os nazis levaram os comunistas, fiquei em silêncio; eu não era comunista.
Quando levaram os sindicalistas, fiquei em silêncio; eu não era sindicalista.
Quando prenderam os social-democratas, fiquei em silêncio; eu não era social-democrata.
Quando prenderam os judeus, fiquei em silêncio; eu não era judeu.
Quando vieram me buscar, não havia mais ninguém para protestar.
Placa com o poema de Martin Niemoeller no memorial ao Holocausto, Boston, EUA

No plano militar a guerra está perdida para os palestinianos. Nem outra coisa seria de esperar, perante a dimensão bélica da coligação EUA – Israel  e demais aliados europeus.

No campo diplomático, Israel goza de impunidade total, graças à proteção norte-americana no Conselho de Segurança da ONU e ao silêncio cúmplice da maioria dos governos ocidentais.

A devastação em Gaza é irreversível a curto prazo e os palestinianos estão exauridos, famintos, feridos, sem abrigo, com todas as infraestruturas destruídas, sem liderança política. O futuro do Estado palestiniano, tal como idealizado nos acordos de Oslo, está morto e enterrado sob os escombros de Gaza e sob décadas de colonização.

Mas a História raramente se esgota no imediato. Os problemas para Israel podem vir, paradoxalmente, da sua vitória absoluta: quanto mais visível for a brutalidade, mais frágil se torna a sustentação política do regime a longo prazo. O Apartheid sul-africano também parecia invencível nos anos 80.

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