Contar histórias é feitiço!

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Já se começou a entender por que razão Cristo – segundo rezam os Evangelhos – optou por semear de parábolas as suas mensagens. Na verdade, mediante uma história é mais fácil não só captar a atenção como – e isso era (e é) o fundamental – também fazer compreender o que se pretende transmitir. Enfeitiça.

Vem isto a propósito de alguém se haver lembrado de novo (a ideia não é original) que, para melhor atrair visitantes à galeria, o ideal seria chamar aos artistas “Contadores de Histórias”. Bela Rocha, Carlos Ramos, Pedro Castanheira e Rui Carruço acabam, por conseguinte, de ser inseridos nesse rol. E – vai daí! – o visitante pára diante do quadro, fica quietinho e indaga: «Então, vamos lá ver qual é a história aqui».

Da pintora moçambicana Bela Rocha, que expõe desde 1984, se diz que é «multifacetada». Teremos, nesse caso, muito que admirar, captado nas suas estadas por Berlim e São Paulo, antes de se instalar na capital portuguesa.

Bela Rocha

O escultor alfacinha (nascido em 1960) Carlos Ramos tirou da sacola do seu «vasto currículo» esculturas em ferro que, diz-se, «são a sua identidade». Histórias muito dele, portanto.

Carlos Ramos

É de Soure (1969) o pintor Pedro Castanheira. Apresentado como «Perfecionista», esperemos que não seja chato a contar as suas histórias – que a gente desconfia sempre de quem é perfecionista, demora muito tempo a acabar as coisas!…

Pedro Castanheira

O pintor Rui Carruço, também ele alfacinha (1976), é nosso conhecido de várias exposições feitas neste salão. Dele se escreve que tem duas paixões: as Ciências Exactas e a Pintura. Estranhei que só tuivesse duas e, por isso, não resisti enquanto não pedi à IA que me contasse mais acerca dele. Tem mais. Aliás, já em Outubro de 2020, a 1ª vez que ele veio até nós, se não erro, eu senti curiosidade por essa história das duas paixões e descobri que alinhara pelo «sinuosismo», eco dos saberes científicos do «espaço-tempo curvo e do movimento perpétuo, ideias bebidas no mundo da Física», escrevi então.

Rui Carruço

E quando vi a reprodução dum dos quadros que vai estar presente na exposição, uma rua estreita, entre geométricos prédios enormes a deixarem ver apenas uma réstia de céu, acho que percebi a filosofia da exposição: somos nós, os visitantes, que vamos inventar as histórias; os artistas apenas dão o mote e cada qual que se lance por onde quiser: no horror dessa rua sem alma; na saudação à ingénua noiva, meio atrofiada, num dos quados da Bela Rocha; no trágico emaranhado metálico do Carlos Ramos (que raio de identidade!); ou na serena voluptuosidade daquela mulher que Carlos Ramos imaginou (prefiro!).

E esse contar de histórias será até ao próximo dia 28, na galeria do Casino Estoril.

                                                          

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