Oeiras vai ter uma “casa de saída” para aqueles que cumpriram pena de prisão e que, quando saem, não têm para onde ir. São conhecidos os casos de pessoas que ficam a dormir no banco de jardim em frente à cadeia onde cumpriram pena, por não saberem para onde ir, por não terem família, por não terem qualquer “porto de abrigo”. Há dias foi denunciado pela Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso (APAR) que uma senhora tinha sido libertada com 10 euros no bolso e sem ter para onde ir.
A intenção está em vias de se concretizar, o edifício existe e está já a ser adaptado para poder albergar 7 a 10 pessoas. Será um espaço comunitário, apoiado quer pela Câmara Municipal quer por outros organismos que se juntem a este projeto. O projeto foi hoje falado pelo próprio Presidente da Câmara, Isaltino Morais, quando participava na conferência dominical da APAR via zoom.
Segundo disse o autarca, a casa é em Caxias e as obras estão em curso. A autarquia está a negociar um acordo de cooperação com o Ministério da Justiça e, segundo acredita Isaltino, a casa abrirá portas em 2022. A concretizar-se, será a segunda casa abrigo para ex-reclusos a abrir em Portugal, desde que a Associação O Companheiro foi criada em 1987.
A Câmara Municipal de Oeiras disponibiliza o edifício e assume as obras de adaptação necessárias e, se for preciso, garantiu Isaltino Morais, pagará todas as despesas de manutenção e gestão do projeto que, no entanto, terá de ser entregue a uma associação que se dedique a esta causa. Isaltino disse acreditar que a Segurança Social poderá ter uma comparticipação na sustentação financeira da casa.
Ora puxemos pela cabeça, exercício que é sempre melindroso, mas malogradamente necessário. Quando um empreiteiro prefere meter imigrantes cabo-verdianos a alombarem com tijolos porque trabalham mais barato e, eventualmente, aturam condições de trabalho desumanas porque estão ilegais, a culpa desses empregos estarem nas mãos dos ditos cabo-verdianos é deles, ou do empreiteiro? Quando o cinema Londres fechou e se transformou numa loja de artigos baratos, a culpa é dos chineses que a abriram, ou dos que deixaram de lá ir ver o Tom Cruise, para irem antes aos centros comerciais e atestarem a seguir um carrinho de compras com tralha de que não precisam? Quando a Segurança Social se vê à rasca para pagar rendimentos de inserção social, a culpa é do número vestigial de brasileiros e peruanos que eventualmente beneficiam deste rendimento, ou dos donos de empresas que fazem o possível – e impossível – para cortar nas contribuições mensais para a SS, incluindo mover as sedes para paraísos fiscais, dentro ou fora da U.E.? Quando as contas de Mário Centeno nos obrigaram a apertar o cito com impostos mais pesados, a culpa terá sido das lojas dos nepaleses e indianos, que trabalham sem descanso aos sábados, domingos e feriados, ou será também dos bailouts aos bancos, que já somam tantos milhares de milhões, que lhes perdi a conta?
O problema de André Ventura é que apregoa os exemplos anteriores sem os contextualizar e arrasta consigo uma vara de néscios demasiado simples para entenderem que a esmagadora maioria dos problemas que atribuem a uma fracção minoritária da população, são efectivamente causados por um fosso de desigualdade social que se alarga cada vez mais.
Não se combate esse fosso apontando dedos a meia dúzia de desgraçados que, na maioria dos casos, só querem meter comida na boca dos filhos. Combate-se esse fosso arregaçando as mangas e tratando bem as pessoas.
O André Ventura devia pensar mais antes de falar, particularmente quando se refere a maquilhagem de senhoras, entre outros tópicos interessantes. Se o fizesse, já teria chegado à conclusão a que as (poucas) pessoas lúcidas da Alemanha pré-nazi chegaram: os problemas económicos do país não foram causados pelos judeus, mas sim por uma gulodice que deu em desastre e que teve início na Bolsa de Valores de Nova Iorque, repercutindo-se pelo mundo inteiro. Porque isso dos bancos afiarem as unhas perante oportunidades de lucros aparentemente fáceis e se meterem em negócios que não correm tão bem quanto esperavam não é uma habilidade só dos tempos de desregulação dos Bush, Dick Cheney e Trump. Isto é uma artimanha que que já enche os bolsos do 1% e nos morde no proverbial rabinho – dos 99% – desde há muito tempo. A famosa Grande Depressão pavimentou o caminho para um pintorzeco de bigode ridículo inflamar hordas de mentes simples, que beberam cada palavra que lhe caía dos beiços esotéricos, culpando a minoria judaica pelo infortúnio que os assaltava.
Nestes tempos em que um bicho malvado saiu de Wuhan e tomou o mundo de assalto, os Andrés Venturas desta vida têm um palco fácil, porque todos estamos sedentos de um bode “respiratório” (como dizia “o outro”…) a quem apontar o dedo e ninguém consegue encontrar nem o morcego, nem o pangolim cujo deboche deu origem (alegadamente) a esta bela salada russa em que nos encontramos. Mas apontemos esse dedo ao espelho, porque este vírus não é produto de uma elite facínora chinesa que quer dominar o mundo – pelo menos assim o espero. Este vírus é produto de todas as vezes em que fomos de carro para um destino que ficava a vinte minutos de caminhada. Este vírus é produto daqueles sacos de plástico que envolvem as maçãs que colocámos no carrinho das compras e, quando chegámos a casa, enfiámos no caixote do lixo, ou até no saco da reciclagem amarelo. Este vírus é produto daqueles cinco cêntimos que poupámos em cada produto atestado de óleo de palma, porque comprar a versão “biológica” e que não mata orangotangos é demasiado caro para o nosso orçamento familiar. Orçamento esse que encaixa sempre o smartphone de mil euros mais recente, pois claro.
WhatsApp, Instagram, YouTube e teorias da conspiração. Quem convive com adolescentes todos os dias, sabe que é este o mundo em que muitos deles se movem. Passam horas a trocar mensagens que se reduzem a “ya” e “cenas”, devidamente ilustradas com memes, quanto menos palavras usarem, melhor. Em vez de meterem conversa com as miúdas da turma, enviam-lhes pedidos de amizade por IG e é por IG que conversam, possivelmente enviam nudes antes de darem um primeiro beijo. Jogam Playstation nas horas vagas e, nas horas de estudo, publicam vídeos no YouTube sobre os seus kills, ou compram skins para as personagens do Fortnite.
Quem convive com adolescentes todos os dias, provavelmente já se apercebeu de que têm cada vez mais dificuldade em concentrar-se. Enquanto fazem trabalhos de casa pelo Google classroom, têm duas ou três janelas abertas no computador e alternam entre elas: numa, os TPC da escola; noutra, o mais recente vídeo do seu youtuber preferido; e, numa terceira, a página de uma loja que vende material de PC gaming. Ao mesmo tempo, vão vendo o Instagram no telemóvel.
É difícil tirá-los do sofá, convencê-los a sair de casa para andar de bicicleta. É quase impossível persuadi-los a ler. Entusiasmam-se com teorias da conspiração que consomem no YouTube e falam como os Bolsonaros e os Trumps que todos vemos na televisão: a covid já nem sequer é uma gripezinha, porque não conhecem ninguém que tenha tido sintomas graves da doença, estamos todos paranóicos e a coartar-lhes a liberdade, só os velhos é que morrem.
Dir-me-ão que estou a generalizar, a exagerar, que sou pessimista. Que os miúdos não são todos assim. É claro que não são todos assim, e ainda bem, mas é com estes adolescentes que convivo, são estes adolescentes que todos os dias frequentam a minha casa. E todos os dias me aborreço com eles – ponham as máscaras! – e lhes mostro as notícias de vários canais estrangeiros, para perceberem que, se tudo isto é uma conspiração, é uma conspiração mundial, os cientistas e os governos do mundo inteiro pedem-nos cuidados.
Compreendo, portanto, a necessidade de confinamentos, encerramentos, recolher obrigatório. E compreendo as excepções aos encerramentos. Também preciso, como toda a gente, de comprar pão, comida para os gatos, medicamentos, vitaminas e, ontem, até precisei de uma loja de cosméticos aberta para comprar um batom vermelho.
O que não compreendo é o fecho das livrarias e bibliotecas e a proibição de venda de livros nos supermercados. Num país onde se lê tão pouco, onde se lê cada vez menos, onde a população não tem hábitos de leitura, onde tantos jovens têm um vocabulário empobrecido, onde tantos jovens não são capazes de interpretar o enunciado dos testes escolares, onde tantos jovens andam fascinados com discursos populistas e fascistas – porque não exigem capacidade de raciocínio e muito menos um conhecimento da História –, os livros deviam estar à venda em todos os lugares, nos correios, nas estações de metro, nos hipermercados, nas mercearias. Porque os livros são armas contra a ignorância, contra a mediocrização da linguagem e do pensamento, contra o ruído que nos bombardeia todos os dias. São armas contra o défice de atenção e a dependência dos ecrãs, uma nova pandemia que afecta as crianças e os jovens.
As livrarias e as bibliotecas são espaços de silêncio e recolhimento, espaços onde todos devíamos levar os nossos filhos, sobrinhos, alunos, nem que seja para eles pararem uns momentos, esquecerem os telemóveis e as notificações das redes sociais, e se concentrarem num parágrafo, numa ideia. Cabe-nos a nós, adultos, a missão de lhes enriquecer o mundo, as expectativas, a vida.
As livrarias e as bibliotecas são templos. Os livros são bens essenciais.
Depois de ter testado positivo no início desta semana, o Presidente da República fez três testes sucessivos, o último hoje, todos negativos.
Todos os testes foram realizados pelo Instituto Ricardo Jorge, com amostras colhidas pelo Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).
Marcelo rebelo de Sousa não tem uma agenda muito preenchida enquanto candidato às próximas eleições presidenciais, e mantém uma agenda mínima nas suas funções presidenciais, sem participar em ajuntamentos nem em reuniões com muitas pessoas. Marcelo encontra-se em vigilância desde a semana passada, por ter tido contactos considerados de baixo risco com dois infetados com o novo coronavírus.
Entretanto, o ministro das Finanças, João Leão, e a ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho, testaram positivo ao covid-19. Ambos estão em confinamento domiciliário e mantêm as atividades governativas por vídeo conferência.
Já houve antes vários membros do Governo infetados com o novo coronavírus. Casos do ministro da Ciência e Tecnologia, Manuel Heitor, depois foi Nelson de Souza, ministro do Planeamento, que testou positivo para o SARS-CoV-2 e o secretário de Estado do Planeamento, Ricardo Pinheiro. E houve ainda o caso de Graça Freitas, a diretora-geral da Saúde. Praticamente todos os membros do Governo já estiveram em confinamento devido a contactos de risco, incluindo o primeiro-ministro.
Hoje são 166 mortes e 10.947 novos casos de infeção com o novo coronavírus, segundo a Direção-Geral da Saúde, dois novos recordes diários.
O número de internamentos voltou a subir de forma significativa. As urgências estão perto do limite como se verificou no Hospital de Torres Vedras. Estão hospitalizadas 4.653 pessoas (+ 93 do que na sexta) e destas 638 (+ 16) estão em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI).
É também o nono dia consecutivo que se verifica mais de 100 óbitos e o quarto consecutivo acima dos 10 mil casos. O vírus está espalhado por todas as regiões do país, mas segundo os dados no boletim epidemiológico, 71% dos novos casos registados hoje estão nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo e do Norte.
Urgências a colapsar
Há imagens a circular pelas redes sociais que mostram filas de ambulâncias nos acessos às urgências dos hospitais de Santa Maria, em Lisboa, e Torres vedras. Uma dessas imagens é esta que partilhamos aqui, mesmo se não temos confirmação da data em que foi obtida que, segundo informações que acompanham a fotografia, terá sido a noite passada.
O que se confirma é o ponto de ruptura a que estão a chegar as urgências hospitalares. Alguém devia pedir contas aos que andaram este tempo todo a negar a gravidade da pandemia.
Cenário de guerra, Marcelo tem culpa
A candidata presidencial Ana Gomes voltou hoje a acusar o atual chefe de Estado de ter “minado” uma requisição civil dos privados na saúde, responsabilizando Marcelo por nem todos os meios humanos e físicos estarem a ser aproveitados.
No final de uma visita às instalações do INEM em Coimbra, a candidata admitiu estar preocupada com os números crescentes de casos e óbitos devido à covid-19, e recordou que deve ter sido a primeira candidata a falar na necessidade de requisição civil dos privados e do setor social.
“Foi o professor Marcelo Rebelo de Sousa que, de facto, minou, impediu uma melhor negociação do Estado com os privados”, acusou.
Outro candidato, Tiago Mayan Gonçalves defendeu que o Governo deve recorrer a toda a capacidade de saúde, incluindo a oferta privada e social, numa reação às filas de ambulâncias com doentes covid à porta de hospitais.
“É infelizmente o cenário que vi pré-anunciado na reunião do Infarmed e que se está a verificar. Nós estamos a entrar num cenário de guerra, efetivamente, e é lamentável que tenhamos chegado a este ponto”.
Tiago Mayan Gonçalves disse esperar que esse “cenário de guerra” não se alastre pelo país e afirmou que esta realidade “torna ainda mais urgente envolver toda a capacidade instalado do país na resposta à pandemia”.
Há polémica numa obra de construção civil, na Rua D. Luís, em Lisboa. Nos números 30 e 32 existiam uns armazéns antigos. Trata-se de uma zona de solos contaminados pela existência de unidades industriais que por ali se implantaram, dada a proximidade com o Porto de Lisboa. Estamos a falar do velhinho aterro da Boavista, uma área roubada ao rio Tejo numa das maiores obras públicas do século XIX. Portanto, foram quase 200 anos de utilização industrial a contaminar os solos.
Hoje, sempre que se mexe naqueles terrenos, a extração de terras tem de ser supervisionada de perto para evitar que esses solos transladados para outras áreas venham a contaminar lençóis freáticos. Ora, aconteceu precisamente que as obras de demolição e construção em causa estão a ser realizadas sem estudos prévios da qualidade dos solos e, assim, as terras retiradas não foram analisadas.
Alguém denunciou a situação, a revista Visão já publicou várias reportagens sobre este assunto, só agora a Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT) enviou um ofício à presidente da CCDR-LVT (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo) a pedir “informação complementar” relativa à ação de fiscalização à obra.
A CCDR-LVT é o organismo público que deve fiscalizar e autorizar obras em solos contaminados, apesar da licença de obra ser emitida pela Câmara Municipal de Lisboa. Ou seja, a licença camarária só deveria ser emitida depois de solicitado o estudo ambiental à CCDR-LVT e este organismo só deveria emitir o alvará para manuseamento e remoção de resíduos depois do estudo concluído e de se estabelecerem as ações a realizar para garantir a segurança ambiental. Nada disto foi feito e o dono da obra iria poupar cerca de 2 milhões de euros se, entretanto, a denúncia não tivesse surtido efeito. Afinal de contas, no local estariam mais de 32 mil toneladas de terras contaminadas e cerca de 300 toneladas de solos perigosos, sendo que parte delas já foram levadas para outros locais.
Estes resíduos precisam de ser tratados, antes de reutilizados na construção civil ou nas cimenteiras. Aos preços atuais, esse tratamento custará os tais 2 milhões de euros. Se a obra tivesse continuado como planeado, fazendo de conta que não havia solos contaminados, a simples remoção de 32 800 toneladas de terras rondaria os 100 mil euros. Faz alguma diferença. Mas é o custo da preservação ambiental. E da saúde pública.
nº30 e 32 da Rua D. Luís já não existem. Imagem Google Maps.fotografia de José Carlos Carvalho, revista Visão
Há muitos anos tinha um negócio que me levava a idas semanais aos CTT, de onde expedia dezenas de “pacotinhos de felicidade” para jovens casais apaixonados, que decidiam apimentar a sua vida íntima com artigos disponibilizados pelo meu website. Entretanto a Amazon, e-Bay e outros gigantes, mandaram-me esse negócio ao fundo, mas o mundo não acabou, até porque estou focadíssimo em novas fontes de entusiasmo – e rendimento.
Mais ou menos por volta do dia 21-22 de cada mês, a estação de correios das Olaias – entretanto encerrada em virtude das reestruturações que a empresa tem sofrido depois de ser privatizada – acolhia um fluxo de clientes invulgarmente elevado, a maioria dos quais a procederem ao levantamento dos seus vales de rendimento mínimo, desemprego, reforma, inserção social e afins. Sentado num canto, com a minha cadela Rotweiller – cuja presença era autorizada pelo chefe da estação, que conhecia a boa disposição e natureza da bicharoca – eu esperava pacientemente pela minha vez. Na altura ainda não era entretido pelo maravilhoso mundo das redes sociais, como agora, e afagava o pêlo negro da Anouk, que se deitava tranquilamente no chão e aguardava pela hora de ser atendida pelo Jorge. Este amigo colocava-lhe então rolos de fita de papel de impressora (usados) na boca e todos nos divertíamos a pôr a conversa em dia enquanto as minhas encomendas eram processadas ao som do delírio da Anouk a roer o seu rolinho de cartão.
Nos tais dias 21-22 ocasionalmente entravam grupos grandes, tradicionalmente vestidos de preto, a falarem consideravelmente mais alto do que o volume médio dos restantes ocupantes da estação e, genericamente, a armarem confusões frequentes com os ditos ocupantes ou funcionári@s. O cenário incluía regularmente uma septa-ou-octogenária que mal se conseguia mexer e que recebia alguns euros ao balcão, depois de assinar um formulário com a sua impressão digital. O líder do grupo recolhia então a dita verba e todos regressavam ao bólide de grande cilindrada – normalmente alemão – estacionado no local reservado à carrinha dos CTT.
Se me perguntassem quão agradado ficava com este cenário, com que me deparei mensalmente durante duas décadas, responder-vos-ia que não, não ficava nada agradado. Aliás, vinha para casa a sibilar impropérios, que provavelmente roçariam alguns dos disparates que ouvimos saírem da boca de André Ventura. Mas as minhas semelhanças com o líder do Chega terminam precisamente nesse ponto.
O problema de André Ventura, que muito beneficiaria dum tom mais avermelhado nos lábios, é que não entende que não são só os cidadãos de etnia cigana que vão buscar verbas aos CTT sem terem contribuído para as ditas; há por aí muito empresário engomadinho, ou jovem de tez pálida que atendeu chamadas num call-center durante o período mínimo legalmente requerido para poder receber subsídio de desemprego, que também o fazem. Não são só os ciganos que violam as regras do isolamento social, porque todos vimos as filas nas lojas dos centros comerciais nas vésperas do Natal, evocativas de Alexanderplatz durante o OktoberFest. E agora estamos a pagar essa factura.
Bem no sei, o título não prima pela originalidade, que já o senhor el-rei D. Duarte escreveu «A Arte de bem Cavalgar Toda a Sela», que teve como título inicial O Livro da Ensinança de Bem Cavalgar Toda Sela; o meu colega Cristóvão Pereira sabiamente dissertou sobre a ortografia de língua portuguesa, definindo-a como «a arte de bem escrever ao longo dos séculos» (Boletim de Estudos Clássicos, 55, 2011, p. 133-140»; e até a senhora D. Margaret Thatcher redigiu um livro sobre «A Arte de bem Governar» (não foi, decerto, por ele, que Donald Trump estudou…). E já que se fala em estudar, um dos meus livros de cabeceira data de 1943, está muito sublinhadinho desde a minha juventude, deve-se ao grande mestre Mário Gonçalves Viana e chama-se «A Arte de Estudar».
Tudo artes, portanto, que se aprendem com o estudo e a experiência. Para se escrever nos jornais, também é preciso arte, mormente porque o jornalista procura ser o mais aliciante possível.
Vem tudo isto a propósito de uns recortes que amigo meu me enviou, em ar de crítica ao pouco profissionalismo neles patente. É bem provável que já corram mundo, com milhares de visualizações. Achei-lhes piada, porque, no fundo, além da pressa em que se vive, esses títulos demonstram a enorme capacidade que o português tem de pôr em prática a máxima de que «a bom entendedor meia palava basta». Ora veja-se:
«Morreram 430 mortos nas estradas portuguesas» – título do Jornal de Notícias. A 6 de Março de 2014, um diário anunciava: «Carro capota com 4 pessoas e uma mulher». Numa das legendas da CMTV, sempre em directo e em primeiro: «Dois mortos em fuga».
Esta, confesso, é um mimo, porque resume às mil maravilhas o que era preciso explicar, se não fôssemos todos inteligentes e não percebêssemos logo que houve um valdevinos que matou duas pessoas e se pôs em fuga. Para legenda televisiva, era complexo e o pessoal não tinha tempo para ler tudo!… Também a CMTV legendou doutra vez: «Acidente na A1 Três viaturas feridas». E pronto!
Portugal registou hoje novos máximos de mortes em 24 horas associadas à COVID-19, bem como de internamentos e de pessoas em unidades de cuidados intensivos.
Desde ontem contabilizaram-se mais 159 óbitos (novo máximo) e 10.663 infetados. A região de Lisboa e Vale do Tejo, com 4.280 novos infetados, é a área do país com mais novas notificações, com 40,1% do total de diagnósticos nas últimas 24 horas.
Em todo o território nacional, há 4.560 doentes internados (novo recorde), mais 192 que ontem, e 622 em unidades de cuidados intensivos (UCI), mais 11 do que na quinta-feira (novo máximo).
Desde o início da pandemia, a doença já matou 8.543 pessoas em Portugal. Os números foram divulgados no boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS).
Problemas com a vacina Pfizer/BioNTech
Entretanto, continua a vacinação da população europeia, mas surgiram já sinais de problemas na produção da primeira vacina que começou a ser distribuída um pouco por todo o Mundo, a vacina da Pfizer/BioNTech.
Os ministros da Saúde de seis Estados-membros da União Europeia afirmaram estar “seriamente preocupados” com o atraso na entrega das vacinas da Pfizer.
Segundo a agência de notícias francesa AFP, a Dinamarca, Estónia, Finlândia, Lituânia, Letónia e Suécia, assinalam atrasos nas entregas das vacinas Pfizer/BioNTech, o que “mina a credibilidade do processo de vacinação” e que a situação é “inaceitável”.
Estes problemas na produção e distribuição desta vacina vão provocar adiamentos na vacinação, o que todos julgávamos que estava fora de questão vir a acontecer.
Nesse âmbito, os referidos estados membros da EU pedem à Comissão Europeia para contactar “urgentemente” a Pfizer e a BioNTech para “pedir uma explicação pública” e “sublinhar a necessidade de se assegurar a estabilidade e a transparência das entregas”.
O laboratório norte-americano Pfizer advertiu hoje para uma quebra “a partir da próxima semana” nas entregas das vacinas anticovid na Europa. A redução temporária afetará todos os países europeus.
João Baião tem covid-19, o apresentador de programas de entretenimento televisivo anunciou o seu estado clínico no Instagram. A partner Diana Chaves vai ficar em isolamento, apesar de ter testado negativo.
A mesma sorte tem contemplado outros colegas de profissão. Por exemplo, antes do Natal foi Tânia Ribas de Oliveira a fazer o mesmo anúncio mas, agora, que já regressou à pantalha, brincou com o colega e amigo com quem de resto já dividiu co-apresentações).
Malato também reagiu, como se vê. Parece acreditar que a super energia que caracteriza Baião vai ser capaz de dar cabo do coronavírus.
Também Sónia Araújo, partner de Jorge Gabriel na Praça da Alegria (RTP) já tinha entrado de baixa por causa do cxovid-19. Aliás, muitos outros apresentadores já tiveram o mesmo problema de saúde, assim como atores de novelas televisivas. Com a pandemia, estas profissões adquiriram um risco para a saúde dos protagonistas que não tinham antes.