Não são os 60 anos de idade, conforme diz a Júlia Pinheiro no Instagram, assumindo que está a ficar fora do prazo de validade. Sim, porque se a vesícula estava velha, o resto não está mais novo.
Instagram de Júlia Pinheiro
A vesícula não aguentou mais dramas e xaropadas televisivas a que a Júlia dá a cara e o corpo, todas as tardes na pantalha da SIC.
A vesícula é um órgão onde o corpo guarda a chamada bílis, algo que ajuda a derreter gorduras e a facilitar a digestão. Neste caso, talvez tenha sido uma espécie de “indigestão” de má televisão que deu cabo da vesícula da Júlia.
Como ninguém morre por não ter vesícula, o programa da Júlia vai continuar com ela. Essa é a má notícia.
Se a tradição de cimeiras anteriores se mantiver, os discursos serão muitos e cheios de promessas vãs. Cada um irá falar de interesses regionais ou particulares, antagónicos e difíceis de conciliação. No final, “cozinhado” à porta fechada, um comunicado a atirar para futuros mais ou menos longínquos decisões que já deviam ter sido tomadas há décadas.
Por exemplo, os grandes produtores de petróleo – Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos – querem preservar a utilização combustíveis fósseis, talvez não na mobilidade automóvel, mas certamente na indústria e nos transportes marítimos e aéreos.
Outro exemplo do “empenho” destes líderes: o rei de Marrocos anunciou hoje o compromisso de, com a Nigéria, construir um gasoduto com 7.000 quilómetros, com ligação à Europa.
Neste tipo de reuniões, há sempre diplomacia em excesso e quase nenhuma ação em concreto. Para a maioria das pessoas que surgem na fotografia de grupo, o mundo só existe enquanto eles forem vivos. Quem vier a seguir que se desenrasque.
Destaque para as palavras de António Guterres
“A humanidade tem uma escolha, cooperar ou perecer”, disse o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, aos participantes na cimeira, realçando a necessidade de acelerar a transição dos combustíveis fósseis e o financiamento rápido para os países mais pobres que enfrentam impactos climáticos que já ocorreram.
Na Bolívia, por exemplo, secou o segundo maior lago do país. Agora é um deserto. Sem chuva, sob um sol cada vez mais abrasador, a vida morreu ali.
Lago Poopó, Bolívia
Apesar de décadas de conversações sobre o clima, até agora os países não conseguiram reduzir as emissões globais de gases com efeito de estufa. Todas as promessas de o fazer no futuro são insuficientes, para impedir que o clima aqueça a um nível que os cientistas avisam ser catastrófico.
Morrer aos 59 anos é uma injustiça tremenda. António Laranjeira morreu hoje, enquanto caminhava em passeio pela Serra de Sintra. Foi um jornalista de relevo na região de Leiria, onde fundou dois jornais e foi diretor-geral do canal de televisão CLP TV – Chaine de Langue Portugaise TV, um projeto de comunicação para a lusofonia baseado em Paris e que também morreu prematuramente.
Não venho aqui desfiar o vasto curriculum vitae do Laranjeira. Apenas dizer que, na verdade, não vale a pena correr ansiosamente atrás do sucesso e do dinheiro porque acabamos a meio do percurso, a maior parte das vezes. É a natureza das coisas.
O António Laranjeira era um tipo verdadeiramente empreendedor. O problema é que a máquina nem sempre aguenta tanta correria.
imagens recortadas do artigo do The Washington Post em 5/11/2022
Na cobertura da guerra na Ucrânia, o jornal The Washington Post não engana ninguém. Publica o que sabe estar a acontecer, sem grandes entraves, até porque só sabe o que publicar depois do Pentágono, do FBI e da Casa Branca “libertarem” a informação.
E ontem, publicou aquilo que vêm na imagem: em privado, o Governo dos EUA está a pressionar os líderes da Ucrânia a admitirem abertura para negociar com a Rússia e a deixarem cair a recusa pública em encetar negociações de paz, enquanto o Presidente Vladimir Putin estiver no poder.
Ninguém é eterno, mas Putin não tem ainda prazo de validade. E a guerra, nos termos atuais, não pode continuar eternamente.
As discussões com a Ucrânia ilustram a complexa posição da administração Biden sobre esta guerra, com as autoridades norte-americanas a prometerem publicamente apoiar Kiev com somas massivas de ajuda “durante o tempo que for necessário” enquanto esperam uma resolução para o conflito que nos últimos oito meses tem vindo a penalizar a economia mundial e desencadeou receios de guerra nuclear.
Para o Pentágono e o compelxo industrial militar norte-americano, a experimentação das novas armas está feita, o negócio frutificou, mas ninguém quer matar a galinha dos ovos de ouro com bombas atómicas. Felizmente.
A aparente irredutibilidade de Volodymyr Zelensky tem gerado preocupação em vários países da Europa, África e América Latina, onde os efeitos disruptivos da guerra na disponibilidade e no custo dos alimentos e dos combustíveis são sentidos de forma mais acentuada. É o que está a acontecer em Portugal, por exemplo, com a inflação generalizada nos preços dos bens de consumo.
Estamos a ficar fartos da Ucrânia, os americanos sabem-no. Para ler o artigo todo (em inglès), sigam este link.
Picasso, Dali, Andy Warhol, Robert Combas, Diego Rivera, Paula Rego, Júlio Resende, Julião Sarmento ou Nadir Afonso, são apenas alguns exemplos dos artistas em exposição Mosteiro de Santo André.
O novo secretário-geral do PCP é o primeiro dirigente deste partido que não viveu a luta contra ditadura de Salazar e Marcelo Caetano. Tem apenas 46 anos.
O curriculum vitae de Paulo Raimundo diz-nos das origens familiares rurais e operárias, da escola pública, do trabalhador-estudante, mas revela, igualmente, a fidelidade ao partido.
Para já, Raimundo só surpreende pela substituição sem aviso prévio de Jerónimo de Sousa. Veremos se nos surpreende, mais tarde, no confronto político. Há muito tempo que o PCP está a precisar de um “abanão”. Não foi eleito deputado, não poderá “abanar” a Assembleia da República.
Os museus portugueses poderão, eventualmente, vir a ser palco de protestos, como tem acontecido um pouco por toda a Europa, de grupos ambientalistas que pretendem chamar a atenção pública e política para as causas que defendem na defesa do ambiente, nomeadamente no combate às alterações climáticas.
Obras de arte famosas e valiosas têm sido alvejadas com polpa de tomate ou puré de batata. Na realidade, como se sabe, as obras de arte não ficaram danificadas. Os ambientalistas escolhem alvos que sabem estar protegidos por vidros à prova de bala ou, até, serem apenas réplicas das verdadeiras obras.
As ações mais mediatizadas foram, por exemplo, o quadro “Girassóis”, do pintor holandês Vicent Van Gogh (1853-1890), em exposição na National Gallery, em Londres, ao qual foi lançada sopa de tomate, no Palácio Bonaparte, em Roma, “O Semeador”, também de Van Gogh, “A Última Ceia” de Leonardo da Vinci (1452-1519), na Royal Academy of Arts de Londres, a “Rapariga com Brinco de Pérola” (1665), uma das mais célebres do pintor holandês Johannes Vermeer e um quadro do pintor francês Claude Monet (1840-1926), da série “Les Meules”, em exposição no Museu Barberini de Potsdam, em Berlim, alvo de puré de batata.
Ações levadas a cabo pelo movimento Just Stop Oil ou outros grupos filiados na mesma causa.
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Diretores de museus horrorizados
Talvez os museus portugueses não tenham vidros à prova de polpa de tomate que protejam os quadros e, então, temem pela segurança dos tesouros que expõem.
Para diretores de museus portugueses, contactos pela Lusa, como o Museu Nacional dos Coches e o Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, que guardam, restauram e exibem coleções únicas no mundo, estes casos são “preocupantes” para estes espaços culturais, porque “colocam em risco um património que é de todos” e “deve ser protegido para as atuais e futuras gerações”, reporta a agência Lusa.
O diretor do Museu Nacional dos Coches, Mário Antas, um dos museus mais visitados do país, mostrou-se “obviamente preocupado com um fenómeno que está sobretudo a alastrar na realidade europeia”.
“Não está em causa o direito de protestar, mas o ‘modus operandi’ para com as obras de arte, que, afinal, são património da Humanidade para serem fruídas por todos”, declarou Antas.
Relativamente à segurança, a direção do museu diz estar coordenada com a Direção-geral do Património Cultural [DGPC], organismo do Ministério da Cultura que tutela museus, monumentos, palácios e sítios arqueológicos nacionais. Em concreto, depreende-se que as equipas de segurança estão em estado de alerta elevado.
Os mesmos receios são partilhados pelos diretores do Museu Nacional de Arte Antiga, do Museu Coleção Berardo, Museu Nacional de Arte Contemporânea, Museu Nacional Soares dos Reis, Museu de Serralves, Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, Fundação Calouste Gulbenkian, todos ouvidos pela agência Lusa, são unânimes ao considerar este tipo de ações “absolutamente” inaceitáveis e que “os fins não justificam os meios”.
Já os ambientalistas consideram que tudo se justifica para defender o planeta e a vida.
O contraponto com o iogurte natural não funcionou como pensei. Ainda mais enganei-me, comprei o leite cozido que não tem metade do sabor ou graça. Mas ajudou a serenar a barriga e a cabeça. Precisava urgentemente de leite condensado para lançar uma bomba calórica bem no centro da nulidade. Acabei a taça, escolhi um filme com o actor que durante muito tempo achei que não passava de uma carinha laroca até ver o Kalifornia. Carreguei no play.
Casablanca, II Guerra Mundial, vestidos de cetim e carros que hoje parecem de brincar, Londres, o som das sirenes dos bombardeamentos, um grande amor.
O barulho das conversas lá fora quedou-se se num burburinho quase inaudível. O silêncio pesado na casa deu lugar a uma brisa ligeira, suave. Não está calor nem frio.
Deitada, na perna direita dobrada o portátil, na esquerda, escondido, um peso familiar. Desviei o Mac e dei de caras com aquele focinho, aqueles olhos azuis gritantes vidrados em mim. Paz. Alcancei a paz depois de muitos dias de “o que é que me vai acontecer hoje?”, o pensamento a mil, o sono a fugir por muito que o tentasse agarrar, a inquietação intermitente, os ataques de pânico. Um deles levou-me a voz por eternos minutos, mas bem sei porquê, bem sei do que fujo. Mas tudo isto ficou à beira da cama, há muito que me encontrava em Londres a seguir o amor deles com morte anunciada. E ela chega, num ambiente cinematográfico bonito, tão bonito, tão simples. A morte chega pela mão do argumentista que a escreve singela, tão bela, sofrível, a perpetuação do amor. O amor não morre no suicídio da protagonista. O amor nunca morre.
Cai o genérico, caem-me as primeiras lágrimas, as do filme. Fecho o portátil e continuo deitada de barriga para cima. Choro os beijos que me faltaram, os abraços que não senti, as festas no cabelo capazes de me abraçarem por inteiro. Choro a minha solidão durante este turbilhão de coisas menos boas, más péssimas. Choro por muito mais.
Roço com as pernas as pregas das calças de ganga, há quase uma semana que não visto mais nada, é cetim para mim. Enfio os pés nus na colcha castanha, sinto a textura e aí sim, choro os meus mortos. Não me abraço às almofadas nem me ponho em posição fetal. Não, entrego o meu corpo ao choro, sinto-o bocadinho a bocadinho, até me atingir por inteiro. Paro, recomeço, uma e outra vez. Fico tranquila, venci a velocidade do pensamento, o pânico de ataques permanentes, a solidão. Não escondi nenhuma dor enterrada dentro de mim. O gato saiu da cama, penso que as minhas lágrimas o assustaram. A mim não.
Era suposto tomar um duche mas, tal como o sal do mar que se gruda no corpo depois da praia, não quero lavar as lágrimas que se entranharam na pele. Não quero aquecer a sopa, não quero organizar as pastas para amanhã. Hei-de fazer isso tudo. Por agora só quero outro filme com o actor que já levo a sério, não obstante a carinha laroca.
Aqui o décor é de um cinzento eléctrico, é a noite que desliza sobre linhas, o barulho que vem do restaurante por debaixo da janela, o amarelo torrado dos candeeiros que velam sempre por mim.
Amanhã vai estar tudo onde deixei, excepto talvez os ataques de pânico que levaram uma banhada com as lágrimas, mas sei que o reboliço vai acordar-me bem cedo. É quase certo. Amanhã.
Hoje entrego-me ao cinema que empurrou a tristeza e me deixou ali na cama, a roçar as pregas das calças de ganga e enfiar os pés nus na colcha castanha. Hoje choro os meus mortos e tudo em mim é vida.
Jair Bolsonaro perdeu as eleições e, pouco a pouco, perde os apoiantes que o levaram ao colo até ao fim de uma Presidência completamente desastrosa.
O primeiro desses apoiantes a abandonar o barco foi o bispo Edir Macedo, líder da poderosíssima Igreja Universal do Reino de Deus, que apelou ao povo para “colocar a cabeça no lugar. Fizemos nossas escolhas e a escolha foi da maioria, obviamente, que votou”, afirmou, Edir Macedo num vídeo partilhado nas suas redes sociais.
E, sendo assim, sem os evangélicos, não há milagres para Bolsonaro. A tomada de posse de Lula da Silva será a 1 de janeiro. Não sabemos se Bolsonaro irá estar presente. É bem possível que boicote a cerimónia. Se for terá de discursar. Em que língua falará, não se sabe. Português não deve ser…