QUANDO O CRIME COMPENSA

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Jacques Rodrigues é, talvez, o último dos dinossauros da imprensa portuguesa. Construiu (e deixou cair) um império de média com o grupo Impala que detinha dezenas de títulos, entre eles alguns campeões de vendas como foi o caso da revista Maria.

É, também, provavelmente, o mais odiado patrão do setor. Há centenas de trabalhadores lesados, despedidos ilegalmente sem as indemnizações a que tinham direito, assim como fornecedores com dívidas por cobrar há largos anos.

Quando já só esperávamos a notícia de que tinha morrido, finalmente, e que a terra lhe iria ser pesada, chega-nos a notícia de que, afinal, o homem ainda mexe. Trata-se de uma notícia sobre a decisão do Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa que julgou “totalmente improcedente” o processo interposto pelo empresário, na sequência de uma notícia publicada pelo jornal online Esquerda sobre a luta dos trabalhadores para recuperarem os créditos de insolvência da Descobrirpress (uma das empresas de Jacques). Nada que nos admire. Jacques continua a ter os advogados de que precisa para tentar castigar os que o criticam. Raramente tem conseguido, mas a teimosia corre-lhe nas veias.

Já que falamos nele, convém lembrar que Jacques Rodrigues ainda não se livrou das investigações judiciais que o indiciam pelos crimes de insolvência dolosa agravada, por ter provocado a falência das empresas do grupo de forma intencional, transferindo bens e dinheiro para o Brasil, burla qualificada pela utilização de esquemas de “falsos PER” (Processos Especiais de Revitalização), onde terá  apresentado credores fictícios de modo a enganar credores verdadeiros, tribunais e o Estado, entre outros crimes.

A ser verdade tudo isto, o homem é um aldrabão de grande gabarito. Porém, apesar dos indícios não tem, de momento, nenhuma medida de coação que lhe atrapalhe a vida confortável que construiu. É verdade que está considerado insolvente, o que apenas quer dizer que é incapaz de pagar pessoalmente as dívidas que acumulou e que ascendem a mais de 100 milhões de euros. Mas está longe de ser um pobrezinho sem-abrigo.

No Brasil, continua dono e senhor de hotéis de luxo e de enormes propriedades agrícolas, mais do que suficientes para manter uma vida de nababo, a ele e ao seu séquito familiar. Já os trabalhadores a quem ele deve dinheiro, passados anos ainda andam às voltas com o Fundo de Garantia Salarial, a ver se recebem uma parte do que lhes devia ter sido pago.

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