O REDESCOBRIMENTO DA MEDIOCRIDADE

Nota do Autor: O texto em causa foi desenterrado do longínquo ano de 2007, sendo uma cortesia de Políbio Braga, um senhor oriundo do Brasil que, com admirável e comovente audácia, se autointitula jornalista. Esta indescritível "pérola" editorial, parida por tão distinto cavalheiro, acabou por receber o único prémio à sua altura: uma resposta à publicação abaixo descrita:

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Políbio Braga, fotomontagem e composição gráfica

«Há apenas uma semana — em apenas quatro anos —, o editor desta página visitou pela quinta vez Lisboa, arrependendo-se pela quarta vez de o ter feito. Portugal não merece ser visitado e os portugueses não merecem o nosso reconhecimento. É como visitar a casa de um parente malquisto, invejoso e mal-educado. Na sexta e no sábado, dias 24 e 25, Portugal submergiu diante de um dilúvio e mais uma vez mostrou as suas mazelas. O País real ficou diante de todos: Portugal é bonito por fora e podre por dentro. O dinheiro que a União Européia alcançou generosamente para que os portugueses saíssem do buraco e alcançassem os seus sócios foi desperdiçado em obras desnecessárias ou suntuosas. Hoje, existe obra demais e dinheiro de menos. O pior de tudo é que foi essa gente que descobriu e colonizou o Brasil. É impossível saber se o pior para os brasileiros foi a herança maldita portuguesa ou a herança maldita católica. Talvez as duas.»

 Assina: Políbio Braga

Exmo. Sr. Políbio Braga,

Em resposta à nota patética e biliar que ousou publicar — onde vomita que «Portugal não merece ser visitado e os Portugueses não merecem o nosso reconhecimento» —, sinto-me no dever de o colocar no seu devido e insignificante lugar.

A sua escrita não é jornalismo, é apenas o subproduto de uma frustração crónica e mal resolvida. Fica a dúvida se o seu texto nasce de um estado de pura decrepitude intelectual ou se é o sintoma gritante de um desalinho genético incurável. Peço, desde já, a mais sincera desculpa à comunidade cafuza por ousar cruzá-la com o seu nome, pois qualquer um deles merece infinitamente mais o meu respeito e reconhecimento do que a sua figura achaboucada.

Faça um favor a si mesmo e ao nosso país: não volte a pisar as terras lusas. A sua presença e a sua falta de educação são dispensáveis, embora admita, com ironia, que na arte da grosseria jamais conseguirei atingir o seu nível de excelência. A única coisa que verdadeiramente lhe invejo é a audácia de passar vergonha em público com tanta propriedade. Se pudesse, pregava-lhe na lapela uma caricatura grotesca do Padrão dos Descobrimentos, para que todos vissem o troféu que a ignorância e o ressentimento conseguem erguer.

A colonização do Brasil é um facto histórico imutável. Mas se há 500 anos os navegadores cruzaram o Atlântico para descobrir um Novo Mundo, o Portugal de hoje é condenado a redescobrir espécimes como V. Exa. — criaturas ruidosas, cuja mediocridade é a única coisa verdadeiramente digna de nota.

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