A CANÇÃO ESTORIL

A história de célebre canção foi revelada, na tarde de domingo, no sempre acolhedor Museu da Música Portuguesa.

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(som da sala, oiça enquanto lê o artigo)

No âmbito das comemorações das Jornadas Europeias do Património – que calham, anualmente, nestes últimos dias de Setembro – o Museu da Música Portuguesa / Casa-Museu Verdades de Faria, no Monte Estoril, incluiu uma apresentação invulgar, na tarde de domingo, 21: Leopoldo Frederico de Drummond Ludovice veio contar-nos a história da Canção Estoril, da autoria de seu pai, José Frederico Bravo de Drummond Ludovice (1919-2007), arquiteto e compositor modernista.

Retrato de José Frederico Bravo de Drummond Ludovice

José Frederico tocou, de 1944 a 1946, no Rádio Clube Português e na Emissora Nacional e na orquestra residente do Casino Estoril, de 1949 a 1952. Entre as composições que fez, sobressai o Hino para a OTAN, em 1951, e, sobretudo, a Canção Estoril.

Nasceu esta de forma algo inesperada, contou o filho: após uma improvisação no Casino Estoril, inspirada no cenário ímpar do amanhecer no Tamariz. O imediato êxito que obteve abriu-lhe o caminho dos palcos e deu origem a uma melodia que viria a tornar-se icónica. Adaptada, mais tarde, ao ritmo do bolero, a canção conquistou espaço nas boates, e, entre outras, a interpretação protagonizada por Maria Odette recebeu elogios da crítica e teve difusão a nível nacional. Em 1972, a peça foi ainda utilizada como banda sonora do documentário Costa do Sol.

Santuário de Nossa Senhora do Monte, Lubango, Angola, projeto de José de Drummond Ludovice
Casa de habitação, Lubango, Angola, projeto de José de Drummond Ludovice

Dividido entre a Arquitetura e a Música, José Frederico Bravo de Drummond Ludovice deixou-nos, pois, «um legado artístico singular, onde modernidade, emoção e identidade cultural se entrelaçam, contribuindo assim para a história do Estoril» –sublinha-se no anúncio da palestra de seu filho Leopoldo.

Constituiu a sessão, além de um acto de amor filial, bom contributo para o enriquecimento do património cultural do Estoril, até porque ficaram expostos no Museu os originais das partituras. Apresentou o orador Catarina Roquette, uma das técnicas do Verdades de Faria, e estiveram presentes cerca de trinta pessoas, entre familiares, amigos e habituais frequentadores daquela instituição cultural camarária gerida pela Fundação D. Luís.

Leopoldo Frederico de Drummond Ludovice
Casa-Museu Verdades de Faria

(as fotografias de José de Drummond Ludovice foram partilhadas do blog Arquitecto-Compositor José Frederico Bravo de Drummond Ludovice)

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