ISRAEL, ESTADO FALHADO

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Os jornalistas Anas Al-Sharif, Anas Al-Hasi e Mohammed Quraiqa foram mortos quando militares de Israel lançaram um míssil contra a tenda onde viviam e trabalhavam. Depois de 673 dias de chacinas, Israel acrescenta mais três nomes à lista de vítimas dos crimes de guerra que tem executado em Gaza.
Aconteceu há poucas horas.

Nas últimas 24 horas também morreram mais algumas dezenas de palestinianos anónimos – gente que tinha conseguido, até agora, escapar por entre a chuva de mísseis que cai todos os dias sobre Gaza. Mas há sempre uma vez… que é a última. Horas antes de morrer, Anas Al-Sharif publicou uma reportagem onde mostrava mais um desses massacres.

reportagem do dia 9 de agosto de Anas Al-Sharif

Parece evidente que Israel não vai parar o genocídio do povo palestiniano, apesar das críticas que começa a receber de Estados de todo o mundo. É verdade que alguns desses críticos continuam, ao mesmo tempo, a vender armas a Israel – armas que depois são usadas para executar o próprio genocídio.

A morte destes três jornalistas é mais uma tentativa de fechar as janelas por onde o mundo espreita os crimes de Israel, para que tudo se passe na escuridão mediática. Não creio que resulte. Haverá sempre alguém para nos relatar o que acontece.

Costumamos chamar “Estado falhado” a territórios mal governados, onde a pobreza se tornou endémica ou a criminalidade avassaladora. Mas um Estado com uma sociedade desalmada é igualmente um Estado falhado – sem aspas. E Israel é um Estado falhado. E odiado. Não deve haver outro tão odiado nestes dias de genocídio. E enquanto houver memória, assim ficará. Falhado.

Em 6 de abril deste ano, o jornalista Anas Al-Sharif escreveu uma carta de despedida que só deveria ser aberta, caso ele fosse morto. Chegou essa hora. Anas escreveu assim:

“Deus sabe que fiz tudo para ser uma voz para meu povo, desde que abri os olhos para a vida nos becos e ruas do campo de refugiados de Jabalia. Minha esperança era que Deus prolongasse a minha vida para que eu pudesse voltar com a família e entes queridos para a nossa cidade natal original, a ocupada Ascalão (al-Majdal). Mas a vontade de Deus veio em primeiro lugar, e Seu decreto é executado.

Eu vivi a dor em todos os seus detalhes. Provei a tristeza e a perda muitas vezes. No entanto, nunca hesitei por um único dia em transmitir a verdade como ela é, sem falsificação ou distorção. Que Deus seja uma testemunha contra aqueles que permaneceram em silêncio, aqueles que aceitaram o nosso assassinato, aqueles que sufocaram as nossas angústias, e aqueles cujos corações não se moveram com os corpos despedaçados das nossas crianças e mulheres, que nada fizeram para impedir o massacre que tem sido infligido ao meu povo…”

Anas Al-Sharif

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