ENGOLIU LÂMINAS DE BARBEAR E PILHAS

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Um recluso no Estabelecimento Prisional de Linhó, engoliu lâminas de barbear e pilhas, pelo que teve de ser internado de emergência num estabelecimento hospitalar. É a quinta vez que este recluso tenta o suícidio. Talvez fosse mais lógico retirá-lo do ambiente de uma prisão e levá-lo para onde pudesse ter acompanhamento clínico apropriado. Na cadeia do Linhó não tem esse acompanhamento, até porque o médico “só raramente” lá está, diz a Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso (APAR).

Acontece que os guardas prisionais do Estabelecimento Prisional de Linhó estão em greve há 9 meses. Durante todo este tempo, têm piorado as condições de vida dos reclusos no interior daquela cadeia. Sem roupa lavada, fechados nas celas 22 horas por dia, com as visitas reduzidas, não seria de admirar se o número de engolidores de lâminas de barbear e de pilhas aumentasse exponencialmente.

No comunicado, a APAR afirma que “já fez, por diversas vezes, esta denúncia ao Ministério da Justiça, à Direcção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, à Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias da Assembleia da República, ao Bastonário da Ordem dos Médicos e à Directora do Estabelecimento Prisional de Monsanto.”

Finalmente, a Direção-Geral de Resinserção e Serviços Prisionais anunciou que vai preparar um programa que leve à redução do número de suicídios nas prisões. Só no Linhó, nestes nove meses, houve dois casos de suicídios. Mas, segundo a APAR, esse eventual programa só poderá ser bem sucedido se os guardas prisionais abandonarem a greve interminável. Para além de não verem as suas reivindicações satisfeitas, os guardas prisionais serão “os únicos profissionais que recebem o salário por inteiro durante a greve”, diz a APAR.

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