IR A VOTOS VAI SER UMA AFLIÇÃO

0
951

Nas derradeiras horas antes da moção de confiança ser derrotada, foi visível a ansiedade que assaltou os deputados do PSD. O Governo estava a cair por indecente e má figura do primeiro-ministro e líder desse partido. Depois de anos à míngua, a rapaziada arrisca-se a ficar de novo longe da gamela do poder.

Ir a votos daqui a dois meses vai ser uma aflição. Cena agravada pelos previsíveis ataques que Montenegro vai ter de enfrentar, com os meandros do caso que criou a crise que levou à demissão do Governo.

A corrupção já é um tema recorrente na política nacional e toda a gente a discute nas redes sociais. Os partidos populistas tornaram-se mestres nas redes sociais na manipulação dos factos, principalmente os populistas de direita. Talvez seja esse o segredo do sucesso que têm tido.

As redes sociais transformaram-se num campo fértil para os partidos populistas, especialmente os de direita, porque essas plataformas favorecem conteúdos emocionais, simplificados e polarizadores, exatamente o tipo de discurso que o populismo usa.

A corrupção, por ser um tema que gera indignação e revolta, torna-se perfeita para essa estratégia. Os populistas pegam nessa frustração legítima e constroem uma narrativa em que se apresentam como os únicos “anti-sistema”, aqueles que vão “limpar” a política. Muitas vezes, fazem isso simplificando excessivamente problemas complexos e apontando culpados fáceis: elites, imigrantes, jornalistas, ou até a própria democracia.

E há a questão dos algoritmos. As redes sociais tendem a mostrar mais aquilo que provoca reações fortes. Como o discurso populista é frequentemente carregado de emoção, seja raiva, medo ou euforia, ele espalha-se muito rápido.

Nesta espécie de arena de lama, a extrema-direita sente-se em casa. Já o PSD precisaria de ter tempo para se preparar melhor para o embate. Independentemente da esquerda vir a ganhar as próximas eleições, o drama vive-se na luta em que o PSD arrisca perder votos e deputados eleitos (e os subsídios inerentes) para os partidos mais à direita. Ninguém tem dúvidas da voracidade do IL e do Chega.

a bancada da extrema-direita

A questão com o Chega é saber se vai ser capaz de fazer esquecer os casos de pedofilia, de assaltos a malas no aeroporto, de condução sob efeito de alcóol, difamação, incitamento ao ódio, agressões e insultos na via pública, num rol de casos que afetam a imagem de 15 deputados e dirigentes deste partido, incluindo o próprio André Ventura.

A memória das pessoas é curta e seletiva, mas é indiscutível que o IL é o partido da direita que tem as mãos limpas. Que se saiba.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui