CARLOS TAVARES CONTRA MEDIDAS PROTECIONISTAS

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Carlos Tavares, o líder da Stellantis, ums das maiores construtoras mundiais de automóveis, está contra a imposição de taxas alfandegárias aos veículos elétricos (EV) chineses.

Segundo Tavares, esta decisão da Comissão Europeia  “traduz uma complexidade mental que não está adequada à realidade do que nós estamos a viver. Nós estamos a viver uma realidade que é muito simples: temos a tecnologia, somos capazes de fazer veículos elétricos estupendos e temos um problema de custo que não permite às classes médias comprarem veículos elétricos”. Ou seja, Tavares talvez preferisse que os impostos baixassem na UE em vez de uma guerra comercial com a China que vai “chamuscar” muitas empresas não chinesas e que dependem da produção industrial chinesa ou do mercado chinês.

Os custos de produção são o problema, diz Tavares.  É este problema que tem de ser tratado “pela raiz” e não “tentar por proteções à volta”.

Para o presidente do grupo Stellantis, a Europa tem demasiados impostos que obrigam a subsidiar muitos setores da economia. Subsídios que são alimentados por mais impostos. Um círculo pouco virtuoso.

A GUERRA COMERCIAL JÁ COMEÇOU

Mas a guerra comercial já foi despoletada. Por causa dos preços a que os EV chineses estão a chegar ao mercado europeu, a União Europeia (UE) anunciou barreiras alfandegárias aos EV fabricados na China. Segundo a UE, os fabricantes chineses, alegadamente, beneficiam de subsídios estatais que “distorcem o mercado”. Depois, a China apresentou uma queixa na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre os subsídios dos EUA aos veículos elétricos de fabrico americano e prometeu retaliar contra as barreiras alfandegárias europeias que chegam aos 30% do valor do veículo.

A Comissão Europeia parece esquecer que a maioria das construtoras automóveis têm fábricas na China. Beneficiam do custo da mão-de-obra local e do imenso mercado chinês, com uma população cada vez mais consumista. Por isso as construtoras de automóveis europeus estão contra essas barreiras alfandegárias decididas pela Comissão Europeia.

Ao contrário dos empresários ocidentais (norte-americanose europeus), os chineses dedicaram-se a controlar todo o ciclo de produção. Por exemplo, no caso da BYD (fundada em 2003), a empresa tem as suas próprias minas de lítio, capacidade para transformar o minério e fábricas de baterias. O último passo foi dedicar-se à construção dos veículos,em vez de ficar apenas com o fabrico de baterias. Em 2023, a BYD obteve 17% das vendas globais de carros eléctricos. Ou seja, o segredo para colocar no mercado EV baratos não está só na mão-de-obra barata nem nos subsídios estatais à produção, o argumento da Comissão Europeia para levantar barreiras alfandegárias aos EV chineses.

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