PERSEGUIÇÃO POLÍTICA EM PORTUGAL

OS NOVOS INQUISIDORES E AS NOVAS BRUXAS.

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1938

Por causa da guerra na Ucrânia, há milhões de ucranianos refugiados, principalmente em países europeus. A maioria está na Polónia, na Alemanha, nos países mais próximos da Ucrânia. Mas muitos vieram para Portugal.

A escolha de Portugal como destino de mais de 50 mil ucranianos, deve-se ao facto de haver uma comunidade imigrada aqui já há bastantes anos. Quando o muro de Berlim caiu e a URSS se desmembrou, a independência da Ucrânia não garantia sustento ao seu povo. Para aqui vieram a fugir da pobreza e foram bem recebidos, de um modo geral.

A nova vaga de ucranianos está a provocar problemas. Não só porque são muitos e o mercado de trabalho não os absorve, mas porque são utilizados como munição para a 2ª linha da guerra com a Rússia. Estamos a assistir a uma série de ações de perseguição política a cidadãos russos radicados em Portugal e a partidos políticos portugueses que não alinham na retórica de guerra ditada pela NATO.

Em nome da luta de resistência contra a invasão do seu país, os dirigentes da comunidade ucraniana andam na caça às bruxas e a acender as fogueiras inquisitórias onde os russos deverão ser sacrificados. O que se passou na Universidade de Coimbra (UC) é ultrajante. Vladimir Pliassov, diretor do Centro de Estudos Russos da Universidade de Coimbra, depois de 35 anos de serviço à UC foi sumariamente despedido, após denúncia de ucranianos que o consideraram apoiante do regime político da Rússia.

Vladimir Pliasov esteve em 2017 na mesma sala em que Putin discursou

Estas duas fotografias são apresentadas como prova da culpa de Vladimir Pliasov. Estar na mesma sala onde Putin discursou, não tem perdão. Em alguns canais de televisão, nomeadamente na SIC onde comenta José Milhazes, o alarido elevou o caso a escândalo nacional e obrigou à demissão apressada do professor de russo da UC.

Isto aconteceu na sequência de outros atos de demarcação política dos dirigentes ucranianos em Portugal. As manifestações à porta da sede do PCP ou da Embaixada da Rússia são atos políticos. A intenção é evidente: subverter o quadro político-partidário democrático português e conduzir a política externa de Portugal a favor da Ucrânia.

Até ver, o Governo português permanece expectante. Não se faz respeitar nem impõe que se respeite a lei.

Os refugiados, mesmo sendo ucranianos, não têm direitos que lhes permitam ofender a lei. Mas é o que alguns têm feito, sob a liderança de um Pavlo. Dedicam-se a minar a imagem do país que os recebeu. As redes sociais são o cenário desta guerra, com vídeos e textos onde acusam Portugal de servir de santuário a cidadãos russos.

Também nas redes sociais correm petições a exigir que se mandem fechar organizações que defendam os interesses russos e se proíbam grafitti com a letra “Z” porque provocam incómodo aos ucranianos. Talvez até eliminar tal letra do abecedário…

A Embaixada da Rússia em Lisboa divulgou um comunicado onde manifesta o desejo de que “o ocorrido numa das mais antigas universidades da Europa de gloriosa tradição académica e científica, seja tratado de maneira despolitizada.”

1 COMENTÁRIO

  1. Brilhante artigo de opinião.
    Os meus parabéns ao Carlos Narciso, pelo excelente trabalho jornalístico aqui publicado. Infelizmente começam a ser muito raros na área do jornalismo português trabalhos com esta qualidade

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