Gosto do atributo – MESTRE – sobejamente justificado.
Nesta homenagem, a peça A Estrela Titó, texto e encenação de Marco Medeiros, superiormente representada por Romeu Vala e Rita Tristão, actores agora do Palco 13.
Na assistência, poucos terão sido os olhos que se não humedeceram. Todos nos sentimos retratados naqueles evocados instantâneos de uma vivência em pleno, desde miúdos, em comunhão com a delícia da avó Titó. Fomos nós, aqui, ali, neste pormenor, naquele gesto, naquele saborear de bolo, naquele dia da partida, naquele… naquele… Peça a dever ser representada por toda a parte, em todas as escolas, para todos os públicos… Lágrimas, sentidas, molharam muitos rostos. E isso é teatro. É vida! Como Carlos Avilez o que concebia. E foi bom vivê-la assim, quase em intimidade, no auditório que tem o seu nome.

FF, formado na Escola Profissional de Teatro de Cascais, cativou, acompanhado ao piano por Tiago Machado, com o enorme virtuosismo que o caracteriza e que nunca é demais aplaudir e sublinhar.
Concorrida, muito concorrida mesmo, foi depois a cerimónia oficial do descerramento da placa toponímica pelos presidentes do Município e da Junta de Freguesia, com emotivos discursos de ocasião – pelo presidente da Junta, por Fernando Alvarez (atual director do Teatro Experimental de Cascais), por Ricardo Machado (sobrinho de Carlos Avilez), ciclo encerrado pelo presidente da Câmara, a solenemente garantir que o legado do Mestre será honrado. Amigos, colegas, antigos alunos, irmanados todos na mesma vontade de jamais deixar esquecer a mensagem:
«O Teatro é revolucionário, grita contra a opressão e resiste sempre. O seu espírito a tudo sobrevive: às guerras e conflitos, à repressão e à censura. Consegue sempre renascer, mesmo nas circunstâncias mais adversas».
Entre a Academia das Artes do Estoril e o Teatro Mirita Casimiro.

A multidão a pouco foi dispersando, em custosa despedida. Na promessa íntima, de cada um: sim, Mestre, esta mensagem não a vamos esquecer!



