Se não estás comigo estás contra mim, é o lema do atual governo extremista israelita. Nessa lógica, acaba de anunciar que o secretário-geral da ONU é persona non grata e que não poderá entrar em Israel.
Se alguém perguntar se Guterres pretende ir a Israel, a resposta é não. Que se saiba, não há planos para essa viagem. Ou seja, a declaração israelita é uma farsa, uma jogada política de afrontamento à ONU, depois dos militares israelitas terem liquidado já mais de uma centena de funcionários das Nações Unidas na Faixa de Gaza.
O ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel exigiu que Guterres condenasse “inequivocamente” o ataque do Irão contra Israel do dia 1 de outubro. Nessa noite, o Irão disparou cerca de 180 mísseis balísticos contra Israel, em retaliação a vários ataques de Israel, a saber o bombardeamento do consulado iraniano em Damasco, na Síria, em abril e ao assassinato de Ismail Haniyeh em Teerão, em julho, depois do líder do Hamas ter assistido à tomada de posse do novo presidente do Irão.
António Guterres emitiu, logo no dia 1, um breve comunicado após o ataque iraniano, condenando “o alargamento do conflito no Médio Oriente, com escalada após escalada”. Tudo isto aconteceu já depois de Israel ter iniciado o ataque contra o Líbano.
No dia 2, na reunião do Conselho de Segurança, Guterres disse: “Como fiz em relação ao ataque iraniano em abril – e como deveria ter sido óbvio ontem no contexto da condenação que expressei – condeno novamente veementemente o ataque maciço de mísseis de ontem pelo Irã contra Israel”.
Não foi suficiente, pelos vistos. O governo israelita deverá querer que Guterres vá a Jerusalém dar com a testa no muro das lamentações.



