A fortuna de Isabel dos Santos deve estar a encolher a olhos vistos, desde que Angola deu início à caça dos seus bens alegadamente adquiridos através de esquemas ilegais.
A mais recente machadada foi a derrota num recurso para tentar anular o congelamento de ativos no valor de 733 milhões de dólares, decidido pelo Supremo Tribunal de Londres. Por ativos entende-se dinheiro vivo e bens imobiliários, por exemplo.
O congelamento dos bens foi decretado há quase um ano, depois de Isabel dos Santos ter sido processada pela operadora angolana de telecomunicações Unitel, que a acusa de se ter apropriado de grandes quantias em dinheiro da empresa enquanto fazia parte do conselho de administração.
Até à morte do pai, Isabel era considerada a mulher mais rica de África, uma grande empresária que negociava por conta própria em petróleo e minerais, telecomunicações, imobiliário e banca.
José Eduardo dos Santos morreu em 2022 exilado em Barcelona, Espanha, depois de ter sido “democraticamente” afastado do poder em Angola em 2017. A partir de 2019, Isabel começou a ter problemas judiciais com processos movidos por Angola.
Em janeiro, o Ministério Público angolano acusou Isabel dos Santos de 12 crimes, entre os quais a lavagem de dinheiro, peculato e fraude fiscal.
Os ventos da História também impulsionaram investigações jornalísticas sobre a fortuna de Isabel dos Santos. O Comité Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ) contou com o know-how do português Rui Pinto para obter milhares de documentos que integram o dossier Luanda leaks e que alegadamente comprometem Isabel em negócios ilícitos.
Isabel dos Santos vive refugiada no Dubai, onde ainda não sopram os novos ventos da História.



