A fotografia é de 1960 e perpetua um momento relevante na História contemporânea dos EUA, a primeira criança negra a frequentar uma escola de meninos brancos, em Nova Orleães.
A criança é Ruby Bridges e está viva e de boa saúde. Nas primeiras semanas de aulas, Ruby foi escoltada por vários agentes da polícia, de forma a garantir que as ameaças de morte que lhe foram dirigidas não se concretizavam. Ruby tem hoje 70 anos e lembra-se de tudo o que viveu. Houve uma revolta generalizada de pais e professores escandalizados pela presença de uma criança negra naquela escola. Nos primeiros dias não houve aulas, até que um professor aceitou ensinar Ruby. Nos dias seguintes, alguns pais aceitaram que os seus filhos partilhassem a mesma sala e respirassem o mesmo ar que Ruby. A pouco e pouco, os brancos resignaram-se, o que não significa que tivessem deixado de ser racistas.
A vida fez de Ruby Bridges uma ativista pelos direitos humanos. Ela é a presidente da Fundação Ruby Bridges que promove a tolerância, o respeito e a igualdade entre todos, sob o lema “o racismo é uma doença social e temos de fazer com que as nossas crianças não sejam contaminadas por ele”.

A história de Ruby inspirou escritores, novelistas, cineastas e pintores. Talvez a obra de arte mais expressiva seja a de Norman Rockwel, intitulada “The Problem We All Live With” (o problema com que todos vivemos).

Estamos a falar de História recente. A História de um país e de um regime que matou e continua a matar os que se lhe opõem, seja na política interna ou externa. Um país e um regime que se reclama das “liberdades” e da “democracia” e que pretende ensinar ao mundo o que são direitos humanos.
Na verdade, todos temos ainda um longo caminho a percorrer.



