O Tratado Pandémico e o negócio da doença

No artigo anterior, o ressurgimento da importância do complexo industrial militar, meio adormecido com o fim da Guerra Fria, as novas formas de vigilância das populações e como as novas tecnologias são uma ferramenta para esse controle. Agora, a conclusão dessa análise.

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Sabemos hoje que o Novo Tratado Pandémico teve um promotor inicial que, sem grande surpresa, foi um dos países com maior responsabilidade pela resposta à Covid-19: a Alemanha.

A 24 de Maio de 2021 saia a notícia que o então ministro da saúde alemão pressionava por um novo tratado internacional com vista a prevenir novas pandemias.

Escreve a este respeito Robert Kogon, pseudónimo de um jornalista que publica sobre assuntos europeus:

O artigo continua narrando como a Alemanha e os seus aliados quiseram usar a Assembleia Anual da OMS, que estava a ser realizada remotamente naquele ano e começara naquele mesmo dia, para “dar o tiro de partida para um tratado internacional de pandemia”. E assim aconteceria.

No final do evento anual, a então chanceler alemã Angela Merkel e um grupo um tanto desorganizado de duas dúzias de líderes mundiais publicariam uma declaração conjunta pedindo a conclusão de um tratado pandémico. Os signatários incluíam muitas figuras políticas, como o então primeiro-ministro britânico Boris Johnson e o Presidente francês Emmanuel Macron, e chefes de organizações internacionais, como o diretor-geral da OMS, Tedros.

Um tratado juridicamente vinculativo implica que quem quer que participe seja obrigado a cumpri-lo. A não participação implicará a condenação internacional.

Em meados de 2021 a Alemanha era o principal financiador da OMS, ultrapassando a Fundação Gates, e foi um dos principais patrocinadores da resposta à pandemia.

Um relatório da DPA (serviço de notícias alemão) observava que “uma comissão de especialistas da OMS liderada por Lothar Wieler, chefe do Instituto Robert Koch (RKI-saúde pública alemã) recomendou o envio rápido de “equipas de crise” para a área de um “surto pandémico”. Este procedimento deveria estar “ancorado no tratado”, ou seja, ser obrigatório quer um país queira receber tais ‘equipes de crise’ ou não.

Wieler, que desde então deixou o cargo de chefe do RKI, presidiu ao “Comitê de Revisão do Funcionamento do Regulamento Sanitário Internacional (RSI) durante a Resposta ao COVID-19” da OMS, que sem dúvida desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento das revisões propostas ao RSI. Esta é talvez a comissão a que se refere o relatório da DPA.

Wieler também é um defensor de longa data da chamada abordagem “One Health”’, com foco nas origens ‘zoonóticas’ ou animais de doenças humanas, que está no cerne do tratado pandémico proposto.

O relatório da DPA também aponta para uma doação do governo alemão de € 30 milhões à OMS para criar um “centro de alerta precoce de pandemia” em Berlim. Os € 30 milhões tornaram-se US $ 100 milhões e o “sistema de alerta precoce” tornou-se o Centro de Inteligência Pandémica e Epidémica, que foi inaugurado em Berlim – apenas três meses depois! – em 1º de setembro de 2021, pela chanceler Merkel e pelo diretor-geral da OMS, Tedros.

Embora este Centro seja comumente descrito como um centro da OMS, na verdade é administrado como uma parceria de pleno direito entre a OMS e a autoridade de saúde pública alemã, o RKI. Nesse mesmo 1º de setembro de 2021, Wieler e Tedros marcaram a formação da parceria com uma cotovelada comemorativa.

A nova economia de morte do século XXI

Num Mundo em que já não é aceitável morrer pelo país ou enfrentar os traumas que a guerra acarreta, o Ocidente vira-se para outro tipo de Indústria da Morte muito em voga a Oriente: a doença. Não deixa de ser um sistema, há filmes sobre este sistema, há toda uma nova gama de brinquedos por experimentar neste sistema, temos gurus nas Ted Talk a falar deste sistema, temos vastos documentários na Netflix a discutir as potencialidades deste sistema.  A morte – o medo do sofrimento – tem a capacidade de movimentar milhões.

Não foi por acaso que a resposta à pandemia em Portugal foi liderada por um militar. Não menos estranho são as recentes notícias que os próprios serviços secretos britânicos espiaram os seus próprios cidadãos que ousaram questionar a resposta à pandemia.

O Tratado Pandémico não é mais que um tratado comercial destinado ao financiamento ilimitado de diferentes corporações, das farmacêuticas à tecnologia, desta vez situado em Genebra e em Berlim, ao mesmo tempo que se institui à boa maneira de Orwell, um Ministério da Verdade Mundial que “filtra” nos meios de comunicação, o que é verdade e o que é mentira. Como o complexo industrial militar nos EUA, focar-se-à em procurar gatilhos para despoletar conflitos e controlar narrativas, porque é disso que se alimenta todo um sistema de guerra.

As vítimas serão os seus próprios cidadãos, que serão obrigados a seguir o que ditam “especialistas” a soldo de corporações, sem ter em atenção cultura, raça, estrato socio-económico, idade, história, realidade…

No final quem manda?

Ao que parece, quem tem mais a lucrar com isso.

Esta semana acaba o prazo para cada país refutar as emendas aprovadas na Assembleia de Saúde Mundial de 2022. Já pouco se pode fazer a este respeito a não ser alertar cidadãos e políticos para as emendas e novo tratado em discussão na próxima Assembleia Mundial.

A luta silenciosa pela hegemonia mundial parece estar ao rubro. Resta saber se vamos ficar apenas a assistir passivamente e a apoiar no final o vencedor.

nota da redação: ler também a 1ªparte deste artigo – Novo Tratado Pandémico, nova forma de Guerra (comercial)

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