Em Bissau, há quem classifique Xanana Gusmão de ingrato. Opiniões de guineenses, publicadas nas redes sociais, rejeitam impulsos paternalistas de líderes estrangeiros.
Há gente com memória que sabe bem que situações semelhantes também foram vividas em Dili. Em 2006, por exemplo, houve uma rebelião contra o Governo, quando centenas de militares comandados pelo tenente Gastão Salsinha e o major Alfredo Reinado tentaram o derrube do Governo. Durante semanas viveram-se cenas de grande violência, principalmente na capital, Dili. O regime sobreviveu com a ajuda da GNR portuguesa e de uma brigada do Exército australiano.
A REAÇÃO DE BISSAU
O Governo da Guiné-Bissau reagiu, de forma contida. Um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros refere a “profunda indignação e veemente repúdio pelas declarações”, antes de aludir a percursos controversos de Xanana Gusmão, o atual primeiro-ministro timorense e, também, do Presidente da República, Ramos Horta.
O comunicado não menciona qualquer caso concreto, mas é possível que remeta para os tempos da luta armada contra a Indonésia, quando Xanana foi capturado quando visitava uma namorada, em Dili. Durante os anos de cativeiro surgiram suspeitas de que Xanana teria negociado a sua libertação, mas nunca se confirmou esse hipotético acordo com o inimigo. O comunicado também aflora o surgimento de “controvérsias” sobre a conduta de Xanana, sem especificar quais.

Mas, nas redes sociais guineenses, já há publicações que lembram casos de abusos sobre mulheres e subalternos, textos e vídeos, que indiciam Xanana como autor de atos indignos de um líder democrático. Temas que, aqui, também foram publicados no tempo oportuno.

A CPLP EM RISCO
No Whatsapp, Óscar Barbosa “Cancan” (que também publica no Duas Linhas), lembra que as afirmações de Xanana Gusmão abrem “um precedente perigoso” e que constituem um “erro político”. Lembra que “amanhã, qualquer país da CPLP poderá ser alvo do mesmo tipo de discurso, em função das suas próprias crises internas”.
Parece evidente que este comentador da política guineense tem razão quando diz que “a comunidade (CPLP) só sobreviverá se todos os seus membros forem tratados com respeito”.



