O NOSSO VOTO POR UM JARDIM

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Embora em obras de conservação, continua aberto ao público, o edifício do Museu da Música Portuguesa / Casa-Museu Verdades de Faria (Avenida, Monte Estoril).

Por disposição testamentária de Henrique Mantero Belard, aceite na sessão de 24 de fevereiro de 1975 da Comissão Administrativa do Município de Cascais, o imóvel – chamado inicialmente Torre de S. Patrício – passou a ser municipal, na condição de ali se fazer casa-museu com o nome da esposa do doador, Verdades de Faria.

Optou-se, depois, por aí se criar o Museu da Música Portuguesa, sobretudo porque a Câmara recebeu o espólio de Michel Giacometti, o conhecido etnomusicólogo que escolhera Cascais para viver, espólio que Fernando Lopes Graça não hesitou em enriquecer cedendo o seu.

Neste momento, aliás, a exposição temporária ali patente dá conta, com fotografias, do que era a casa de trabalho de Lopes Graça, mostrando-se também o espólio pictórico do músico, ou seja, os quadros que lhe adornavam as paredes, fruto de compras suas ou oferta de amigos.

O parque anexo, de 5000 metros quadrados, transformado em jardim, seria, de acordo com o testamento, para fruição por parte da população.

INCUMPRIMENTO TESTAMENTÁRIO

Tal desiderato não conseguiu ainda o Executivo municipal concretizar, quer por alguma inércia quer, eventualmente, por  falta de aturada insistência junto da entidade governamental que superintende aos ambientes, a  qual, segundo parece, tem posto objecções em cima de objecções, protelando uma decisão que vise proporcionar à população – mormente a do Monte Estoril e não só – o usufruto de um espaço deveras agradável.

Têm-se criado espaços de lazer um pouco por todo o concelho. Este, que é um dos parques carismáticos e sobre que, ainda por cima, impende uma obrigação testamentária, navega, de escolho em escolho, por lisboetas secretárias com mui secretas gavetas, sem que o Executivo cascalense dê o murro na mesa e venha a público clamar contra a inoperância governamental.

E não hesito em falar agora de novo no assunto, em vésperas de campanha eleitoral, na esperança de que alguma das forças políticas inclua solenemente esse objectivo no seu programa.

Neste ano eleitoral, repito, dotaram-se inúmeras povoações do concelho de bonitos espaços de lazer; este foi esquecido; pode ser que a disputa eleitoral lhe venha a dar o lugar que bem merece.

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