É HORA DE ROMPER AS CORRENTES DA EXCLUSÃO GLOBAL

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William Ruto, Presidente do Quénia, na 80ª Assembleia Geral da ONU

África está a despertar. Um despertar que não é apenas de consciência, mas de firmeza política e histórica. O recente discurso do Presidente do Quénia, William Ruto, na Assembleia Geral das Nações Unidas, não foi apenas uma intervenção diplomática: foi um grito de libertação, uma exigência legítima e inadiável de respeito.

Como pode o mundo proclamar-se “Nações Unidas” quando cinquenta e quatro nações africanas — um quarto dos Estados-membros desta organização — permanecem sem assento permanente no Conselho de Segurança da ONU? Como pode o planeta falar em justiça, paz e desenvolvimento ignorando as vozes, as aspirações e as contribuições de mais de 1,4 mil milhões de africanos?

“A ONU não pode afirmar estar unida enquanto África, com 54 nações, continua excluída da representação permanente no Conselho de Segurança e privada de uma voz na mesa principal. Para permanecer legítima, deve enfrentar os desafios de hoje com visão e ação decisiva.”

O paradoxo é gritante: a África é o continente que mais pesa nas agendas do Conselho de Segurança; é a África que suporta os conflitos, a instabilidade, os fluxos migratórios forçados, a fome e as catástrofes naturais. É também a África que fornece alguns dos maiores contingentes de forças de paz da ONU, sempre pronta a servir em nome da segurança global. E, no entanto, é a única região do mundo sistematicamente excluída da mesa onde se decidem os destinos da humanidade.

Esta exclusão não é apenas uma injustiça histórica — é uma violência política, uma negação da soberania coletiva africana. Manter a África fora do centro da governação global é perpetuar um sistema internacional construído sobre hierarquias coloniais disfarçadas. É condenar um continente inteiro ao papel de espectador da sua própria história.

Mas este tempo está a chegar ao fim. As palavras de William Ruto ecoam o sentimento de milhões: a África não ficará mais à margem. O continente tem o direito inalienável de participar plenamente na governação global, não como objeto de decisões alheias, mas como sujeito ativo e respeitado.

A comunidade internacional deve compreender que a descredibilização da ONU começa precisamente nesta contradição. Não se pode falar de multilateralismo autêntico, nem de democracia global, sem corrigir a exclusão sistemática de um continente inteiro.

A África exige lugar. Exige voz. Exige respeito.
E desta vez, não pedirá — exigirá com a autoridade de quem carrega séculos de resistência, de quem foi espoliado, mas nunca derrotado.

A libertação do continente africano no século XXI começa pelo reconhecimento da sua dignidade política no cenário mundial. O mundo que ignore este clamor estará a cavar a própria falência do sistema multilateral.

África não espera mais. África levanta-se.

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