Não há um único jornalista português a reportar os acontecimentos que envolvem a Flotilha Global Sumud que procura chegar a Gaza, romper o bloqueio e entregar a ajuda humanitária transportada em dezenas de pequenas embarcações.
Sabemos (é mais do que certo) que nada disso vai acontecer, as embarcações serão atacadas (já estão a ser), a ver se os participantes se acagaçam e desistem. Não desistindo, serão detidos pela tropa israelita e levados para cárceres. Mas nada disto será reportado por um jornalista português e o que vamos ter serão relatos mais ou menos emocionais dos ativistas portugueses que lá estão e as imagens difundidas pela net através dos telemóveis de cada um.
As televisões, rádios e jornais portugueses perderam uma oportunidade de marcar presença num dos eventos mais marcantes destes tempos de desvario político e de violência militar. O jornalismo de sofá vale para o cidadão-repórter ou para o jornalista na reforma por limite de idade, mas não chega para as necessidades do público que procura ser informado com rigor, a salvo da esquizofrenia dos discursos nas redes sociais.
A presença de jornalistas, principalmente se fossem jornalistas de grandes empresas de media, poderia servir de proteção aos restantes participantes desta iniciativa humanitária. Mas seria sempre um risco grande. Como sabemos, Israel não hesita em matar jornalistas. Mas, a presença de jornalistas de diferentes países põe em sentido qualquer regime político, mesmo os que praticam genocídio. Seria interessante saber se houve alguma tentativa para encontrar voluntários para uma missão de tão alto risco, nas empresas portuguesas de media.
Em língua portuguesa, creio que só teremos os relatos da repórter brasileira Giovanna Vial, através do site Intercept Brasil. Por coincidência, Giovanna está a bordo do mesmo barco onde estão os três portugueses que se integraram nesta ação: a deputada Mariana Mortágua, a atriz Sofia Aparício e o ativista Miguel Duarte. Esperemos que regressem todos sãos e salvos.



