QUANDO EU MORRER (mensagem a um filho)

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Quando o meu tempo neste mundo cessar e o silêncio finalmente me acolher, não procures a minha presença na ausência do meu corpo. A morte não é o fim da linha, mas o momento em que a jornada de um pai se transforma, por completo, na fundação da vida do filho.

Tudo o que vivemos, cada conversa, cada abraço e até os nossos silêncios partilhados, deixará de pertencer ao tempo e passará a pertencer à eternidade. Eu não serei apenas uma memória no teu passado; serei a voz que guardas na tua consciência, a força invisível que te empurra nos momentos de dúvida e o reflexo que verás no espelho quando os teus próprios traços começarem a envelhecer.

A física ensina-nos que nada se perde, tudo se transforma. Filosoficamente, o amor de um pai faz o mesmo. A matéria desgasta-se, mas o significado daquilo que construímos juntos permanece intocável. Eu fiz-me raiz para que tu pudesses serárvore. Quando eu já não estiver aqui para te amparar, lembra-te de que as minhas fundações continuam profundas sob os teus pés. Tu és a minha continuidade, o meu pedaço de imortalidade.

Não prendas o teu coração ao luto ou à tristeza estéril. A melhor forma de honrares a minha partida é vivendo com coragem, integridade e paixão. Ama profundamente, aceita as imperfeições da vida e caminha com a cabeça erguida. Quando sentires saudades, olha para as tuas próprias mãos, para as tuas escolhas e para o teu carácter — eu estarei lá.

Eu não te deixo um vazio; deixo-te um legado de amor. Vive por ti, vive por nós e caminha sabendo que o meu amor por ti superou o próprio tempo.

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