Tudo começou com o alarme publicado no site Cidadania LX, onde se dá conta do avanço do caterpillar que se adivinha contra a Casa Vasco de Oliveira, no Monte Estoril, em Cascais, um edifício dos anos 50 assinado pelo arquiteto Luís Bevilacqua. Não há qualquer aviso de projecto que esteja em apreciação na Câmara Municipal de Cascais, mas há uma placa autopromocional da imobiliária.

Dizem os cidadãos que “não podemos aceitar que a Câmara Municipal de Cascais continue a permitir a destruição do Monte Estoril no que ele tem de mais valioso: o seu património arquitectónico, seja o de cariz revivalista seja o modernista como no caso em apreço, uma construção que, ao contrário dos novos edifícios construídos nas últimas décadas e que a CMC aprovou sem pestanejar, se insere perfeitamente naquela frente urbana”.
Em mensagens difundidas por email, o Fórum Cidadania diz ser “confrangedor assistir-se a uma política urbanística como a que a CM Cascais vem pugnando nos últimos mandatos”.
O imóvel em questão está implantado no Espaço Central Histórico, mas não se encontra inventariado no Sistema de Bens Culturais de Cascais, nem classificado ou em vias de classificação, pelo que será um edifício desprotegido perante os interesses comerciais do mercado imobiliário.
O Fórum Cidadania Lx é uma associação formada por um grupo de cidadãos que se preocupa em defender o património edificado e histórico nacional. A isto, juntam a defesa por um espaço público de qualidade, o primado do peão, um urbanismo em que cumpram os regulamentos e se impeça a especulação, uma mobilidade cada vez mais suave, o carinho pelas árvores de grande porte e a preservação dos espaços verdes, entre outras “dores de cabeça”.
No site da imobiliária Avando Properties não há qualquer anúncio do que se pretende fazer com a Casa Vasco de Oliveira. De resto, o site parece ser uma “ideia” inacabada. Não tem informações sobre a empresa, sobre os sócios da empresa, sobre a equipa, e quanto a contactos unicamente um endereço de email.
Neste site apenas aparece uma espécie de “bandeira” da empresa, um bloco de apartamento construído frente ao mar, na costa de Cascais. Casas de luxo, certamente o destino que querem dar ao espaço que os munícipes de Cascais estão dispostos a defender.
O Fórum Cidadania propõe que o município inicie rapidamente o processo de classificação como “imóvel de valor concelhio”, tendo em conta a história do edifício, nomeadamente a identidade dos arquitectos e a personalidade que lá viveu.





Muito grata por este texto, pelo “aviso” desta ameaça e pelas diligências feitas pelo Fórum Cidadania Lx para preservação do património arquitectónico.
Este é mais um dos assuntos confrangedores dos nossos tempos.
Então um imóvel não inventariado, que deve ter um, ou vários proprietários, pode correr o risco de ser “abalroado” por máquinas destrutivas por vontade de uma qualquer empresa de (des)construção?
Mas isso é inconcebível e devia ser travado imediatamente. Pelos vistos nada se sabe nem da empresa, nem de projecto algum para o local, apenas se deduz que é destruir aqui um imóvel com certo valor patrimonial, para construir outro em seu lugar que multiplique esse valor, ou venha a gerar lucro à custa da destruição do ambiente e da qualidade de vida dos moradores.
Em nome de quê, ou de quem, acontecem estes abusos indecorosos?
A resposta adequada para ousadias semelhantes devia ser proporcional. Em caso de empresa nacional, retirar-se-lhe a licença que por certo tem para operar. Se empresa estrangeira, ficar impedida de operar em Portugal.
O país ainda é nosso, ou não?
Assim vai o país, 51 anos depois…