Pela carta de 7 de Junho de 1364, dada em Santarém por El-rei Dom Pedro, Cascais fica livre da sujeição de Sintra. Pode mais livremente dedicar-se ao mar, uma vez que a imagem de agricultura, dos pomares e, sobretudo, da cobertura vegetal da Serra continuariam a ser apanágio sintrense.
E por aí nos ficámos, até porque Suas Majestades preferiam a frescura da serra no Verão e somente debandavam a serenidade litoral cascalense mal o Outono fazia o seu aparecimento pela suavidade das temperaturas…
Ficou, pois, esta banda alheada de verdura, na medida em que só pouco a pouco – e tarde! – a zona junto às dunas litorais da vila até ao sopé da Serra (a chamada «Marinha») se começou a cobrir de pinhal, em regime florestal, por decreto de 20 de Junho de 1906.
Mas… terá mesmo ficado alheada?
Quiçá não.
A recente valorização da Quinta do Pisão veio demonstrar como há, ainda, uma Cascais verde, agrícola, que daí se prolonga por esse vale adiante, até à azenha da Atrozela.


E é tudo?
Não. Dois vales bem verdejantes há a considerar: o do Rio dos Mochos e o da Ribeira das Vinhas, ambos já servidos em parte por circuitos organizados, que os cascalenses paulatinamente vão descobrindo.
Quero, porém, advertir que «Sintra em Cascais» existe! Fica nesse trecho do vale da Ribeira das Vinhas a sul da 3ª Circular. Uma flora verdejante; variada fauna avícola a surpreender qualquer um; a ruína duma azenha aqui, outra azenha também abandonada mais além; neste ponto, o singular corte de um banco de pedra a falar do tempo em que por ali algazarreavam cabouqueiros, canteiros e trabalhadores das pedreiras… «Olá, boa tarde!» – não deixam de se cumprimentar quantos por ali se passeiam, mormente com os seus amigos patudos, no gozo e na descoberta, afinal, de uma atmosfera ímpar a saborear.
E é mesmo essa a nítida – mas dúbia – sensação que se tem: estamos em Sintra ou em Cascais?
Vale a pena ir sentir!




