AUGUSTO SANTOS SILVA, A MORTE POLÍTICA

DEIXOU CAIR O SEU DERRADEIRO SONHO POLÍTICO: SER PRESIDENTE DA REPÚBLICA

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Foi quase tudo na política, desde ministro de várias pastas, a Presidente da Assembleia da República (a segunda figura do Estado), conselheiro de bastidores e intelectual do regime. Mas falhou o último degrau da sua longa escalada. E talvez ainda bem para ele.

Estou convencido de que não seria um candidato ganhador à Presidência da República, mesmo com o apoio oficial do PS. Primeiro, porque dentro do próprio partido há quem torça o nariz à sua figura. Depois, porque lhe falta aquele je ne sais quoi de carisma e empatia popular. Santos Silva foi sempre mais cérebro do que coração, mais cálculo do que impulso. Um pilar dos governos socialistas, sim, mas sempre na sombra, a segredar ao ouvido dos chefes. Uma eminência parda no “castelo” socialista.

Mas se há algo que nunca lhe faltou foi fidelidade. Defensor acérrimo, doesse a quem doesse, dos líderes que acompanhou, foi talvez o mais fiel dos fiéis a José Sócrates. Mesmo quando o chão já tremia debaixo dos pés do ex-primeiro-ministro, lá estava Augusto SS – como muitos lhe chamavam, ou por ironia apenas ASS, o acrónimo maldoso (em inglês significa cu) – a sustentar a fortaleza. Esteve com Sócrates até ao último minuto, e teve ainda fôlego para continuar ao lado de António Costa durante toda a era seguinte.

Foi, talvez, o primeiro dirigente político a enfrentar o Chega com dureza verbal. Foi protagonista de uma guerra com esse partido da extrema-direita que marcou indelevelmente o seu mandato como Presidente da Assembleia da República. Nas eleições de 2024 não conseguiu ser eleito. Agora deitou a toalha ao chão. Posto isto, paz à sua alma política.

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