O “MÁGICO”

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E de repente, o conflito entre Israel e Irão foi travado por uma só vontade: a de Donald Trump. O Presidente norte-americano apresentou-se como artífice de um cessar-fogo relâmpago, impedindo uma escalada que muitos julgavam inevitável. Mas o que esta cena revela é muito mais profundo e mais inquietante.

Onde está o programa nuclear iraniano?

Durante anos, fomos bombardeados com a ideia de que o Irão representava uma ameaça existencial por estar a desenvolver armas nucleares. Os discursos israelitas e norte-americanos, com destaque para os de Netanyahu, basearam-se nessa narrativa para justificar ataques, sabotagens, assassinatos seletivos e, mais recentemente, bombardeamentos em território iraniano.

Mas eis que, depois de todo este aparato bélico, o assunto desaparece. O cessar-fogo foi decidido e, subitamente, o “perigo nuclear” deixou de estar no centro das atenções. Não há provas públicas de que o programa iraniano tenha sido destruído. Talvez, apenas, atrasado. E, mesmo assim, permanece a pergunta: se o Irão era de facto uma ameaça nuclear iminente, como se justifica a ausência de uma denúncia formal por parte da AIEA? Como explicar que os próprios serviços secretos dos EUA nunca tenham apresentado provas inequívocas de um programa militar em curso? A resposta parece estar à vista de todos: essa ameaça nunca existiu como foi descrita.

O regime iraniano sempre defendeu que o seu programa nuclear é pacífico, destinado à produção de energia e a fins médicos, como prevê o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP). A verdade factual, embora incómoda para quem alimenta o medo, é que nenhuma agência internacional confirmou a existência de um programa nuclear militar iraniano ativo.

Uma história mal contada

A narrativa do “perigo nuclear” serviu os seus propósitos: manter a opinião pública ocidental em alerta, justificar alianças e intervenções, reforçar a ideia de que o Irão é o grande inimigo da ordem mundial. Mas o seu súbito desaparecimento demonstra que, afinal, era mais instrumento de propaganda do que realidade estratégica.

Tal como aconteceu no Iraque em 2003, quando as “armas de destruição maciça” nunca apareceram, também agora o Irão parece ter sido vítima de uma história convenientemente construída e, quando necessário, convenientemente descartada.

Gaza continua a arder

Mas talvez o mais revelador neste episódio tenha sido a demonstração de força política: quando os EUA querem, os bombardeamentos param. Bastou uma ordem de Trump para travar o confronto entre Israel e Irão. E isso mostra o óbvio: os Estados Unidos têm os meios para parar o genocídio em Gaza. Se não o fazem, é porque não querem.

A destruição em Gaza, com dezenas de milhares de mortos, centenas de milhares de feridos e uma população inteira sujeita a fome, sede, doenças e deslocamento, poderia ser travada em questão de horas se Washington quisesse. Se fosse necessáriio, bastaria ameaçar com a suspensão do apoio militar, diplomático e financeiro a Israel, para parar com os crimes de guerra.

Mas isso não acontece. A impunidade israelita é garantida pelos EUA. Logo, cada novo ataque, cada nova vítima civil, acontece sob o olhar complacente, cúmplice, da Casa Branca.

O que resta perceber

Este cessar-fogo forçado deixa claro que o programa nuclear iraniano pode nunca ter sido o que nos disseram. Israel não age sozinho, depende do apoio explícito de aliados ocidentais. Gaza arde porque há vontade política para que continue a arder. O genocídio prossegue, impunemente. O mundo assiste. Os que sobreviverem não perdoarão a mentira, a violência, nem o silêncio cúmplice de quem podia ter travado o horror.

mais de 20 mil crianças mortas em bombardeamentos em Gaza
dezenas de milhar de crianças amputadas em Gaza
centenas de jornlistas assassinados na Faixa e Gaza, mas também na Cisjordânia (territórios ocupados por Israel), no Líbano e no Irão.
milhares de famílias destruídas
todos os hospitais destruídos, em Gaza
centenas de médico, enfermeiros e socorristas assassinados ou detidos
masssacres diários
funerais coletivos de palestinianos
o Estado de Israel transformou-se num Estado genocida e Netanyahu fez do exército uma máquina de crimes de guerra
a fpme como ama de guerra do arsenal de Israel

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