UM VÍDEO REVELADOR

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79ª Assembleia Geral das Nações Unidas, Nova York, em 27 de setembro de 2024, Netanyahu mostra os alvos a abater no Médio Oriente

Há mais de 40 anos que Benjamin Netanyahu projeta a violência armada sobre adversários políticos e países vizinhos de Israel. O vídeo que apresentamos é a timeline resumida desse projeto colonial que promove a subjugação dos povos do Médio Oriente.

Este vídeo é apenas um resumo histórico e crítico da política regional de Israel sob a influência de Netanyahu. O que transparece aqui é a doutrina israelita de segurança ofensiva e de alinhamento estreito com os EUA. A influência resultante é de facto notável para um país com a dimensão e população de Israel, mas é sustentada pelos serviços que presta ao império americano, como porta-aviões permanente no Médio Oriente. O valor estratégico de Israel reside justamente na sua função de prolongamento regional dos desígnios dos EUA: uma plataforma militar, tecnológica e diplomática de contenção e vigilância sobre o mundo árabe e muçulmano.

Este vídeo revela um padrão da ação israelita: Netanyahu anuncia a necessidade de mudar regimes considerados hostis aos interesses de Israel, nomeadamente no Iraque, no Irão, na Síria, na Líbia ou nos territórios palestinianos. Estas posições, sempre bem acolhidas por plateias norte-americanas, ilustram o consenso tácito entre as elites políticas dos EUA e de Israel.

O COLONIALISMO NO SÉCULO XXI

Sim, Israel é uma espécie de base militar dos EUA, local especial para recolha de inteligência regional altamente eficaz, mas também é um parceiro no desenvolvimento de tecnologias de defesa e cibersegurança. É uma parceria forte, cada vez mais forte à medida que vai sendo responsável por inúmeros crimes de guerra cometidos nas várias intervenções militares, invasões, guerras promovidos na região, destinadas a mudar regimes que se tornaram inconvenientes para os interesses americanos e israelitas.

É assim que o Ocidente continua a operar sob lógicas neocoloniais. Os serviços que Israel presta (desestabilização de regimes, recolha de informação, alinhamento militar) só são úteis porque ainda existe uma política externa ocidental que não tem como objetivo a cooperação equitativa, mas sim a manutenção de uma ordem global assimétrica.

A influência de Israel nos EUA, e por extensão na Europa e em certos regimes árabes, só se compreende à luz desta estrutura de poder. Um pequeno país, mas profundamente útil para uma superpotência imperialista. A “aliança natural” entre Israel e os EUA é, assim, menos uma convergência de valores e mais um contrato tácito de utilidade mútua dentro de uma ordem internacional desequilibrada. Enquanto assim for, o papel de Israel como braço regional do poder americano continuará a servir, não por aquilo que promove, mas por aquilo que impede: a autonomia real das nações que o colonialismo europeu um dia subjugou.

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