Segundo Rafael Mariano Grossi, caso os Estados continuem a negligenciar a via diplomática para a resolução deste conflito, “a violência e a destruição poderão atingir níveis inimagináveis e o regime global de não proliferação que tem sustentado a segurança internacional há mais de meio século poderá desmoronar-se e cair.”
IRÃO INFORMOU A AIEA DE QUE IA ESCONDER O URÂNIO
Nesta mensagem, Grossi diz ter recebido uma carta enviada pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, em 13 de junho, onde informava que o Irão iria “adotar medidas especiais para proteger o nosso equipamento e materiais nucleares”.
Rafael Mariano Grossi diz ter respondido, lembrando que “qualquer transferência de materiais nucleares de uma instalação protegida para outro local no Irão deve ser declarada à Agência”. Ora, parece evidente que o Irão não fez isso, tanto que há suspeitas de que a AIEA terá fornecido a Israel nomes e outros elementos que serviram para Israel assassinar alguns dos cientistas responsáveis pelo programa nuclear do Irão.
A verdade é que ninguém sabe onde está escondido o urânio enriquecido que o Irão possui. Segundo a AIEA, serão 400 kg desse tipo de material, enriquecido a 60%, ou seja, incapaz de servir para municiar bombas atómicas.
DANOS MUITO SIGNIFICATIVOS
Sobre as condições das estruturas atingidas pelos bombardeamentos, a AIEA diz que ninguém sabe qual o grau de destruição que as bombas lançadas poderão ter provocado, mas “é de esperar que tenham ocorrido danos muito significativos.” Ainda bem que o urânio já lá não estava, senão hoje estariamos a braços com um terrível desastre nuclear a contaminar o planeta. A AIEA tem inspectores que permanecem no Irão, mas neste momento não existem condições para esses técnicos poderem trabalhar.
Ataques a instalações nucleares nunca devem ter lugar e podem resultar em libertações radioactivas com graves consequências dentro e fora das fronteiras do Estado que foi atacado.
O diretor-geral da AIEA volta a afirmar que o Irão não tem armas atómicas, mas que depois do que aconteceu, pode querer esse tipo de armamento. “Para conseguir a garantia a longo prazo de que o Irão não adquire uma arma nuclear e para a continuação da eficácia do regime global de não proliferação, temos de voltar às negociações”, insiste Rafael Mariano Grossi.
A mensagem é longa e em nenhuma parte se mencionam os nomes dos agressores do Irão. EUA e Israel passam incólumes num texto redigido com evidentes cuidados diplomáticos, de modo a não criar mais anticorpos nos governos belicistas de Israel e EUA.



