ISRAEL E EUA NÃO QUEREM PAZ EM GAZA

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A recente recusa, por parte de Israel e dos Estados Unidos, da contraproposta apresentada pelo Hamas ao plano de cessar-fogo em Gaza levanta sérias dúvidas sobre a seriedade das negociações lideradas pelos americanos. Classificar liminarmente a proposta do Hamas como “inaceitável” é mais do que uma tomada de posição política: é uma declaração de intenções. E essas intenções não parecem ser a paz.

A contraproposta incluía pontos fundamentais: cessar-fogo permanente, retirada total das tropas israelitas de Gaza, entrada irrestrita de ajuda humanitária e uma troca de prisioneiros que envolvia a libertação de milhares de palestinianos detidos, muitos dos quais sem qualquer acusação formal ou julgamento. Estes elementos não são exigências descabidas, mas sim condições mínimas para o restabelecimento da dignidade do povo palestiniano.

Se considerarmos que Gaza é um território palestiniano, então a exigência de retirada das tropas israelitas não é um capricho, mas uma questão de direito internacional. Exigir a “desmilitarização do Hamas” sem oferecer em troca qualquer garantia de autodeterminação à Palestina é uma forma de exigir a rendição incondicional. Israel não quer abdicar do controlo sobre Gaza, mas exige que os palestinianos abdiquem da sua capacidade de resistência.

Ao rejeitarem a proposta, Israel e os EUA não estão apenas a dizer que não aceitam negociar com o Hamas. Estão a dizer que pretendem impor uma solução unicamente favorável aos seus interesses estratégicos, mesmo que isso implique o prolongamento da catástrofe humanitária em Gaza, onde dezenas de milhares de civis já morreram.

A linguagem utilizada ao classificar a proposta do Hamas de “inaceitável” é, neste contexto, uma arma política. É uma forma de recusar qualquer forma de compromisso que reconheça direitos e dignidade ao povo palestiniano. É, também, um modo de continuar a justificar o injustificável: bombardeamentos, cercos e ocupacões sob o disfarce de uma retórica de segurança.

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Se há uma parte que está a propor um cessar-fogo permanente, e outra que apenas admite “pausas táticas” enquanto prossegue com ataques e ocupação, então é legítimo concluir que os negociadores israelitas e americanos estão de má-fé neste processo pretensamente negocial.

Continuar a tratar o povo palestiniano como um obstáculo e não como um sujeito de direitos é perpetuar a violência e a injustiça. E isso, sim, é verdadeiramente inaceitável.

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