MATADOURO DE MAFRA TEM ESGOTO A CÉU ABERTO

O munícipe que alertou para esta situação dizia-nos há dias que “há vários meses que vejo águas a correr naquela valeta. Eu mandei para o Facebook da Câmara de Mafra, mas até agora não tive nenhuma resposta. Hoje mandei para vocês a pedir ajuda. Isto para mim é crime ambiental.”

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Quem passa por ali diariamente nota a escorrência. É um líquido viscoso, gorduroso, que segue pela valeta da estrada que liga Alcainça a Abrunheira. O cheiro que dimana não é forte, até porque ali o cheiro forte é o que exala do aterro da Tratolixo, a empresa que recolhe e trata o lixo urbano de Mafra, Sintra, Oeiras e Cascais.

Quem se interessar por seguir o rasto do líquido viscoso chega à porta do Matadouro Regional de Mafra. Tudo indica que é dali que sai, numa espécie de esgoto a céu aberto, os líquidos que resultam da atividade do matadouro.

Era suposto que o concelho de Mafra estivesse plenamente equipado com uma rede de esgotos e de estações de tratamento de águas residuais, mas volta e meia surgem evidências de que não é assim.

Claro que a Câmara Municipal reage com aparente surpresa, quando algum munícipe denuncia casos como este. Depois do alerta, o munícipe recebeu uma resposta escrita da autarquia a dizer que “tomou nota da sua exposição e informa que o assunto foi encaminhado à Divisão de Ambiente desta autarquia, bem como ao Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da Guarda Nacional Republicana (GNR), de modo a que a situação seja averiguada.”

A autarquia de Mafra não gosta de alarido incómodo e solicita ao munícipe, na mesma mensagem, de modo a que “futuras exposições sejam efetuadas não através das redes sociais, mas sim por e-mail para geral@cm-mafra.pt a fim de que sejam devidamente analisadas e respondidas nos termos da lei em vigor.” Felizmente que a lei em vigor consagra o direito à manifestação e à livre expressão.

Não sabemos há quanto tempo o Matadouro Regional larga águas residuais, escuras e viscosas, para a via pública. Sabemos apenas que está a acontecer. Veremos, agora, quanto tempo vai levar até que o problema seja resolvido e as responsabilidades apuradas. Neste caso, embora a autarquia diga que participou às entidades competentes, é bom sabermos que o matadouro é uma S.A., com a Câmara Municipal de Mafra como sócio maioritário (93% do capital social), presidida por Hélder Sousa Silva, o Presidente da autarquia.

Horas depois deste artigo ser publicado, a situação alterou-se.

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