Um livro que é A Árvore da Vida

1
508

Foi uma cerimónia simples, presidida pelo presidente da Junta de Freguesia de Alcabideche, José Ribeiro, a apresentação do livro A Árvore da Vida, da autoria de David Inácio.

Canteiro reformado, o autor é utente do Centro de Dia da Associação de Idosos de Santa Iria (AISI), em Murches. O salão da instituição ficou cheio, meia centena de convidados, entre os quais elementos do Executivo da Junta, da direcção da Associação, familiares e utentes da Associação.

David Inácio com o presidente da Junta de Freguesia, José Ribeiro

Foi dito na ocasião que os poemas de A Árvore da Vida reflectem a vida da instituição vista por um dos seus activos utentes. E sublinhou-se a palavra ‘activos’, porque, num Centro de Dia, o mais importante é a actividade, é saber envelhecer. Ter objectivos para cada um dos dias, não ficar a ver o tempo passar, mas agir. Por isso, David Inácio constitui um exemplo, porque assumiu a sua reforma – completou, em 29 de Abril, 90 anos! – desta maneira: fazendo versos!

utentes do Centro de Dia da Associação de Idosos de Santa Iria

Perpassam pela obra instantâneos do dia-a-dia: o Carnaval, o covid, aniversários, passeios, festas, o remoque ao governo e à oposição («Cheguem ao entendimento / É o melhor que eu acho / Não tenham só pensamento / de se governarem, no tacho»), e também a borboleta que o autor vira poisar de flor em flor e que, de um dia para o outro, sumiu…

É um livro bom de ler, editado pela Associação Cultural de Cascais.

1 comment

  1. Já estive na apresentação de um livro deste poeta popular e sobre a deste título, deixei umas palavras no Notas e Comentários, o blog de José d´Encarnação. Tenho um carinho especial por quem, não tendo acesso ao grande público, pratica a sua arte de escrever apesar da provecta idade. E melhor do que muita gente mais jovem, sabem estes amantes da poesia reparar nas pequenas coisas com grande significado, até na graciosidade das borboletas (sejam elas quais forem…) que saltitam diante dos seus olhos. Lembro-me sempre dos almoços de domingo em certo período da infância, em que recebíamos um poeta popular (Francisco Lobo, que se dizia familiar do famoso autor leiriense dos séculos XVI-XVII) ex-colega do meu avô paterno algarvio. A sobremesa mais apetitosa eram “os versos”, como ele dizia, que debitava depois da refeição, quase todos com preocupações políticas e sociais, mas jocosos. E nunca me esquecerei dele, nem da alegria de viver que nos transmitia, como acontece com David Inácio. Parabéns à Associação Cultural de Cascais por se lembrar destes autores e ajudar a divulgar o seu trabalho.

Leave a reply

Please enter your comment!
Please enter your name here