O medo é uma arma contra todos. Os jornalistas não escapam

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Estou sempre alerta. Os medos ajudaram-nos a sobreviver ao longo de milhares de anos, mas também matam as nossas vidas. Medo de perder a casa, o emprego, medo do covid-19 e até medo que nos metam num lar. No Natal esses medos agigantam-se. Não sei explicar.

Moita Flores sempre me alertou para os medos. Já em 1978, era ele agente da Brigada dos Bancos da PJ, chefiada pelo inspector Catarino que me convidou para o julgamento de Altino Dias de Oliveira, em Porto Mós.

Nesses anos distantes, ouvi Altino dizer que assaltava bancos para o PRP-BR. Meses depois deu-me uma entrevista. Isabel do Carmo, Carlos Antunes, Otelo Saraiva de Carvalho e outros tinham grandes culpas no “cartório”.

Vítor Direito não quis publicar a entrevista, tinha medo de uma bomba no Correio da Manhã, na Rua Ruben A. Leitão. Por isso morreu-me um pouco. A entrevista encheu a Revista do Expresso. E veio-me então o tal medo. E o inspector Catarino respondeu-me: é atirador de precisão? Sou. Tem Arma? Tenho. Então dispare se lhe aparecer um suspeito. Disparo? Quer viver ou morrer? Viver. Então faça fogo e depois logo vê.

Gaspar Castelo Branco, diretor da Penitenciária de Lisboa, foi conivente na autorização de entrevista de Altino. E foi assassinado a tiro, à porta da sua casa na Lapa. A mim transformaram-me o Renault 4 numa pick-up num sinal vermelho frente ao Crédito Agrícola no cimo da Rua Castilho.

Mas já passou. Disso já não tenho medo. Agora, tenho medo mas é dos poderosos que gastam rios de dinheiros para encostar jornalistas à parede dos tribunais. Para os fuzilar com as custas judiciais e com a cumplicidade do sistema judicial.

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