YERMA, no TEC

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Yerma, de Garcia Lorca, está em cena no Teatro Experimental de Cascais, uma encenação de Carlos Avilez. Uma história aparentemente simples, mas que mexe com conceitos complicados e antigos. A moral católica, o papel da mulher na sociedade e na família, a culpa.

A embrulhar o enredo, a música flamenca de alma cigana e é aqui que esta encenação de Avilez tem o primeiro momento mágico com uma cena interpretada por João Lara e que nos leva para um tablao sevilhano nas margens do Guadalquivir.

Federico Garcia Lorca morreu em 1936 e, entretanto, muito mudou na sociedade. Na verdade, muita coisa se mantém e é isso que torna este drama de uma mulher que não consegue ter filhos do marido que não ama tão próximo da plateia. Quantos e quantas que se sentam ali não se revêm nas cenas de Yerma?

Vale a pena ver Yerma e, no final, aplaudir um naipe de atores maioritariamente muito jovens. Alguns são ainda estudantes de teatro na EPTC, a escola profissional que o TEC apadrinha. Há uma cena só destes jovens, a cena das lavadeiras, uma fabulosa sátira à coscuvilhice das vizinhas que tudo sabem e tudo espiam da vida dos outros.

Federico Garcia Lorca foi fuzilado em agosto de 1936 durante o golpe militar fascista liderado pelo General Franco.

 

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