Donald Trump fala como se fosse normal invadir um país soberano, raptar o seu Presidente e anunciar que os Estados Unidos passam a governar a Venezuela. Fala como se a política da canhoneira nunca tivesse saído de cena. E, perante o silêncio global, talvez tenha razão.
A Carta das Nações Unidas deixou de valer. O chamado direito internacional foi enterrado sem cerimónia. Não por ambiguidades jurídicas, mas por força bruta exercida por quem pode e tolerada por quem cala.
Nicolás Maduro só pode ter caído por traição. Uma operação militar desta dimensão não se faz sem cumplicidades internas. Maduro confiou nas Forças Armadas, mas Washington negociou com quem se dispôs a vender essa confiança. A corrupção foi a porta de entrada.
O pretexto do combate ao tráfico de droga caiu nas primeiras palavras de Trump ao anunciar “vitória”. A realidade revelou-se depressa: as grandes petrolíferas norte-americanas vão assumir o controlo, investir na recuperação das infraestruturas e recuperar os lucros perdidos desde a nacionalização no tempo de Hugo Chávez.
Não estamos perante uma revolução teleguiada. É uma mudança de regime executada diretamente por uma potência militar. Colonialismo puro, sem metáforas, sustentado por armas.
O mundo assiste sem estrebuchar. Os Estados Unidos retomam o controlo do seu “quintal”. Se lhe sobrar tempo, avançará para a Gronelândia, território administrado pela Dinamarca.



