UM NEGÓCIO EM CIMA DE MILHARES DE CADÁVERES

GAZA: A DEMOLIÇÃO COMO FASE INICIAL DO INVESTIMENTO

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Donald Trump, Benjamin Netanyahu e Bezalel Smotrich, parceiros no empreendimento "Gaza Riviera"

O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, afirmou sem rodeios que a fase mais dispendiosa da ‘operação financeira’ em Gaza já está concluída: a demolição. Acrescentou que construir é sempre mais barato, como se falasse de um bairro antigo a ser renovado e não da destruição total de uma cidade habitada por milhões de pessoas. Estas palavras não podem ser vistas como mero delírio retórico. O cinismo brutal de Smotrich, ao falar de Gaza como “mina de ouro imobiliária”, só faz sentido se o plano for real – e é justamente isso que não devia ser possível.

Donald Trump foi o primeiro a falar da “Riviera do Médio Oriente”. Hoje, ministros israelitas falam em “plano de negócios”, com detalhes que incluem investimento estrangeiro e reconfiguração completa da faixa de Gaza. A guerra aparece, assim, não como um confronto inevitável, mas como a etapa inicial de um projeto imobiliário: primeiro a demolição, depois a construção.

Este raciocínio coloca a comunidade internacional diante de um limite. Já não se trata de discutir se Israel tem ou não direito à defesa – trata-se de saber se é aceitável permitir que governantes de Israel e EUA façam uma guerra como instrumento de especulação imobiliária. Persistir em dar o benefício da dúvida a Telavive, perante declarações tão claras, equivale a compactuar com a ideia de que o extermínio da população civil pode ser legitimado em nome de mentiras que escondem ambições pessoais de enriquecimento, da acumulação de riqueza de Trump & Associados em cima dos milhões de cadáveres de seres humanos.

Resta ainda a questão ética e militar: como é possível que as Forças Armadas israelitas aceitem desempenhar o papel de agentes demolidores, conscientes de que estão a destruir hospitais, escolas, bairros inteiros, sabendo que essa destruição não é apenas consequência da guerra, mas requisito para abrir caminho a um futuro projeto urbanístico? A morte de dezenas de milhares de crianças, mulheres e idosos deixa de ser uma tragédia para se revelar investimento? Como é que aquela tropa admite uma coisa destas?

O general-empreiteiro de 2 estrelas a dar instruções aos mestres-de-obra

Se as palavras de Smotrich forem levadas a sério – e não há razão para não as levar – estamos perante uma das maiores perversões políticas da história recente: executar um genocídio em prol de negócios privados.

O projeto imobiliário da “Gaza Riviera” já tem maqueta de arquitetura. Fonte jornal The Guardian

(outros artigos sobre Arquivo de genocídio do povo palestiniano – Duas Linhas)

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