CRISE POLÍTICA: NÃO SABEMOS COMO VAI ACABAR

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Faltam dois meses para as eleições legislativas antecipadas e há a sensação de que a instabilidade governativa vai continuar. Portugal enfrenta um cenário político incerto, as sondagens apontam para um parlamento fragmentado, sem maiorias absolutas.

A crise começou com a demissão do primeiro-ministro António Costa por causa de investigações judiciais que o visavam. Costa disse que não podia continuar primeiro-ministro sob suspeita judicial e foi-se embora.

Marcelo preferiu dissolver o parlamento em vez de aceitar que o PS (que tinha maioria absoluta) formasse novo Governo liderado por outra figura escolhida pelo partido. Marcelo revelou oportunismo político, quis favorecer o PSD, o seu partido de sempre. Entre a ética de Costa (que acabou ilibado de qualquer suspeita) e o oportunismo de Marcelo, está a progenitura da atual crise.

Nas eleições que se seguiram, o Chega e a Iniciativa Liberal subiram. A extrema-direita tem hoje 50 deputados. Tinha, agora tem 49 porque um deles saiu, entretanto, depois de ser apanhado a roubar malas nos aeroportos de Lisboa e Ponta Delgada.

Nas próximas eleições, pode acontecer que a extrema-direita continue a crescer, apesar de haver evidências claras que o Chega é uma espécie de associação de malfeitores, entre pedófilos, racistas, bêbados ao volante e ladrões, há ali um pouco de tudo.

OS CHEGANOS PERDOAM TUDO

O crescimento da extrema-direita é uma preocupação para muita gente. Não é uma tendência exclusiva de Portugal. Em vários países europeus, partidos de extrema-direita têm vindo a crescer, explorando descontentamento com o sistema político, questões de imigração e insatisfação económica.

A questão com o Chega é o mistério de como eles conseguem convencer as pessoas de que são anjinhos políticos, quando clamam contra a corrupção e a criminalidade sendo que a bancada da extrema direita tem 15 deputados com cadastro ou em processos de investigação. É um dos paradoxos da política populista. Partidos como o Chega apresentam-se como “justiceiros” contra a corrupção e a criminalidade, mas frequentemente acabam envolvidos nos mesmos problemas que denunciam. No entanto, a sua base eleitoral parece perdoar ou ignorar essas contradições.

Uma explicação pode estar na forma como constroem uma narrativa simples e emocional, explorando medos e frustrações da população. É possível que os “cheganos” estejam por ali atraídos por algum sentimento de revolta contra a vida que lhes coube em sorte. Mas o Chega sabe como a desinformação e a comunicação eficaz nas redes sociais ajudam a moldar perceções. A estratégia passa por ignorar as críticas e manter o foco nos ataques aos adversários, alimentando a ideia de que são os únicos “contra o sistema”.

E UM BLOCO CENTRAL, NÃO?

Tanto PSD como PS não irão ter maioria absoluta, a acreditar nas sondagens. No caso do PSD, se recusar entendimentos com o Chega, pode não conseguir formar governo e pode ser acusado de desperdiçar a oportunidade da direita governar. Se ceder, arrisca-se a partir o partido por dentro. Irá alienar os militantes e eleitores moderados. Montenegro não vai ter uma vida fácil, se o PSD vencer as eleições.

O PS com um Bloco e um PCP enfraquecidos, também não tem parceiros naturais para uma “geringonça 2.0”, mesmo se Pedro Nuno Santos tem um perfil mais à esquerda que os anteriores líderes socialistas. Com este cenário, é bem possível que a instabilidade continue e que novas eleições sejam uma questão de tempo. Ou então, um novo bloco central…

O HOMEM DO LEME

Se a crise se instalar e tivermos uma sucessão de governos minoritários, frágeis e inconsequentes, o grande beneficiado será o futuro Presidente que há de ser alguém acima dos partidos, disciplinado, organizador e com algum carisma. Estamos mesmo a ver, não estamos?

Sim, o Almirante Gouveia e Melo tem exatamente o perfil que poderia encaixar nesse cenário. O homem ganhou notoriedade durante a pandemia ao liderar o plano de vacinação com uma abordagem pragmática e determinada, o que lhe deu uma imagem de competência e autoridade. Além disso, tem uma postura austera e apolítica, o que pode atrair eleitores desiludidos com os partidos tradicionais. Se decidir candidatar-se, pode ser um nome forte, especialmente se a instabilidade governativa continuar e houver uma sensação de desgoverno.

Se Gouveia e Melo surgir como favorito nas sondagens, os partidos vão pensar duas vezes. Há uma certa tendência em Portugal para acreditarmos em figuras providenciais, especialmente em momentos de crise. O passado político do país tem exemplos disso, desde Salazar (num contexto muito diferente, claro) até Cavaco Silva, ambos homens providenciais que ” iam pôr ordem na economia”.

imagem ilustrativa dos “homens providenciais” de Portugal

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