O IMPÉRIO LUTA PELA SOBREVIVÊNCIA

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Os Estados Unidos mantêm centenas de bases e instalações militares espalhadas pelo mundo. Nenhuma outra potência da História da humanidade construiu uma rede semelhante de projeção permanente de força. Trata-se de arquitetura de poder.

Desde 1945, Washington estruturou uma presença global que lhe permite intervir rapidamente e condicionar regimes. A maioria dos golpes de Estado que acontecem no mundo têm o dedo da CIA. A malha militar global criada pelos EUA foi tão normalizada (pelos média, pela propaganda) que deixou de ser questionada.

Durante a recente campanha eleitoral, Donald Trump prometeu o contrário dessa lógica: menos guerras externas, mais foco interno, reindustrialização, emprego, recuperação do mercado doméstico. A mensagem era clara: “America First”, significava olhar para dentro.

Mas a máquina estratégica americana não funciona apenas por impulso eleitoral. O complexo industrial-militar, as alianças militares, a cultura de hegemonia, a necessidade de manter o negócio a fluir, criaram uma política externa de inércia própria. Muda o presidente, mas as políticas permanecem.

O intervencionismo é sistémico. O problema não é defender interesses estratégicos. É a tendência para transformar tudo em interesse vital dos EUA. Essa lógica conduz a uma mobilização militar permanente.

As narrativas política e moral (democracia, direitos humanos, segurança internacional) surgem como legitimação. Mas são de aplicação seletiva. O que é mau no Irão é bom na Arábia Saudita. O que é mau na Venezuela é bom na Argentina. O que é mau na Noruega é bom em Israel. Os princípios variam conforme a conveniência. O dinheiro que os EUA gastam em desenvolvimento militar não gastam em segurança social.

Nas atuais circunstâncias, só o eleitor norte-americano que votou na recuperação da indústria automóvel do seu país e não percebe a prioridade de lançar novas guerras no outro lado do mundo e se sente enganado pelas falsas promessas, é que poderá mudar alguma coisa quando chegarem novas eleições.

O intervencionismo americano é o funcionamento normal de uma potência hegemónica. A luta contra esse Império é obrigatoriamente violenta. Agora, os EUA têm um inimigo formidável pela frente: a China.

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