Nestes dias em que o país está a tentar recuperar da violência meteorológica que arrasou milhares de casas, fábricas e empreendimentos agrícolas, e depois do Governo ter anunciado que vai colocar reclusos nos trabalhos de limpeza das florestas, a fim de tentar evitar mais desgraças no verão deste ano, a APAR avança com uma proposta mais alargada.
Em comunicado, a Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso (APAR) congratula-se com a decisão do Governo de dar trabalho aos reclusos. “É uma medida pela qual a APAR tem lutado há décadas e várias vezes abordada por diversos Executivos que a foram, depois, abandonando. Este é um dos inúmeros trabalhos que os reclusos dos 49 Estabelecimentos Prisionais podem fazer, com ganhos enormes para o Estado e, sobretudo, para a reabilitação e reintegração daqueles”, lê-se no comunicado.
Mas acrescenta a APAR que o Estado deveria ponderar a possibilidade dos reclusos trabalharem nas autarquias, uma vez que muitos deles são “profissionais competentes em várias profissões, o que poderia ser uma extraordinária mais-valia para, por exemplo, as autarquias.”
Além disso, a APAR propõe “o alargamento da medida, ainda que por um espaço de tempo limitado, a ex-reclusos em liberdade condicional, ou mesmo definitiva, que encontrem dificuldades em conseguir trabalho, muitas vezes pelo seu passado, evitando uma sempre indesejada reincidência no crime.” Um par de boas ideias, num único comunicado.
Aqui na redação do Duas Linhas, pensamos que faltam abordar dois pormenores desta questão de pôr reclusos a limpar florestas. Um é esclarecer se se trata de trabalho voluntário, a outra questão é saber quanto pretende o Estado pagar aos reclusos por esse trabalho. Já houve quem dissesse que “o trabalho liberta”, mas esperemos que este primeiro-ministro não se atreva a tanto.



