O bater de asas de uma borboleta

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Em Poesia – III, escreveu José Gomes Ferreira a «canção daquela borboleta verde que vi, há momentos, aturdida num passeio de Campolide» (XX, p. 23). E perguntou-lhe se procurava «perfumes dormidos» ou «flores geladas», para, no fim, lhe declarar:

Longe de mim a ideia de me acomparar ao estro do Poeta; mas se inspiração lhe deu mui singela borboleta verde, também ele próprio inspirou, decerto, muitos outros escritores ou simples escrevinhadores de jornais. A mim, há dias, foi a ruínas que me despertou a atenção e da conversa com ela acabei por querer dar conta («Conversar com flores»).

Sucedeu, porém, que, dias depois, ao passar, duas pétalas de rosa se soltaram e caíram junto à ruínas, a cymbalaria muralis. E, desta feita, os seus próprios címbalos voltaram a tocar – numa inspiração que chegou a Roma, na imaginação de conversa iniciada, num mundo, o actual, em que há conversas, conversas, com o nome pomposo de ‘conversações’ e que, afinal, não levam a sítio nenhum e nem poesias suscitam!

E o primeiro eco aqui está:

«colloqui sussurri albe e tramonti nascondono una natura che vive e si parla molto più sinceramente di tanti uomini potenti che usano il verbum per ingannare ed uccidere».

“colóquios, sussurros, auroras e poentes escondem uma natureza que vive e dialoga com muito maior sinceridade que tantos poderosos que se servem do verbum para enganar e matar”.

 Mas Eugenia Serafini foi mais longe:

Foi para mim  um privilégio traduzir esta ode do douto falar de Dante Alighieri para a singeleza da língua de Camões.

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