A Agência de Imigração dos EUA continua a deter e a deportar pessoas de modo aleatório. Longe de se limitar a controlar quem quer entrar no país, esta agência (conhecida pelo acrónimo ICE) actua em qualquer ponto dos EUA e persegue imigrantes que já constituiram família.
Os mais recentes relatos dão conta da detenção e encarceramento de mais de 40 pessoas, em Nova Iorque, quase todos homens e quase todos pais de família. Segundo grupos de defesa dos migrantes, neste grupo de 40 detidos há progenitores de pelo menos uma dúzia de crianças.

Sob a presidência de Donald Trump, a agência ICE tornou-se na força motriz da repressão aos migrantes, beneficia de um financiamento generoso e de liberdade para realizar operações onde e como quiser. Trump afirmou que deseja deportar ‘os piores dos piores’ criminosos, mas os dados do ICE mostraram uma maioria de não criminosos detidos e enviados para centros de deportação, onde aguardam extradição.
O grupo de defesa dos imigrantes Rural & Migrant Ministry publicou na net que mais de 70 trabalhadores foram presos após uma operação da ICE numa fábrica de barras de nutrição, Nutrition Bar Confectioners, na vila de Cato. O relato foi confirmado pelo New York Times. O jornal disse que a operação nesta fábrica de produtos alimentares foi uma das maiores operações em locais de trabalho em Nova York desde que a repressão de Trump começou.

Todos estes casos dizem respeito a imigrantes com permanência legal nos EUA, trabalhadores com contrato e contribuintes líquidos para o fisco americano. Nenhum deles foi apanhado a cometer crimes. Estavam a trabalhar.
A Reuters dá conta de uma outra ação do Ice que provocou reações de desagrado da Coreia do Sul, um país asiático aliado fidelíssimo dos EUA.
Centenas de trabalhadores de uma fábrica de baterias de carros da Hyundai Motor, em construção na Geórgia, foram detidos numa grande operação realizada pelas autoridades dos EUA na noite de quinta-feira.
Mais de 470 trabalhadores foram detidos, de modo que os trabalhos de construção civil ficaram parados. Esta fábrica é um dos principais investimentos do fabricante coreano nos EUA.
O caso já envolveu o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Sul, que divulgou um comunicado censurando a ação das autoridades dos EUA.


O sucedido pode agravar as tensões entre Washington e Seul, um aliado-chave e investidor nos EUA. Os países têm divergido sobre os detalhes de um acordo comercial que inclui 350 mil milhões de dólares em investimentos.
Neste caso, as autoridades norte-americanas afirmam que os detidos entraram ilegalmente nos EUA ou tinham vistos de permanência caducados. Os trabalhadores detidos foram levados para centrtos de detenção da ICE em Folkston, na Geórgia. A maioria das mais de 470 pessoas são cidadãos coreanos, segundo a imprensa sul-coreana.
A fábrica, uma joint venture entre a LGES e a Hyundai Motor, deveria arrancar a produzir no final deste ano. A fábrica prevê construir baterias para os modelos EV da Hyundai, Kia e Genesis, um investimento de muitos milhões de dólares. Para já, não se sabe quando as obras de construção poderão recomeçar.
Por contabilizar está o prejuízo com a destruição dos núcleos familiares e a inerente desestruturação da sociedade.




